West – Strategic Culture Foundation https://strategic-culture.su Strategic Culture Foundation provides a platform for exclusive analysis, research and policy comment on Eurasian and global affairs. We are covering political, economic, social and security issues worldwide. Wed, 11 Mar 2026 15:05:57 +0000 en-US hourly 1 https://strategic-culture.su/wp-content/uploads/2023/12/cropped-favicon4-32x32.png West – Strategic Culture Foundation https://strategic-culture.su 32 32 John Dee: O feiticeiro celta que inventou o Império Britânico https://strategic-culture.su/news/2026/03/11/john-dee-o-feiticeiro-celta-que-inventou-o-imperio-britanico/ Wed, 11 Mar 2026 16:01:13 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=891077 O Império Britânico é a invenção de um feiticeiro celta que se comunicava com “anjos” um tanto esquisitos e acreditava que a Rainha Elisabete restauraria e superaria o império mítico do Rei Artur.

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Na ilha da Grã-Bretanha há três países: Inglaterra, Escócia e País de Gales. Nos tempos do Império Romano, a Grã-Bretanha, chamada de Britânia, era ocupada por britânicos (ou bretões). Daí o nome da ilha. Por que existe essa divisão de países? Durante a Idade Média, tribos bárbaras saíram da atual Dinamarca e da Saxônia para conquistar a Grã-Bretanha e expulsar os britânicos, um povo celta, de suas terras. Eram os anglos e os saxões, que se misturaram entre si e deram origem à Inglaterra, ou Terra dos Anglos. Uma parte dos britânicos expulsos foi para um pedaço da França que ganhou o nome de Bretanha, fazendo com que o nome Grã-Bretanha se tornasse conveniente para diferenciar a grande ilha da terra continental dos bretões. Outra parte ficou encurralada no diminuto País de Gales, a terra de onde o Rei Artur, cristão, tentava resistir e reconquistar a terra perdida para os bárbaros infiéis.

Ora, dado o insucesso do pobre rei celta, por que será que a Inglaterra resolveu criar, no período elisabetano, o Império Britânico? E não, digamos, um Império Inglês?

A resposta está na mitologia em torno da fundação da Inglaterra. Ainda na Alta Idade Média, uma obra anônima intitulada Historia Brittonum alegava que o primeiro rei britânico havia sido um certo Brutus de Troia, que era descendente de Enéas, mítico fundador de Roma. No século XII, um clérigo galês com muito talento literário chamado Godofredo de Monmouth fez as vezes de historiador com a obra Historia Regum Brittaniae, na qual descreve até a noite de amor na qual o Rei Arthur foi concebido. Agora Arthur era um rei britânico descendente de Enéas e de Brutus, que nomeia a ilha como Britânia em homenagem a si próprio. Godofredo inventou também uma porção de conquistas nórdicas para Arthur.

Nos albores da modernidade, a mitologia britânica, inventada na Idade Média, ganha uma importância política sem precedente, com a coroação do galês Henrique VII em 1485 como Rei da Inglaterra. Era o primeiro rei da problemática dinastia Tudor – e os reis Tudor, por serem de origem galesa, serão transformados em descendentes do Rei Arthur, de Brutus de Troia e, como não, do fundador de Roma.

Para complicar ainda mais a coisa, há a Reforma: Henrique VIII, filho de Henrique VII, rompe com a Igreja Católica na década de 1530, porque não aceita continuar casado com a esposa que não lhe dera um herdeiro varão. Na mesma época, o reformador John Bale (1495 – 1563), pioneiro em apresentar Roma como Babilônia e o Papa como o Anticristo, já jurava que os antigos britânicos tinham um cristianismo mais puro do que o dos romanos; que os britânicos sempre combateram Roma e que os Tudor são legítimos herdeiros do Rei Artur, tendo portanto a obrigação de combater Roma, sob pena de serem punidos por Deus.

Para os fanáticos protestantes do período, combater Roma poderia significar algo relativamente simples como purgar a Igreja Anglicana de coisas consideradas papistas. (Tanto que centenas de puritanos, frustrados com o governo da Rainha Elisabete, iriam embora para América por acreditarem que Deus iria destruir a Inglaterra por causa disso. A destruição do papado, acompanhada pelos maiores cataclismos, estava prevista para 1650.) Mas nessa época de loucura generalizada, nem todos os loucos eram de um tipo pio. E o louco que nos interessa é um louco ocultista chamado John Dee (1527 – 1609).

Mais um império mundial

Já vimos em textos anteriores que, nos séculos XVII, rondava em meios influenciados pela cabala a ideia de que um novo império mundial estava na iminência de surgir, junto com uma nova religião ecumênica e o Milênio. Na maioria das versões, o novo imperador liberta Jerusalém dos turcos e governa o mundo de lá. No seiscentos, destaquei Cristina da Suécia e Antonio Vieira como adeptos de La Peyrère, que a seu turno repetia o quinhentista Postel. No esquema destes últimos, os franceses são o povo eleito, e um rei francês iria libertar Jerusalém dos turcos, instalando lá os judeus. Para Antonio Vieira, o povo destinado ao Quinto Império do mundo era o português, liderado por D. João IV, que cumpre as profecias do Bandarra e ressuscitará para levar Portugal à glória. Ora, em relação à França e Portugal, a Inglaterra tinha a vantagem de ter no trono uma descendente do próprio Enéas!

Na Inglaterra, John Dee, que chegou a conhecer Postel, foi o mentor do “Brytish Impire”, do Império Britânico. Ele era filho de galês e conselheiro da Rainha Elisabete desde quando esta ascendeu ao trono em 1558. Na verdade, aos 20 anos o jovem Dee já era admirado dentro e fora da Inglaterra por seus avançados conhecimentos matemáticos.

Sobre a consultoria, vale citar um artigo desclassificado da NSA: “Como consultor do governo, era excelente em matemática, criptografia, ciência natural, navegação, biblioteconomia e, acima de tudo, nas ciências que mais recompensavam naqueles dias: astrologia, alquimia e fenômenos psíquicos. Ele era, sozinho, uma Rand Corporation para o governo Tudor de Elisabete”. A Rand Corporation é uma organização privada de financiamento obscuro que subsidia a inteligência militar dos Estados Unidos com pesquisas científicas e sociais.

Não é possível exagerar a importância de John Dee para a coroa britânica. Por isso, o relativo silêncio da academia sobre ele é algo digno de nota. Por incrível que pareça, o âmbito no qual é mais fácil encontrar escritos e informações sobre Dee é o esoterismo. Assim, é relativamente fácil descobrir que John Dee conversava com “anjos” usando apetrechos como um espelho asteca, uma bola de cristal, tabuleiros estrelados (apetrechos expostos no Museu Britânico), mais o auxílio do médium Edward Kelley – e que a parceria durou até ambos obedecerem às ordens de um “anjo” de trocarem de esposas. Difícil é descobrir que essa figura excêntrica foi tão importante na política.

As grandes crenças de Dee conexas com o Império

Uma das poucas obras dedicadas à vida política e filosófica de John Dee é John Dee: The World of an Elizabethan Magus, de Peter French. Na obra, vemos que John Dee acreditava na mitologia britânica, de modo que a Rainha Elisabete descendia do fundador de Roma através o Rei Arthur.Vale destacar que a mitologia britânica já havia sido refutada pelo humanista italiano Polidoro Virgílio na primeira metade do século com a obra Anglica Historia. No entanto, além de acreditar na lenda, Dee a ampliava, colocando o Rei Arthur como líder de um Império Britânico colossal ao qual a Rainha Elisabete tinha direito.

Em algum momento entre 1578 e 1580, Dee entregou à rainha o documento Title Royall to… foreyn Regions [Direito real a… regiões estrangeiras] nas quais, por ser descendente de Arthur, Elisabete tinha direito à “Atlântida” (era como Dee chamada a América), Islândia, Groenlândia, bem como às ilhas fantasmas de Friseland e Estotiland (que eram mencionadas na Viagem dos Irmãos Zeno, uma obra medieval publicada na Renascença).

Da década de 1550 até a década de 1580, Dee foi a principal liderança das navegações inglesas. Isso se deve tanto a um fator ideológico quanto a um fator prático. O fator prático é que a Inglaterra, antes mesmo da Reforma protestante, passava por um espírito reformista erasmiano que visava a combater a influência da Idade Média na universidade e substituí-la por beletrismo. Com a adesão da Inglaterra ao protestantismo, essa tendência se aprofundou, e no breve reinado (1547 – 1553) de Eduardo VI (o herdeiro homem tão desejado por Henrique VIII), os puritanos invadiram as universidades e destruíram os escritos identificados com o “papismo”. Para piorar, a matemática era associada com o ocultismo. Assim, grosso modo, era como se as universidades inglesas só tratassem de belas letras e apenas o excêntrico mago John Dee fosse capacitado para tratar de coisas práticas como a navegação.

Quanto à razão ideológica, Dee acreditava que a Rainha Elisabete deveria liderar um Império Britânico, e que tal império deveria se dar pela supremacia naval acompanhada por uma grande atividade mercantil. Essa é a descrição do Império Britânico tal como ele entrou para a história, mas ela reflete sobretudo o século XIX. Na época de Dee, não exisitam nem colônias inglesas na América, mas ele achava que um tal Lorde Madoc, Príncipe de Gales do Norte, havia construído uma “colônia” perto da Flórida e por isso a Rainha Elisabete tinha direito à “Atlântida”.

Na época de Dee, a os ingleses inventaram sistema de chartered companies, tão aproveitado pelos holandeses, no qual o Estado dava a uma companhia comercial o monopólio das relações comerciais com uma região. (Já escrevi em maior detalhe sobre isto aqui.) Assim, os projetos navais mais imediatos de Dee incluíam as expedições da primeira chartered company inglesa pelo Ártico (buscava-se uma rota da Inglaterra para o Oriente através do Ártico), expedições para o Canadá (se Humphrey Gilbert não tivesse naufragado, Dee teria direito a terras no Canadá), ou a circunavegação de Drake (a segunda circunavegação da História, que se seguiu à de Fernão de Magalhães).

Navegações de tão grande escopos eram, por fim, necessárias porque a Rainha Elisabete estava predestinada a liderar um império mundial, sem comparação com todos os precedentes: o “Incomparable Brytish Impire”, no inglês da época.

Assim, pois, temos que o Império Britânico é a invenção de um feiticeiro celta que se comunicava com “anjos” um tanto esquisitos (pois recomendavam troca de casais…) e acreditava que a Rainha Elisabete restauraria e superaria o império mítico do Rei Artur.

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American bases do not protect – they attack the peoples of the Persian Gulf https://strategic-culture.su/news/2026/03/11/american-bases-do-not-protect-they-attack-the-peoples-of-the-persian-gulf/ Wed, 11 Mar 2026 14:46:52 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=891070 How long will it take before they rise up against this true military occupation?

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“Our success will continue to hinge on America’s military power and the credibility of our assurances to our allies and partners in the Middle East.”

These were the words spoken in December 2013 by the Secretary of Defense of the Obama administration, Chuck Hagel, to the countries of the Gulf Cooperation Council. That reinforced the historical guarantees given by Washington to its puppets, reaffirming the deceptive propaganda that the United States is the guardian of global security.

Promises like that are made by every administration, whether Democrat or Republican. Twelve years later, Donald Trump would reinforce that mantra again, addressing Qatar specifically: “The United States shall regard any armed attack on the territory (…) of Qatar as a threat to the peace and security of the United States.” According to Trump, the United States would respond to attacks against Qatar with “all lawful and appropriate measures,” “including militarily.”

Israel had just bombed Doha, targeting Hamas leaders. The entire speech by the president of the United States was completely hollow: the Patriot systems acquired for 10 billion dollars in the 2012 agreement, together with a new acquisition of Patriot and NASAMS systems for more than 2 billion dollars in 2019, did not intercept the Israeli bombardment. And the United States did not consider that attack a “threat to the peace and security of the United States” — on the contrary, they turned a blind eye to it.

Qatar hosts the U.S. Central Command, the U.S. Air Force and the British Royal Air Force at Al-Udeid Air Base, built with more than 8 billion dollars invested by the Qatari government. None of this has protected the Qatari people. Iran’s retaliation for the U.S.–Israel aggression revealed that the base itself (the largest U.S. military installation in the Middle East) is a fragile target: it was struck by a missile on the 3rd, which likely damaged or destroyed the AN/FPS-132 early-warning radar, one of the most important sensors in the U.S. missile defense system, valued at about $1.1 billion. Satellite images suggest significant damage to the equipment, which could compromise the ability to detect ballistic missiles at long distances.

In 2017, Saudi Arabia spent $110 billion on U.S. military equipment in an agreement that foresees spending more than $350 billion by next year — including Patriot and THAAD systems. Apparently, this enormous expenditure is not guaranteeing fully secure protection. Despite important interceptions in the current war, the U.S. government instructed part of its personnel to flee Saudi Arabia to protect themselves — which reveals that even the United States does not trust the defensive capability it sells to others. In fact, in the early hours of the 3rd, two drones struck the U.S. embassy in Riyadh and, two days earlier, U.S. soldiers were also targeted.

Since 1990, Gulf countries have spent nearly $500 billion purchasing weapons and protection systems from the United States, according to data from the Defense Security Cooperation Agency (DSCA), the Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) database and reports from the Congressional Research Service (CRS). The construction and maintenance of defense infrastructure by the United States is almost entirely financed by the host countries. All of this is being blown apart by the legitimate Iranian retaliation.

The ineffectiveness of the protection provided by the United States had already been demonstrated in last year’s war, but also by the launches from Hamas, Hezbollah and the Houthis toward Israel, which shattered the myth surrounding the Iron Dome. In a certain sense, the success of many of those attacks represented a humiliation for the all-powerful American arms industry. The several MQ-9 Reaper drones shot down by the Yemenis represented losses amounting to $200 million — the drones used by the Houthis to shoot down the American aircraft cost an insignificant fraction to produce.

The ineffectiveness of American protection also reveals the extremely low quality of the products of its military complex. This complex is dominated by a small handful of monopolies such as Lockheed Martin and Raytheon which, without competitors and with clients subservient to the American government, see no need to make the maximum effort to produce weapons and systems of unsurpassable quality. Finally, corruption runs rampant in this field, and inferior peoples such as those of the Gulf do not deserve to consume products of the same quality as those destined for America — apparently their regimes are willing to pay dearly for anything.

Iran, with all its experience of more than four decades dealing with aggression, has known how to use these vulnerabilities very well. Leaders at the highest levels of the Iranian state publicly insist that peace in the Middle East is impossible while U.S. bases remain operational in the region. Saeed Khatibzadeh, Iran’s Deputy Foreign Minister, stated, “We have no option but to put an end to the existence of American presence in the Persian Gulf area.” These appeals are certainly circulating in neighboring countries — both among the general population and within the armed and political forces.

The Persian nation is not only attacking military installations but also strategic targets that affect the nerve center of the Gulf countries’ economies: the energy industry — in retaliation for the bombings of its own oil infrastructure by the United States and Israel. These Iranian attacks place even greater pressure on the puppet regimes of imperialism to do something to stop their masters. The obvious solution would be to prevent the use of their territory for aggression against Iran, which would necessarily imply closing the military bases.

Although all these countries are dictatorships that repress any dissent, as the suffering of the civilian population increases, popular discontent may become uncontrollable. Their rulers know this and are already racking their brains to find a safe way out of this potentially explosive situation.

Will the peoples of these countries swallow all the lying propaganda that their regimes — fed by the lie industry of the United States and Israel — try to tell them, that Iran is the aggressor and responsible for the attacks? But why do the United States build missile launch bases so close to residential neighborhoods? Clearly, just like the Israelis, this is not a “moral” and “ethical” army: those people exist to serve as human shields for American soldiers. The logic of protection is inverted: it is not U.S. anti-aircraft systems that serve to protect the Saudi, Emirati or Qatari people — it is these second-class citizens who must die to protect the occupying forces.

Moreover, U.S. military bases frequently house soldiers responsible for crimes against local populations. This became explicit during the Iraq War. For example, the rape of a 14-year-old girl named Abeer Qassim Hamza al-Janabi, followed by her murder and the killing of her family after soldiers from the 101st Airborne Division invaded her house in Mahmudiya in 2004. Or the rapes documented over years during the invasion of Iraq, together with the practice of sexual exploitation and prostitution carried out in areas near American military installations such as Balad Air Base, used by the 4th Infantry Division.

On the 1st, U.S. Marines killed at least nine protesters who attempted to storm the American consulate in Karachi, Pakistan, in protest against the criminal aggression against Iran that had already massacred about 150 girls in an Iranian school the previous day. This is what imperialist presence in the countries of the Middle East, Central Asia, Africa and Latin America serves for: to rape, murder and use the natives themselves as human shields, not to protect them.

How long will it take before they rise up against this true military occupation? Probably not long.

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Dos eventos que dejó febrero, los astros y sus luces https://strategic-culture.su/news/2026/03/08/dos-eventos-que-dejo-febrero-los-astros-y-sus-luces/ Sun, 08 Mar 2026 14:00:53 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=891013 El mes de febrero y dos de sus eventos afirman una humanidad en descomposición.

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El mes de febrero y dos de sus eventos afirman una humanidad en descomposición y en donde la cordura a veces parece perder la batalla ante la emotividad violenta, sangrienta, irracional y persistente en mantener el statu quo de hace treinta y cinco años, o acaso cuatrocientos años, por parte de occidente. Estados Unidos de América y sus abyectos socios: toda Europa, Corea del Sur, Australia y Japón, así como la reconquistada América Latina y el Caribe, hacen el coro ambiguo pero persistente entre aceptar la prolongación de tal vasallaje y efectuar rabietas de insubordinación sin dientes ni condiciones estructurales para mantenerlas; esto en parte por causa de los espejismos que suscitó el progresismo con la idea de lograr la ‘revolución mediante las reformas’. Todo muy light y sí, no había más.

Cuando nos disponemos en una noche despejada a ver las estrellas en el cielo, aquellas luces no son las estrellas en sí. Son la luz viajando en el espacio de astros ya muertos. El brillo, poco o mucho, que vemos de los eventos en el presente, también es la alucinación de brillos y vitalidad pasadas, como el del dominio estadounidense unipolar, pero también de las grandezas indiscutibles de los imperios ruso, chino o persa. Hoy en día todos a su manera, son la sombra de tales incandescencias. Persisten en recobrar el acento y son otra cosa. ‘La historia no se repite, pero rima’, señalaba el estadounidense Mark Twain.

¿Qué ha sido de las luces y sus astros? Algunos eventos del mes de febrero nos ponen de cara a estos reflejos, de la persistencia en lo que se fue y ya no es. Esto no omite que las esencias históricas persistan. Aunque con cierta momentánea palidez.

India – Israel: ¿La ‘I’ de Irán reemplazará a la ‘I’ de India en BRICS+?

India, -nación con una demografía potente y una tasa de natalidad relativamente joven y siendo la tercera economía mundial- hace parte del grupo BRICS+. De hecho, fue miembro fundador en 2006, como RIC -Rusia, India y China-, pasando a ser BRICS en 2010, al sumarse Brasil y Sudáfrica y luego BRICS+ con las nuevas incorporaciones al grupo.

Pero desde 2007 -un año luego de fundar RIC- se sumó al Quadrilateral Security Dialogue, QUAD; foro estratégico entre Estados Unidos, Japón, Australia e India. Tal grupo es una apuesta por contener a China, -quien desde entonces tenía afinidades que hoy están consolidadas con Rusia- en la zona del Indo-pacífico, extendido entre el océano Índico y el mar de China meridional hasta el océano Pacífico occidental.

Esta es una contradicción que, expresión del pragmatismo confucianista, China lo ha soportado con un ojo alerta, mientras negocian en BRICS+. En el año 2025, celebrado en China el aniversario de los 80 años de la derrota del fascismo, India fue a abrazar a Xi Jinping como muestra de independencia ante la presión arancelaria de EE.UU. para que no comerciara con Rusia petróleo. Tal acto hizo que varios expertos señalaran que Trump logró lo que nadie: unir más a las desconfiadas naciones India y China, enzarzadas en conflictos sempiternos en los territorios de Aksai Chin, que comprenden Cachemira, Tíbet y Sinkiang.

Por otra parte, los altos mandatarios de India e Israel, Narendra Modi y el genocida Benjamin Netanyahu, premier israelí, tuvieron una reunión este 25 de febrero de 2026, luego de aplazarla en abril, septiembre y noviembre de 2025. El mismo sionista israelí tiene restringida su movilidad internacional por orden de captura de la Corte Penal Internacional desde noviembre de 2024.

En la visita de febrero de 2026 Narendra Modi, primer ministro indio señaló que: “Nuestras naciones comparten una sólida y multifacética Asociación Estratégica (…) Los lazos se han fortalecido significativamente en los últimos años”, escribió Modi en X antes de aterrizar en Tel Aviv.

Es al menos preocupante que la India, integrante fundador del grupo BRICS+ -que amenaza los liderazgos del G20 y G7, al haber cambiado las reglas asimétricas y leoninas de negociación entre partes- sea parte del QUAD. Además, que India abrace al país genocida y a su líder para profundizar relaciones en defensa y tecnología, entre otros, en el momento de mayor riesgo de confrontación global, cuando EE.UU. como títere de Israel se suma a atacar a Irán, para llegar a China.

India ha permitido usar su territorio a los sionistas y estadounidenses. De buena gana, Narendra Modi mirará a un costado para que se asesinen persas musulmanes, pues como es sabido, es hostil ante los doscientos millones que habitan India.

No es fácil esta postura. Por el Estrecho de Ormuz llega a India el 60% del petróleo que necesita la nación para su desarrollo. ¿Le apuesta en verdad el gobierno indio a la esperanza de la aniquilación del mundo persa? ¿Entiende que tal problema, además de una escalada de guerra total, le llevará a estar condicionado por Estados Unidos e Israel en el mediano plazo?

¿Cómo ven tal comportamiento chinos y rusos? Estos países, en la luz inicial de su creación como astros civilizacionales, para volver a la analogía, tuvieron conflictos y recelos, pues también entre persas y rusos, sus imperios chocaron. La desconfianza allí late como destello doloroso. El propio presidente Vladímir Putin señaló en junio de 2025, tras la ‘Guerra de los 12 días’, que Rusia había ofrecido un acuerdo de cooperación de defensa y los iraníes lo habían rechazado, aunque antes de tal micro guerra, firmaron u acuerdo de cooperación estratégica, renovación del acuerdo de 2001.

Por su parte China y Rusia, tuvieron confrontaciones bélicas desde el siglo XVII entre los imperios ruso/tsarista y la dinastía Qing. Luego en el siglo XIX, el imperio ruso se expandió -retomando lo perdido en la guerra anterior mediante el tratado de Aigun de 1858- aprovechando la debilidad de tal dinastía y las guerras del opio. Luego, en su momento comunista más brillante, en 1969 volvieron a tener una guerra que pudo escalar a nuclear.

Rusia e India no mantuvieron conflictos, más bien negociaciones en el siglo XVII con el imperio mongol y luego negociaciones con la India britanizada y ciertas disputas geopolíticas por expansiones rusas hacia Jivá y Bujará (Turkestán ruso).

Finalmente, para el caso de interés, China e Irán, en su versión de imperios, persa y dinastía Han, alrededor del siglo II a.C. tuvieron cercanía con la Ruta de la Seda, iniciada por la misión de Zhang Qian en 139-126 a.C. y solo alguna escaramuza poco relevante.

Curioso es que hoy vuelve a ser de interés la ruta de la seda para la China contemporánea, reinaugurada no sólo para el acceso a hidrocarburos sino por la circulación – consumo de otro tipo de mercancías y el reacomodo geopolítico del mundo.

Lo anterior no pretende satanizar las relaciones, con un sesgo que busque confirmar la desconfianza. Es claro y el lector puede ubicar eventos que confirman relaciones respetuosas y con avances en cooperación entre tales naciones. Sin embargo, las alertas negativas instan en cualquier situación a ponderar los récords positivos de las relaciones internacionales, pero revisando los patrones persistentes o nuevos de los eventos negativos.

Por eso, la cercanía de India e Israel deja traer al presente el recuerdo de la suma de hechos históricos que identifican tendencias nacionales que van más allá de los intereses actuales y se proyectan como la esencia de los ethos fundacionales de estos imperios.

¿Puede confiarse, de India, su lugar fiel al grupo BRICS+, con estos nuevos elementos y sus antecedentes históricos? Tras las agresiones iniciadas por Israel y secundadas por E.UU. el 28 de febrero de 2026, respondidas enérgicamente por Irán en una guerra que para ésta es de carácter existencial, ¿qué pasará tras el fin del conflicto, si Israel y EE.UU. logran los resultados esperados? ¿India romperá BRICS+ percibiendo un ganador geopolítico occidental, enemigo de su enemigo regional? Para John Helmer, India ya está rompiendo BRICS+ ¿De ser el vencedor Irán, -al lograr evitar el cambio de régimen y la balcanización- se consolidará como la nueva letra ‘I’ de BRICS+ en lugar de India? Claro, y omitiendo a una ‘I’ de Indonesia en BRICS+, que también es miembro pleno, pero al margen de conflictos actuales. ¿Es posible tanta flexibilidad por parte de Rusia y China ante los bandazos de una India con intereses singulares y franca competencia a cincuenta o cien años con el dominio regional chino?

Los chinos seguirán siendo flexibles y vigilantes y no ven quizá riesgo en India; por el contrario, la libertad de asociación es una característica de BRICS+. Sin embargo, en juegos imperiales de larga duración, ningún escepticismo peca de extremo.

Dentro de grupo BRICS+ no está contemplado una causal de exclusión de un miembro. Pero tampoco se han visto en situaciones que insten a hacerlo. El grupo mismo se lo ha pensado poco al momento de rechazar la casi auto invitación de Macron para el BRICS+ 2023, en Sudáfrica, considerándola ‘inapropiada’.

La Guerra Fría definió claramente opuestos con base en antagonismos ideológicos claros: comunismo y socialismo vs capitalismo. Esto implicó la formación de bloques que se sustentaban en tal dicotomía. BRICS+ tendrá una prueba de fuego en esta postura india, al igual que la de los otros países miembros BRICS+ (Egipto, Emiratos Árabes Unidos, Indonesia, Uzbekistán, Kazajistán y Vietnam.) que se sumaron a la idea de Donald Trump de construir un Consejo para la paz en Gaza, que revisé en el artículo anterior.

¿Cómo será el diálogo de estas naciones en el Foro BRICS+ de India 2026, – “Building for Resilience, Innovation, Cooperation and Sustainability” (Construyendo para la Resiliencia, la Innovación, la Cooperación y la Sostenibilidad)- cuando estos países también deban tomar postura frente a la guerra en Irán, ¿de la cual ya reciben el castigo por su complacencia con el imperio decadente estadounidense?

Guerra abierta en Oriente Medio

El 28 de febrero de 2026, en medio de una mesa de negociación que el propio mediador omaní señaló esperanzadora para la siguiente ronda, una vez más, EE.UU. fracturó la negociación al acordar, -se sabe que el ataque estaba ya acordado desde diciembre de 2025- que Israel atacara primero a Irán. Pero el presidente Trump, quien gobierna desde la espectacularidad de los medios de comunicación, no ha logrado explicar de manera convincente la entrada en esta nueva guerra, cuando en campaña prometió todo lo contrario. Asunto que le puede traer problemas para las elecciones de mitad de mandato.

Si un cuerpo celeste sigue vivo y brillando con luz tenue, ese es el cuerpo de la traición, el engaño, las falsas banderas y la imposición gansteril de Estados Unidos de América. Está suficientemente documentado. Los propios funcionarios chinos, Wang Wenbin o Guo Jiakun, ha descrito el número de bases militares estadounidenses en el mundo -800- y el número de guerras causadas -240 guerras con una pausa de 16 años, o sea, ha estado provocando conflictos 224 años- en su breve historia -al lado de existencia milenaria de persas, rusos, indios y chinos- sobre todo luego de la Segunda Guerra Mundial. 1945. Entonces, ¿a quién le sorprende esta nueva guerra en Irán, dada tanto a favor del sionismo, -´el gran Israel´- y de la contención a China?

Quiero anotar la particularidad histórica de las naciones milenarias en cuanto a cómo valoran a sus altos mandos y su cuidado.

En Rusia, han asesinado a militares de alto rango como el encargado de asuntos de guerra biológica teniente general Igor Kirillov, -hecho reconocido por Ucrania- en diciembre de 2024, que tenía experiencia en laboratorios químico-bacteriológicos y había estudiado los mismos en Ucrania, construidos por EE.UU. También el teniente general Fanil Sarvarov en diciembre de 2025, en Moscú. Así mismo, otro alto rango, Yaroslav Moskalik en abril 2025, Subjefe de la Dirección Principal de Operaciones del Estado Mayor, fue asesinado en un atentado con coche bomba. Vladímir Alekseyev, el más reciente, el 6 de febrero de 2026, en Moscú. El subdirector del GRU (inteligencia militar rusa, número 2), recibió varios disparos en su edificio residencial.

Por su parte, en la llamada ‘Guerra de doce días’ de junio de 2025, a Irán se le traicionó de idéntica manera a la del 28 de febrero. Se le bombardeó fuertemente en plenas negociaciones. Se asesinaron a sus altos mandos militares y parte de su élite científica con sus familias. El primero de marzo de 2026, se confirmó el asesinato del líder espiritual Alí Jameneí. ¿cómo tienen a la expresión viva y mística en una casa en Teherán? Altos rangos militares también fueron asesinados.

Asimismo, se atentó contra el expresidente Mahmoud Ahmadinejad, en bombardeo, junto a sus escoltas. En mayo de 2024, fue asesinado en una sospechosa caída de helicóptero el presidente de Irán, Ebrahim Raisí, junto a su ministro de exteriores. Al general Qsem Soleimani se le asesinó, luego de invitarlo a diálogos con una comitiva, en enero de 2020 en Irak.

Esto es sorprendente y puede explicarse por una confianza absoluta en que quienes reemplazan son aptos, en que no hay nadie indispensable. Esto se afinca en la idea de que todos somos reemplazables y no indispensables, cuando hay confianza en la propia idea histórica de liderazgo. También y sobre todo para el caso iraní, el martirio es el máximo sacrificio. Jameneí no huyó. Dio su vida y consolidó la unidad nacional y confraternizó al chiismo y al sunismo regional contra el enemigo occidental.

Después de todo, Irán ha asegurado la continuidad de su gobierno y encuentra férreo respaldo en la multitud volcada a las plazas públicas hacia la Guardia Revolucionaria y el clero, con una transición en camino para elegir un nuevo ayatolá. De hecho, entendían que Jameneí tenía problemas de salud, 87 años y una sucesión en marcha. ¿Su nieta de dieciocho meses, su hija y su yerno, que cayeron junto al líder, eran necesarios en este martirio?

En Rusia, el presidente Vladímir Putin encuentra respaldo en sus cuerpos gubernamentales, de seguridad y en el nivel de aceptación de la población sobre el 70 u 80%, pese a las bajas señaladas y todos los atentados que le ha propiciado Reino Unido y Estados Unidos directamente y mediante el proxy ucraniano.

¿Cómo están viendo los rusos la fiabilidad de las negociaciones con Estados Unidos y un rabioso Zelensky, instigado por Europa, para poner fin al conflicto? Es, como dicen algunos analistas, ¿la forma de mostrarse Rusia abierta al diálogo ante la maquinaria propagandística y comunicacional occidental, congelando así este brazo poderoso de hostilidad desde la desinformación, pero teniendo claro que la diplomacia para el arreglo se libra ahora en la línea del frente?

¿Cómo ve China el cerco que quiere limitarle acceso a las fuentes significativas de hidrocarburos, como lo son Venezuela e Irán, de caer, en esta guerra en ciernes?

Estas naciones: China, Rusia, Irán e India siguen casi incólumes moviéndose en el tiempo con la memoria de su cuerpo fundacional. Su luz se proyecta como recuerdo de su gloria. Pero ya no es el mismo mundo ni las mismas recetas. Postergar la confrontación que se dará inevitablemente ya no parece una opción. Irán aplazó una guerra abierta por ocho meses y quería postergarla una vez más aún sabiendo que Israel no dejaría avanzar una negociación.

En los años como imperios acuñados, ni chinos, rusos, indios o persas tuvieron un enemigo tan irracional, letal, idiota, arrojado, poderoso, con armas que son truenos de los dioses, como los Estados Unidos de América. La luz, recuerdo de los astros que fueron y han sido estos imperios, no sea por el bien global, un velo que no les permita comprender que ya están en guerra abierta y que se desean sus cabezas. Que los novatos, los advenedizos de la historia, los atlánticos belicistas, están dispuestos a borrar de la memoria y la vida material su propia existencia y la de sus contrincantes milenarios.

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How long will the Kurds keep fighting the West’s wars? https://strategic-culture.su/news/2026/03/08/how-long-will-the-kurds-keep-fighting-the-wests-wars/ Sun, 08 Mar 2026 09:01:41 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=890998 Kurds should stop importing foreign agendas and begin seeking integration within their own countries.

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In recent days, new reports about attempts by the United States to mobilize Kurdish militias against Iran have revived an old geopolitical question in the Middle East: how long will the Kurds continue to serve as shock troops for Western strategies? Recent history shows that this role has repeatedly ended in tragedy for the Kurds themselves.

Over the past decades, the Kurds have often been portrayed by Washington and its allies as a “natural partner” in the Middle East. In practice, however, this relationship has been deeply instrumental. Whenever a new regional crisis emerges, sectors of the Western establishment once again look to Kurdish armed groups as a convenient tool to pressure governments considered hostile. Today, the same logic is resurfacing in the context of the war against Iran.

The idea of fomenting Kurdish insurgencies inside Iranian territory follows the same script seen in other scenarios. The problem is that this strategy completely ignores the military and political realities of the region. Kurdish militias simply do not possess the strategic capacity to confront a consolidated state such as the Islamic Republic of Iran. Unlike low-intensity conflicts, a direct confrontation with Tehran would mean facing a sophisticated military apparatus, an efficient internal security network, and a highly resilient state structure.

In practical terms, any attempt to launch an armed insurgency inside Iran would likely be quickly neutralized. The predictable result would be the destruction of the militias involved and the suffering of local Kurdish populations. In fact, recent experiences in other countries already demonstrate the limits of such projects.

In Syria, Kurdish militias gained prominence during the Civil War and received extensive military support from the United States. However, this partnership proved extremely fragile. When Washington’s strategic interests shifted, Kurdish forces were left exposed to external offensives and regional pressures they were unable to contain, as recently seen in attacks by the HTS government against Kurdish regions.

The situation has been even clearer in Turkey. There, decades of armed confrontation involving Kurdish organizations have resulted in repeated military defeats. The Turkish state has repeatedly demonstrated that it possesses the capacity to crush ethnic insurgencies within its territory. Instead of advancing toward autonomy or political recognition, the cycle of confrontation has only reinforced the marginalization of these communities.

These precedents raise a fundamental question: why repeat the same mistake in relation to Iran?

Strategic reality suggests that any military adventure against Tehran would have a predictable outcome. The Iranian state possesses sufficient military resources, mobilization capacity, and internal legitimacy to rapidly crush insurgent militias. Attempting to turn the Kurds into a Western-backed instrument of war against Iran would only create unnecessary suffering for this population.

Beyond the military dimension, there is also an ideological and cultural issue that is often ignored. In several contemporary Kurdish political circles – especially those influenced by Western-backed structures – it has become common to adopt cultural agendas aligned with Western liberal discourse, including progressive identity politics and concepts associated with the so-called “woke” culture, as seen in the feminist and “queer” battalions in Syria.

While these agendas may resonate in certain Western political environments, they often distance Kurdish movements from the sociopolitical realities of the Middle East. Rather than strengthening their regional position, this alignment deepens the perception that some Kurdish groups act as extensions of external geopolitical projects. If the real goal is to achieve lasting political representation and stability for Kurdish communities, the path is likely a different one.

Historically, stateless peoples who achieved recognition and political rights did so through institutional integration and negotiation within the states in which they lived – not through separatism, the importation of foreign ideas, and permanent insurgencies fueled by external powers.

In this sense, the most rational strategy for the Kurds would be to abandon the role of auxiliary force for Western agendas. Instead of serving as cannon fodder in conflicts that benefit other actors, Kurdish movements should focus their efforts on internal political processes, seeking cultural rights, institutional participation, and peaceful coexistence.

Stability in the Middle East will hardly be achieved through the permanent fragmentation of the region’s states. On the contrary, peace tends to emerge when different communities find ways to coexist within existing national structures.

If Kurdish leaders understand this strategic reality, they may finally break the historical cycle of external instrumentalization. Only then will there be room for a future in which the Kurds cease to be disposable pieces in geopolitical games and begin to act as legitimate political actors within their own countries.

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Até quando os curdos serão bucho de canhão para o Ocidente? https://strategic-culture.su/news/2026/03/07/ate-quando-os-curdos-serao-bucho-de-canhao-para-o-ocidente/ Sat, 07 Mar 2026 14:48:31 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=890996 Os curdos deveriam parar de importar pautas estrangeiras e começar a buscar integração em seus próprios países.

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Nos últimos dias, novos relatos sobre tentativas dos Estados Unidos de mobilizar milícias curdas contra o Irã reacenderam uma velha questão geopolítica do Oriente Médio: até quando os curdos aceitarão servir como força de choque das estratégias ocidentais? A história recente mostra que, repetidamente, esse papel termina em tragédia para os próprios curdos.

Ao longo das últimas décadas, os curdos foram apresentados por Washington e seus aliados como um “parceiro natural” no Oriente Médio. No entanto, na prática, esse relacionamento tem sido profundamente instrumental. Sempre que surge uma nova crise regional, setores do establishment ocidental voltam a olhar para grupos armados curdos como uma ferramenta útil para pressionar governos considerados hostis.

Hoje, a mesma lógica aparece novamente no contexto da guerra contra o Irã.

A ideia de fomentar insurgências curdas dentro do território iraniano segue o mesmo roteiro visto em outros cenários. O problema é que essa estratégia ignora completamente a realidade militar e política da região. As milícias curdas não possuem capacidade estratégica para enfrentar um Estado consolidado como a República Islâmica do Irã. Diferentemente de conflitos de baixa intensidade, um confronto direto com Teerã significaria enfrentar um aparelho militar sofisticado, uma rede de segurança interna eficiente e uma estrutura estatal altamente resiliente.

Em termos práticos, qualquer tentativa de insurgência armada dentro do Irã tenderia a ser rapidamente neutralizada. O resultado previsível seria a destruição das milícias envolvidas e o sofrimento das populações curdas locais. Aliás, a experiência recente em outros países já demonstra os limites desse tipo de projeto.

Na Síria, milícias curdas ganharam protagonismo durante a Guerra Civil e receberam amplo apoio militar dos Estados Unidos. No entanto, essa parceria revelou-se extremamente frágil. Quando os interesses estratégicos de Washington mudaram, as forças curdas ficaram expostas a ofensivas externas e a pressões regionais que não tinham capacidade de conter, como recentemente vistos nos ataques do governo da HTS contra as regiões curdas.

A situação foi ainda mais clara na Turquia. Ali, décadas de confronto armado envolvendo organizações curdas resultaram em sucessivas derrotas militares. O Estado turco demonstrou repetidamente que possui capacidade para esmagar insurgências étnicas em seu território. Em vez de avançar na conquista de autonomia ou reconhecimento político, o ciclo de confrontos apenas reforçou a marginalização dessas comunidades.

Esses precedentes levantam uma pergunta fundamental: por que repetir o mesmo erro em relação ao Irã?

A realidade estratégica indica que qualquer aventura militar contra Teerã teria um desfecho previsível. O Estado iraniano possui recursos militares, capacidade de mobilização e legitimidade interna suficientes para esmagar rapidamente milícias insurgentes. A tentativa de transformar os curdos em instrumento de guerra contra o Irã apenas criaria sofrimento para essa população sem necessidade alguma.

Além da dimensão militar, existe também uma questão ideológica e cultural frequentemente ignorada. Em vários círculos políticos curdos contemporâneos, especialmente aqueles influenciados por estruturas apoiadas pelo Ocidente, tornou-se comum a adoção de agendas culturais alinhadas ao discurso liberal ocidental – incluindo pautas liberais e conceitos associados à chamada cultura “woke”, conforme visto com os batalhões feministas e “queer” na Síria.

Embora essas agendas possam ter ressonância em determinados ambientes políticos ocidentais, elas frequentemente afastam os movimentos curdos das realidades sociopolíticas do Oriente Médio. Em vez de fortalecer sua posição regional, esse alinhamento aprofunda a percepção de que certos grupos curdos atuam como extensões de projetos geopolíticos externos. Se o objetivo real for alcançar representação política duradoura e estabilidade para as comunidades curdas, o caminho provavelmente é outro.

Historicamente, povos sem Estado que alcançaram reconhecimento e direitos políticos o fizeram por meio da integração institucional e da negociação dentro dos Estados nos quais vivem, não através de separatismo, importação de ideias estrangeiras e insurgências permanentes alimentadas por potências externas.

Nesse sentido, a estratégia mais racional para os curdos seria abandonar o papel de força auxiliar de agendas ocidentais. Em vez de servir como “bucha de canhão” em conflitos que beneficiam outros atores, movimentos curdos poderiam concentrar seus esforços em processos políticos internos, buscando direitos culturais, participação institucional e coexistência pacífica.

A estabilidade do Oriente Médio dificilmente será alcançada por meio da fragmentação permanente dos Estados da região. Pelo contrário, a paz tende a surgir quando diferentes comunidades conseguem encontrar formas de convivência dentro das estruturas nacionais existentes.

Se as lideranças curdas compreenderem essa realidade estratégica, poderão finalmente romper o ciclo histórico de instrumentalização externa. Somente então haverá espaço para um futuro no qual os curdos deixem de ser peças descartáveis em jogos geopolíticos e passem a atuar como atores políticos legítimos dentro de seus próprios países.

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Cosa succede tra Pakistan e Afghanistan? https://strategic-culture.su/news/2026/03/07/cosa-succede-tra-pakistan-e-afghanistan/ Fri, 06 Mar 2026 21:10:35 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=890981 L’attacco pakistano alle principali città afghane nella notte di venerdì 27 febbraio segna un punto di svolta nell’ormai protratto conflitto di frontiera tra i due Paesi. Cerchiamo di comprendere le ragioni di questo nuovo fronte di guerra in Asia meridionale.

Segue nostro Telegram.

In Occidente si tende sempre a considerare i Talebani come un prodotto “Made in Pakistan”. Questi, inoltre, vengono associati indebitamente alle diverse milizie gihadiste che si opposero alla presenza sovietica in Afghanistan negli anni ’80 del secolo scorso. Sebbene molti reduci del gihad antisovietico siano finiti ad ingrossare le fila del Movimento talebano, la realtà dei fatti è sostanzialmente diversa da come viene spesso descritta.

In primo luogo è bene ricordare che i rapporti tra Pakistan e Afghanistan sono sempre stati piuttosto complessi ed in larga parte inquinati dai disastri geopolitici generati dal colonialismo britannico nella regione. Nel corso degli anni ci sono state diverse rivendicazioni afghane su alcuni territori del Belucistan e della NWFP – North Western Frontier Province. Tra il 1955 ed il 1962 le relazioni tra i due Paesi si guastarono quando Kabul sostenne il progetto del “Grande Pashtunistan”: ovvero, la creazione di un grande Stato Pashtun che inglobasse, oltre all’Afghanistan, i territori abitati da questa etnia in Pakistan.

Negli anni ’80, il dittatore militare pakistano Zia ul-Haq si autoconvinse che il sostegno pakistano al gihad antisovietico avrebbe posto fine a questo tipo di rivendicazioni installando a Kabul un governo Pashtun, islamista e fedele ad Islamabad. Ciò, inoltre, avrebbe garantito al Pakistan una profondità strategica che la sua conformazione geografica allungata, e priva di quella che in termini geopolitici viene definita come “riva” (un confine difficilmente superabile), non poteva assicurare in caso di una prolungata guerra con l’India.

Ora, il sostegno del Pakistan al Movimento degli studenti coranici risale al secondo mandato di Benazir Bhutto come Primo Ministro (1993-1996). Questa aveva già avuto modo di governare dal 1988 al 1990 quando, dopo la morte di Zia ul-Haq e grazie alla mediazione degli Stati Uniti, era riuscita a trovare un compromesso con lo strapotere militare attraverso l’assicurazione che non avrebbe intaccato il bilancio della difesa e avrebbe lasciato all’esercito la gestione della politica estera. Dopo pesanti accuse di corruzione (rivolte soprattutto al marito Asif Ali Zardari che sfruttò non poco la posizione della moglie) fu costretta a lasciare il governo nel 1990. Tuttavia, per l’intero decennio successivo, la politica interna pakistana venne trasformata in una sorta di faida tra la famiglia Bhutto e quella di Nawaz Sharif (altro personaggio non estraneo all’utilizzo della “cosa pubblica” per la salvaguardia dei propri interessi privati, nonché fratello dell’attuale Primo Ministro pakistano).

Questo periodo di tempo coincide anche con alcuni eventi geopolitici di notevole rilievo: in primo luogo, la dissoluzione dell’Unione Sovietica. Se la strategia USA negli anni ’80 si era concentrata sulla creazione di una sorta di “cintura verde” (governi a trazione islamista-fondamentalista) ai confini meridionali dell’URSS, dalla metà degli anni ’90 in poi, questa (anche in virtù delle teorie dell’ex Consigliere Nazionale alla Difesa dell’amministrazione Carter, Zbigniew Brzezinski) si concentrò principalmente verso il controllo (più o meno diretto) dell’Asia centrale. Non a caso, tra il 1998-99, alcune Repubbliche ex-sovietiche della regione conobbero un incremento delle attività terroristiche (ad esempio, la formazione del Movimento Islamico dell’Uzbekistan che si stazionò nella strategica Valle del Fergana) che le porterà, volenti o nolenti, a dover accettare la presenza di basi USA sul proprio territorio.

Più o meno nel medesimo spazio temporale, l’Afghanistan, dopo aver esaurito il compito di mettere in crisi il potere sovietico, sprofondò in una sorta di buco nero in cui signori della guerra e della droga si spartirono il potere (spesso anche scontrandosi gli uni con gli altri), gestendolo anche a discapito e sulla pelle della popolazione civile. L’iniziale successo e consenso riscosso dai Talebani fu legato proprio al desiderio popolare di ordine, giustizia e stabilità contro i soprusi dei signori della guerra. Il Pakistan iniziò a promuovere la causa talebana a partire dal 1993 ed in questo ebbe un ruolo di primo piano il Generale Naserullah Babar. Islamabad, a partire da questa data, iniziò progressivamente a ridurre il sostegno fin lì accordato a Gulbuddin Hekmatyar (incapace di compiere la missione che l’ISI – il potente servizio segreto di Islamabad – gli aveva affidato; rendere l’Afghanistan un protettorato pakistano) ed a foraggiare il Movimento guidato dal Mullah Omar. L’obiettivo, ancora una volta, era quello di stabilizzare l’Afghanistan dandogli un governo filo-pakistano (il rischio di un’influenza indiana, russa e iraniana a Kabul, tramite Burhanuddin Rabbani, era estremamente alto) anche nella prospettiva di costruire una rotta commerciale diretta verso l’Asia centrale. Gli sforzi pakistani in questo senso si intensificarono dal 1995: l’anno in cui i Talebani conquistarono Herat.

Tuttavia, i Talebani si dimostrarono ben presto molto più “autonomi” di quanto lo stesso ISI potesse credere ed estremamente connessi con il tessuto economico e socio-politico del Pakistan. Questi, infatti, in molti casi possedevano documenti pakistani; avevano studiato ed erano stati addestrati in Pakistan; avevano già collegamenti profondi con Partiti politici islamisti pakistani e con gruppi criminali legati al contrabbando.

Che il contrabbando abbia storicamente rappresentato un grave problema per il Pakistan non è di certo una novità. Lo zelo con il quale il Paese dell’Asia meridionale sta cercando di portare avanti, insieme a Pechino, i progetti della Nuova Via della Seta, nonostante le tensioni ed i tentativi di sabotaggio, è anche legato alla volontà di regolare i traffici da e verso i porti di Gwadar e Karachi.

Il contrabbando che si estende dall’Asia centrale al Golfo Persico, all’Iran ed al Pakistan, rappresenta una grave perdita in termini di entrate per ogni Paese coinvolto. Il Pakistan, vista la particolare posizione geografica e non essendo particolarmente ricco di materie prime, è quello che subisce maggiormente i danni derivati da questi mancati introiti. La sua industria locale, inoltre, è stata a più riprese messa in difficoltà dall’introduzione clandestina di beni di consumo provenienti dall’estero.

La principale fonte di sostegno per il Movimento talebano, prima ancora che l’ISI optasse per l’aperto sostegno, di fatto, era il “pedaggio” pagato dagli autotrasportatori in cambio dell’apertura delle strade afghane al contrabbando. Volendo fare un paragone con eventi più vicini nel tempo, si potrebbe fare riferimento a quanto accaduto nello scenario siriano-iracheno con il sedicente “Stato Islamico” abile nello sfruttare le rotte verso la Turchia e la porosità dei confini per il contrabbando di greggio e manufatti preziosi. Il giornalista pakistano Ahmed Rashid ha riportato che tra il 1992 ed il 1993 la perdita in entrate doganali per il Pakistan era stata di 3 miliardi di rupie; nel 94-95 è stata di 11 miliardi; nel 97-98 di 30 miliardi. Così ha scritto nel suo studio sulla nascita e sviluppo del  fenomeno talebano: “L’economia sommersa in Pakistan sale dai 15 miliardi di rupie del 1973 ai 1115 del 1996 […] Nel corso dello stesso periodo, l’evasione fiscale – compresa l’evasione dei diritti doganali – da 1.5 miliardi di rupie raggiunge il picco di 152 miliardi”.

Questa forma di “evasione” incontrollata e mai del tutto ostacolata, per anni ha contribuito anche ad arricchire svariati gruppi di potere (corrotti) all’interno del Pakistan. Negli anni ’90, inoltre, iniziarono a farsi sentire le ripercussioni della guerra per procura all’Unione Sovietica in Afghanistan. Questa, infatti, aveva creato la cultura dell’eroina, del Kalashnikov e della madrasa wahhabita. In dieci anni di guerra il profilo sociale del Paese era stato profondamente stravolto.

L’ISI, nel suo appoggio ai Talebani, ha cercato di sostituirsi ai gruppi criminali di Quetta legati al contrabbando. Quando i Talebani entrarono a Mazar-i Sharif nel 1998, i capi militari pakistani considerarono questa vittoria come una vittoria pakistana. Essi, inoltre, ritenevano che il governo talebano, a differenza di ogni precedente regime afghano, avrebbe riconosciuto la Linea Durand e tenuto a bada il nazionalismo Pashtun nel NWFP, dando, al contempo, uno sbocco agli islamisti radicali pakistani (dal 1994 al 2001 oltre 80.000 miliziani pakistani combatterono tra le fila dei Talebani) ed impedendo la creazione di un fronte interno.

Questi calcoli sono andati incontro ad un rovinoso errore strategico, dietro il quale si nasconde anche una forma di cecità geopolitica del governo e dei militari pakistani. Ancora nel 2021, con la fuga rovinosa degli Stati Uniti dall’Afghanistan (che nulla ha da invidiare alla fuga degli stessi da Saigon) ed il ritorno al potere dei Talebani, si pensò ad una vera e propria vittoria strategica del Pakistan, visto il continuo sostegno nascosto alla causa degli studenti islamici per tutti i vent’anni dell’occupazione. L’allora primo ministro Imran Khan (oggi in carcere sulla base di accuse piuttosto deboli, ad onor del vero, ma collegate al suo stile di governo “populista” e troppo apertamente anti-occidentale) dichiarò che l’Afghanistan aveva finalmente rotto le catene della schiavitù.

Tuttavia, Islamabad, nonostante gli sforzi di altre potenze regionali (Cina e Russia) per stabilizzare l’area e garantire il riconoscimento internazionale del governo talebano, ha dovuto rapidamente scontrarsi con una realtà dei fatti ben diversa e, soprattutto, con la crescente influenza del ramo pakistano del Movimento talebano: il Tehreek-e-Taliban o TTP (nato nel 2007 e protagonista sia del conflitto tra Talebani e forze di occupazione USA, sia di una serie di attentati terroristici in territorio pakistano).

Dopo un periodo di relativo “idillio” tra i due Paesi, hanno avuto inizio gli scontri di frontiera ed una serie di reciproche accuse nelle quali, per l’osservatore occidentale, rimane assai difficile districarsi. In particolare, Islamabad accusa Kabul di ospitare sul suo territorio basi e miliziani del TTP e di altri gruppi terroristici legati al movimento secessionista del Balocistan (gruppi sostenuti anche dall’India al preciso scopo di favorire una nuova secessione nel territorio del Pakistan, sulla scia di quanto avvenne nel secolo scorso con il Bangladesh). Curioso notare come questi gruppi abbiano un ruolo di primo nel sabotaggio delle infrastrutture della Nuova Via della Seta (in particolar modo, del Corridoio Economico Sino-Pakistano) rivolte sia a trasformare il Pakistan in Hub commerciale regionale, sia (per Pechino) ad aggirare il collo di bottiglia dello Stretto di Malacca (pattugliato dagli Stati Uniti) per il proprio approvvigionamento energetico (ragione per cui oggi, tra l’altro, si vorrebbe arrivare ad un “cambio di regime” in Iran: per evitare che il commercio interno allo spazio eurasiatico finisca per ingrossare la poderosa ascesa industriale della Cina, mettendo al contempo a rischio il sistema egemonico del dollaro).

A sua volta, l’Afghanistan afferma che in Pakistan si troverebbero basi del sedicente “Stato Islamico del Khorasan”, nemico giurato dei Talebani afghani ma non di quelli pakistani che, paradossalmente, si troverebbero in sintonia con questo per ciò che concerne la destabilizzazione del progetto infrastrutturale cinese.

Tutti negano le rispettive accuse. Tuttavia, è importante sottolineare che l’area di confine tra Pakistan e Afghanistan è storicamente assai permeabile; tale si è dimostrata dal gihad antisovietico all’invasione USA, fino agli ultimi giorni, e non bisogna tralasciare la facilità con la quale vengono spesso corrotte le guardie di frontiera sui rispettivi lati. Già l’amministrazione Obama, constatando questo fatto, aveva portato la guerra all’interno dei confini pakistani (il Pakistan, di fatto, è stato il Paese che più di tutti ha subito gli effetti negativi e drammatici della cosiddetta “guerra al terrore”) e bombardato le aree tribali sotto la sovranità di Islamabad.

Oggi, la situazione non sembra essere particolarmente cambiata. La porosità della frontiera rimane un fattore di destabilizzazione, nonostante il fragile accordo negoziato da Turchia, Qatar e Arabia Saudita nell’ottobre scorso.

La questione della Linea Durand merita un breve approfondimento. Per i Pashtun afghani (maggioritari nel Movimento talebano), infatti, rappresenta una ferita storica. Questa prende il nome da Sir Mortimer Durand, segretario agli esteri dell’India britannica che, nel 1893, forzò la mano del sovrano afghano Amir Abdul Rehman Khan ad accettare una divisione dei suoi territori e della stessa popolazione Pashtun. Lo storico afghano Nabi Sahak, a questo proposito, ha messi in evidenza come la linea avrebbe dovuto rappresentare semplicemente una divisione delle zone di influenza tra britannici ed afghani e mai un confine internazionale permanente. Una situazione che addirittura portò l’Afghanistan a contestare l’ingresso del Pakistan nell’ONU nel momento in cui questo divenne uno Stato indipendente a seguito della partizione con l’India e la fine del regime coloniale di Londra.

Come già anticipato, ancora oggi l’Afghanistan talebano (un nuovo concentrato di nazionalismo-religioso) non riconosce la Linea Durand; e questo rappresenta il maggiore problema nel rapporto tra i due Paesi, a prescindere dalle rispettive accuse di sostegno a gruppi terroristici.

L’azione del Pakistan degli ultimi giorni, con violenti attacchi alle principali città afghane, ha proprio l’obiettivo di spingere il governo talebano ad un compromesso, al riconoscimento dei confini, sfruttando l’evidente superiorità militare e tecnologica pakistana (Islamabad, unico Paese musulmano al mondo, possiede anche armi nucleari). Ancora, un altro motivo della contesa è il fatto che il Pakistan si oppone all’apertura di vie commerciali tra Afghanistan ed India che dovrebbero necessariamente attraversare il suo territorio (cosa che consentirebbe all’Afghanistan di migliorare la sua posizione di Paese privo di sbocchi sul mare e ne ridurrebbe la dipendenza dallo stesso Pakistan che non lesina l’utilizzo della vie commerciali come strumento di coercizione nei confronti del vicino). La paura di Islamabad, in questo caso, rimane quella di venire schiacciato tra Afghanistan ed India. Un incubo strategico che si stava concretizzando con il governo di Karzai a Kabul.

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John Dee: The Celtic wizard who invented the British Empire https://strategic-culture.su/news/2026/03/05/john-dee-the-celtic-wizard-who-invented-the-british-empire/ Thu, 05 Mar 2026 10:00:45 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=890951 Dee believed that Queen Elizabeth should lead a British Empire, and that such an empire should be based on naval supremacy accompanied by extensive mercantile activity.

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On the island of Great Britain there are three countries: England, Scotland, and Wales. During the Roman Empire, Great Britain, called Britannia, was populated by Britons. Hence the island’s name. Why this division of countries? During the Middle Ages, barbarian tribes left present-day Denmark and Saxony to conquer Great Britain and expel the Britons, a Celtic people, from their lands. These were the Angles and the Saxons, who mixed with each other and gave rise to England, or the Land of the Angles. A portion of the expelled Britons went to a part of France that became known as Brittany, making the name Great Britain convenient for differentiating the large island from this new land of Britons. Another portion of Britons was trapped in the tiny country of Wales, the land from which the Christian King Arthur tried to resist and reconquer the land lost to the infidel barbarians.

Now, given the failure of the poor Celtic king, why did England decide to create, in the Elizabethan period, the British Empire? And not, say, an English Empire?

The answer lies in the mythology surrounding the founding of England. Still in the High Middle Ages, an anonymous work entitled Historia Brittonum claimed that the first British king had been a certain Brutus of Troy, who was a descendant of Aeneas, the mythical founder of Rome. In the 12th century, a Welsh cleric with great literary talent named Geoffrey of Monmouth acted as historian with the work Historia Regum Brittaniae, in which he describes even the night of love in which King Arthur was conceived. Now Arthur was a British king descended from Aeneas and Brutus, who named the island Britain in his own honor. Geoffrey also invented a number of Nordic conquests for Arthur.

At the dawn of modernity, British mythology, invented in the Middle Ages, gained unprecedented political importance with the coronation of the Welshman Henry VII in 1485 as King of England. He was the first king of the problematic Tudor dynasty – and the Tudor kings, being of Welsh origin, would be transformed into descendants of King Arthur, Brutus of Troy and, of course, the founder of Rome.

To complicate matters further, there was the Reformation: Henry VIII, son of Henry VII, broke with the Catholic Church in the 1530s because he refused to remain married to his wife, who had not given him a male heir. At the same time, the reformer John Bale (1495 – 1563), a pioneer in presenting Rome as Babylon and the Pope as the Antichrist, was already swearing that the ancient Britons had a purer Christianity than that of the Romans; that the British had always fought Rome and that the Tudors were the legitimate heirs of King Arthur, therefore having the obligation to fight Rome, under penalty of being punished by God.

For the fanatical Protestants of the period, fighting Rome could mean something relatively simple like purging the Anglican Church of things considered papist. (So much so that hundreds of Puritans, frustrated with the rule of Queen Elizabeth, would leave for America because they believed that God would destroy England because of it. The destruction of the papacy, accompanied by the greatest cataclysms, was predicted for 1650.) But in this time of widespread madness, not all madmen were of a pious kind. And the madman who interests us is an occultist madman named John Dee (1527 – 1609).

Another World Empire

We have seen in previous articles that, in the 17th century, the idea that a new world empire was about to emerge, along with a new ecumenical religion and the Millennium, circulated among circles influenced by Kabbalah. In most versions, the new emperor liberates Jerusalem from the Turks and rules the world from there. In the 17th century, I highlighted Christina of Sweden and Antonio Vieira as followers of La Peyrère, who in turn repeated the 16th-century Postel. In the latter’s scheme, the French are the chosen people, and a French king would liberate Jerusalem from the Turks, installing the Jews there. For Antonio Vieira, the people destined for the Fifth Empire of the world were the Portuguese, led by D. João IV, who fulfills Bandarra’s prophecies and will be resurrected to lead Portugal to glory. Now, in relation to France and Portugal, England had the advantage of having a descendant of Aeneas himself on the throne!

In England, John Dee, who came to know Postel, was the mentor of the “Brytish Impire.” He was the son of a Welshmen, and he was an advisor to Queen Elizabeth I since she ascended the throne in 1558. In fact, at the age of 20, the young Dee was already admired inside and outside England for his advanced mathematical knowledge.

Regarding the consultancy, it is worth citing a declassified NSA article: “As government consultant, he excelled in mathematics, cryptography, natural science, navigation, and library science, and above all in the really rewarding sciences of those days – astrology, alchemy, and psychic phenomena. He was, all by himself, a Rand Corporation for the Tudor government of Elizabeth.” Rand Corporation is a private organization with obscure funding that subsidizes United States military intelligence with scientific and social research.

It is impossible to overstate John Dee’s importance to the British crown. Therefore, the relative silence of academia about him is noteworthy. Surprisingly, the area in which it is easiest to find writings and information about Dee is esotericism. Thus, it is relatively easy to discover that John Dee conversed with “angels” using paraphernalia such as an Aztec mirror, a crystal ball, starry boards (paraphernalia on display at the British Museum), plus the assistance of the medium Edward Kelley – and that the partnership lasted until both obeyed the orders of an “angel” to exchange wives. What is difficult to discover is that this eccentric figure was so important in politics.

Dee’s great beliefs connected to the Empire

One of the few works dedicated to the political and philosophical life of John Dee is John Dee: The World of an Elizabethan Magus, by Peter French. In the work, we see that John Dee believed in British mythology, so that Queen Elizabeth descended from the founder of Rome through King Arthur. It is worth noting that British mythology had already been refuted by the Italian humanist Polydorus Virgil in the first half of the century with the work Anglica Historia. However, in addition to believing in the legend, Dee expanded it, placing King Arthur as the leader of a colossal British Empire to which Queen Elizabeth was entitled.

Sometime between 1578 and 1580, Dee delivered to the queen the document Title Royall to… foreyn Regions in which, as a descendant of Arthur, Elizabeth was entitled to “Atlantis” (as Dee called America), Iceland, Greenland, as well as the phantom islands of Friseland and Estotiland (which were mentioned in the Voyage of the Zeno Brothers, a medieval work published in the Renaissance).

From the 1550s to the 1580s, Dee was the leading mentor in English navigation. This was due to both ideological and practical factors. The practical factor was that England, even before the Protestant Reformation, was experiencing an Erasmian reformist spirit aimed at combating the influence of the Middle Ages in universities and replacing it with belles-lettres. With England’s conversion to Protestantism, this trend deepened, and during the brief reign (1547-1553) of Edward VI (the male heir so desired by Henry VIII), the Puritans invaded the universities and destroyed writings identified with “papism.” To make matters worse, mathematics was associated with occultism. Thus, broadly speaking, it was as if English universities only dealt with belles-lettres, and only the eccentric magician John Dee was qualified to deal with practical matters such as navigation.

Regarding the ideological rationale, Dee believed that Queen Elizabeth should lead a British Empire, and that such an empire should be based on naval supremacy accompanied by extensive mercantile activity. This is the description of the British Empire as it went down in history, but it primarily reflects the 19th century. In Dee’s time, there were no English colonies in America, but he believed that a certain Lord Madoc, Prince of Northwales, had built a “colony” near Florida and therefore Queen Elizabeth had a right to “Atlantis.”

In Dee’s time, England invented a system of chartered companies in which the state gave a trading company a monopoly on trade relations with a region. (I have already written about this in more detail here.) Thus, Dee’s most immediate naval projects included the expeditions of the first English chartered company through the Arctic (seeking a route from England to the East via the Arctic), expeditions to Canada (if Humphrey Gilbert had not been shipwrecked, Dee would have been entitled to land in Canada), or the circumnavigation of Drake (the second circumnavigation in history, following that of Ferdinand Magellan).

Voyages of such great scope were, ultimately, necessary because Queen Elizabeth was destined to lead a world empire, without comparison to all precedents: the “Incomparable Brytish Impire,” in the English of the time.

Thus, we have that the British Empire is the invention of a Celtic sorcerer who communicated with rather strange “angels” (since they recommended wife swapping…) and believed that Queen Elizabeth would restore and surpass the mythical empire of King Arthur.

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The West at war and the reasons for its inevitable defeat: an interview with Emmanuel Todd https://strategic-culture.su/news/2026/03/04/the-west-at-war-and-the-reasons-for-its-inevitable-defeat-an-interview-with-emmanuel-todd/ Wed, 04 Mar 2026 13:13:05 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=890933 Join us on TelegramTwitter, and VK.

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“Whatever happens in Iran, the defeat of the West and its civilisation is inevitable. Trump cannot stop its implosion; he is accelerating it.” The American empire is collapsing like the Soviet Union, says Emmanuel Todd. In 1976, the demographer predicted the fall of the communist superpower based on infant mortality data. Today, he sees demographic statistics as a sign of the decline of the United States. And he warns against a re-armed Germany.

Interview with EMMANUEL TODD, Die Weltwoche, 27 February 2026

The war in Ukraine concerns Germany, the French demographer, historian and best-selling author told Weltwoche magazine in the spring of 2023. Shortly afterwards, Emmanuel Todd devoted a book to this country, in which the nihilism of Western civilisation occupies an important place: ‘The Defeat of the West’, published in 2024. In the spring of 2025, another interview was published in Weltwoche magazine. Todd then declared: ‘Russia has won the war’. This opinion is now shared by world-renowned experts such as American Colonel Douglas Macgregor.

As a young researcher, Todd made a name for himself in 1976 by predicting the collapse of the Soviet Union. He justified this prediction with the high infant mortality rate in the communist empire. Later, when he criticised the introduction of the euro, demanded by France in exchange for German reunification, he was in high demand for interviews in Germany. Todd attributed a ‘German neurosis’ to his country’s elite. He predicted that the single currency would help Germany assert its political supremacy in Europe.

His book Après l’Empire, published in 2002, became an international bestseller. He gave us his third interview since the start of the war in Ukraine, in which he draws a parallel between the decline of America and the collapse of the Soviet Union. And he asks the following question: what will Germany do when the war is over?

Weltwoche: Mr Todd, the war in Ukraine is entering its fifth year. In hindsight, are there any aspects that you misjudged?

Emmanuel Todd: I always have scruples and doubts. The prediction was correct: the West lost this war long ago. If the Americans had won it, Joe Biden would have been re-elected. Donald Trump is the president of defeat. Today, we must add that the consequence of defeat is the decline of the West. This collapse of a civilisation – Western civilisation – can be compared to the end of communism and the Soviet Union. It is still difficult to get a clear picture of how it will evolve. Its most spectacular symptom is the loss of reality.

Weltwoche: When did you realise the scale of the war in Ukraine?

Todd: When I managed to determine the number of engineers in the United States and Russia. The American population is two and a half times larger than the Russian population, but the United States trains fewer engineers. John Mearsheimer, whom I admire, believes that Ukraine is of existential importance to Russia. This is undoubtedly true. But unlike Mearsheimer, I am convinced that Ukraine is even more important to the United States: defeat in Ukraine reveals the weakness of the American system. It has a completely different significance from the defeats in Vietnam, Iraq and Afghanistan. The United States loses, leaves chaos behind and withdraws. In Ukraine, they are fighting a war against their historical enemy since 1945. Losing it is unimaginable.

Weltwoche: Donald Trump wanted to end it in 24 hours.

Todd: That was his sincere intention. Trump’s vulgarity and amorality are unbearable for a European bourgeois like me. But he also defends entirely reasonable causes. The MAGA project, ‘Make America Great Again’, is about representing the interests of the nation. After a year, Trump had to admit that, despite protectionism and high customs duties, reindustrialisation was not working. There is a shortage of engineers, technicians and skilled workers. The illiteracy rate among young people aged 16 to 24 has risen from 17% to 25% in the last ten years. America depends on imports; it cannot do without them. As the world’s leading power, relocating industry to China was pure madness. Even in the agricultural sector, the trade balance is in deficit. Customs duties have become a threat to the dollar. It is the weapon of an empire that lives on credit from the labour of other countries. The disastrous state of American society makes it impossible to implement MAGA. It lacks the necessary economic and intellectual dynamism.

Weltwoche: And that is why Trump has to wage wars against his will?

Todd: That is his dilemma. He has been sucked into the vortex of American foreign policy over the last few decades. The United States was seeking to expand and strengthen its empire. Trump did not slow down this evolution, he accelerated it. Joe Biden has compensated for the decline of the empire with the war in Ukraine. Trump is multiplying theatres of operation. He has tried to measure his strength against that of China, which has brought him to his knees with its embargo on rare earths. He threatens Canada and Cuba. He wants Greenland and humiliates Europeans. In Venezuela, the imperialism of a dying empire has manifested itself in the form of kidnapping and looting. His customs policy is a form of blackmail. In almost every area, it has achieved the opposite of what it wanted.

Weltwoche: And all this because the United States can no longer win the war in Ukraine?

Todd: These are diversionary tactics. The result is that its enemies are forming alliances: Iran, Russia, China. Trump has not reduced the United States’ military commitment, but has multiplied it spectacularly. With their war cries and hostility towards Russia, Europeans are partly responsible for this development.

Weltwoche: After the negotiations in Alaska, during which European heads of state were treated like schoolchildren by Trump, Emmanuel Macron called Putin an “ogre” and a “beast to be fed” in a frightening interview.

Todd: Trump is taking advantage of this. America – the Biden administration – is responsible for the war in Ukraine, but Trump has managed to portray himself as a moderate and peaceful negotiator. He is presented by the media as an omnipotent ruler of the world, who reorganises it according to his will and fantasies. And this at a time when America is suffering its first strategic failure in the face of Russia. Venezuela, Cuba, Greenland – these are just diversionary tactics. It’s all about diverting attention from Ukraine to other theatres of operation. This is also the intention behind the negotiations. They only serve to buy time for all parties involved. The decision will be made on the battlefield, and Trump has realised that he cannot prevent Putin’s victory. Ukraine is on the verge of a total collapse of its system, however tragic and sad that may be for the Ukrainians.

Weltwoche: Is Iran also a diversionary tactic?

Todd: Yes. For me, Israel is not an autonomous country that pushes the United States to intervene in the Middle East. Israel is a satellite of the United States. Just like Ukraine. Israel does what Trump allows it to do. When he wanted a ceasefire in Gaza, he got it immediately. It was Israel that asked him for permission to end the Twelve-Day War. Netanyahu had to realise that the enemy was capable of producing many more rockets than expected.

Weltwoche: You have described the war in Ukraine as the beginning of a third world war.

Todd: The war in Ukraine is the beginning of a world war. One of the reasons for the Russians’ victory is the support they receive from China and India. The BRICS countries are siding with the Russians against the West.

Weltwoche: And now we will see a world war between the Americans and Russia and its allies, Iran, China and India?

Todd: Russia, China and Iran are taking a defensive stance. For now, it is an American attack on Tehran. No one knows what it will trigger. How will the regime, China and Russia react?

Weltwoche: But will they be allies against the United States in World War III?

Todd: During World War II, we had the Third Reich attacking everyone. Today, the attacks are coming from the United States. All the allies are authoritarian regimes threatened by the declining American empire.

Weltwoche: What is the role of Europeans? In one of our previous conversations, you said that the Americans are actually waging war against Germany.

Todd: What we are currently experiencing normally only happens in science fiction novels. The Western media system has become an empire of lies, incapable of describing reality. Its axiom is as follows: Russia threatens Europe. I find this absurd. I think Putin will annex part of Ukraine to Russia. Then the Russians will end the war. The conquest of Europe is simply impossible, and Putin is not interested in doing so. In my book, I discuss American nihilism, the decline of churches and moral values in detail. Today, I realise that I underestimated European nihilism. Europe is no longer a union of equal states. It is dominated by Germany. I found Olaf Schulz’s cautious policy reasonable. Friedrich Merz’s election as chancellor changed everything. He pushed the United States to relaunch the war against Russia. The CDU is the party of the Americans, and Merz has fuelled the Germans’ Russophobia. The Chancellor is creating a perverse synthesis between Russophobia and the economic crisis caused by the war. He wants to overcome the crisis by militarising industry. This is the new German doctrine for Europe. And the secret services are issuing warnings about a Putin attack on Germany.

Weltwoche: Merz wants the most powerful army in Europe. This brings back bad memories, and not only in France.

Todd: To believe that this rearmament is aimed exclusively at Russia is actually a naive mistake. For Russia, it is a serious threat; for the Americans, it is a blessing. I can only explain this madness by the crisis the EU is going through. It is at an impasse and has replaced its original ideals with the hostile image of Putin. The West is by no means on the path to regaining its lost unity. The return to nationalism is predominant in the United States and Europe. In Germany, the resurgence of national consciousness is less pronounced than in other EU member states: it has taken control of Europe. I must resort to science fiction once again: the war in Ukraine is over, Russia has achieved its goal. In this world without Russian threats, nations are returning and Germany is once again becoming a dominant and self-confident power with the strongest army on the continent. Who will be threatened then?

Weltwoche: As during the Second World War: all of Europe, including Russia, and in particular France, the hereditary enemy?

Todd: For Canada, it is not the Russians who pose a threat, but the United States. Yes, and for France it is Germany. French politicians lack historical awareness. Relations between France and Germany have improved because we French no longer have anything to fear from Germany.

Weltwoche: This was evident again during reunification, which France wanted to prevent.

Todd: There is cause for concern. The collapse of the West is accompanied by a return to brutality and hierarchisation: one submits to the strongest and attacks the weakest. That is what the Americans are doing to the Europeans, and the Germans have accepted this by electing Friedrich Merz. They need a scapegoat. For now, it is still Putin. But Franco-German relations are deteriorating.

Weltwoche: Does Macron’s willingness to share nuclear firepower with Germany testify to a desire for submission?

Todd: Merz makes very unpleasant statements about France. The war in Ukraine is turning into a world conflict between the former colonies and the West that exploited them. And within a decaying West, the conflicts of the past are resurfacing. Whatever happens in Iran, the defeat of the West and its civilisation is inevitable. Trump cannot stop its implosion; he is accelerating it. The Chinese and Russians are arming the mullahs, and the Americans have had to recognise that one aircraft carrier was not enough. Not even two. The Tehran regime cannot give in, and Trump cannot give up on an attack, because he would really lose face after promising his help to the insurgents.

Weltwoche: He backtracked on Greenland.

Todd: It was just theatre; he won’t start a war against Denmark. From Denmark, the NSA monitors all of Europe. Greenland is a secondary theatre of the end of the world.

Weltwoche: You compared it to the collapse of the Soviet Union.

Todd: At the time, not a shot was fired; the Russians accepted the end of their empire with great dignity.

Weltwoche: Ukraine gained independence.

Todd: The Russians turned their backs on communism with great elegance. Their empire was not based on the exploitation of their satellites; they had tortured themselves with Stalinism. The period after the collapse was extremely difficult, especially since the Russians had centuries of totalitarian rule behind them. Compared to Russia, the United States and Europe are bad losers. This is particularly true of the Americans, whose history had been crowned with success until then.

Weltwoche: In World War III, do you see the Americans in the role of the Third Reich?

Todd: I am wary of comparisons with the 1930s. The situation is different. But of course there are similarities. For Trump, diplomacy consists of spreading lies. When he talks about negotiations, you can be sure there will be war. It was the same with Hitler.

Weltwoche: Trump has not yet started a war.

Todd: He has not sent ground troops because he does not have the power to do so: society does not accept deaths, and this is generally the case in the West. No one likes to wage war, not even Russia. Even Putin manages his human resources with caution; he has not dragged his population into total war. Trump will not send ground troops to Iran either. We are still in the phase of rhetoric and air strikes. The mullahs’ regime has been weakened by the uprising. Intensive bombing could trigger a civil war. It could cause chaos and spark internal struggles. The war in Ukraine now seems to me to be a civil war triggered by the Americans. A regime change in Iran is not in their interest at all. The mullahs are a terrible regime, but the mosques are empty. A nationalist government supported by the population would not be much less hostile to the United States. As in the 1930s, we lack imagination today. The Shoah was possible because no one could imagine Auschwitz. Reality exceeds our imagination.

Weltwoche: You’re probably right, and we should read more science fiction novels to understand the present. Politics is content to learn from the past.

Todd: Rather than the past, we should be interested in what might happen and what we cannot possibly imagine. The central question that haunts me is this: what is happening to the Germans? Americans want to be Americans and Russians want to remain Russians. The AfD is not comparable to the Rassemblement National. It is a party whose aggressiveness is frightening. At the same time, the German elite is getting used to the idea of war. What will happen if the AfD and the CDU form an alliance? Will German nationalism then meet German militarism? Is Germany returning to being an authoritarian society because that corresponds to its temperament? This is a question we need to think about today.

Weltwoche: Do you have a tentative answer?

Todd: All my wrong predictions were about Germany: because I mistakenly thought that Germans could be like the French. When Schröder and Chirac protested with Putin against the war in Iraq, I saw it as an encouraging rapprochement and thought that Paris should share its seat on the UN Security Council with Berlin. I saw Germany as the leader of a sovereign Europe. My hopes were dashed. Germany immediately began imposing its unilateral decisions without consulting its partners: from the nuclear phase-out to the reception of refugees. Germany is jointly responsible for the Maidan, it presented Ukraine with a choice: Russia or Europe. Even in my book on Ukraine, in which I harshly criticise Great Britain, I spare Germany: because I largely agreed with Olaf Scholz.

Weltwoche: Why can’t Germans become French?

Todd: As a demographer, I was interested in the family structures of peasant society. They continue to influence political culture. In countries where brothers had equal rights, the concept of equality among men was able to take hold. This was the prerequisite for universalistic revolutions, such as those in France and Russia. Russia established communism, which applied to everyone. In Germany, revolution had no chance because brothers did not have equal rights. This explains its propensity for authoritarianism. In Germany, the idea of inequality between men and peoples prevails and, unlike Russia and China, a multipolar world order is unimaginable. This immediately raises the question of why France, with its tradition of equality, does not side with the Russians: because it submits to German hegemony. Macron’s willingness to share the atomic bomb weakens national sovereignty. For Germany, only hierarchical relationships are possible. The Germans want to dominate Europe because that corresponds to their temperament. After all, they are once again the strongest power.

Weltwoche: Once a Nazi, always a Nazi? You will be accused of systematic hostility towards Germany.

Todd: It’s not the first time. My assessment is not a reproach, but an observation. I admire and recognise the superiority of the Germans in many cultural areas.

Weltwoche: You argue as an anthropologist. Is there a nostalgic desire in the German unconscious for victory over Russia, for revenge for the Second World War?

Todd: I wouldn’t talk about revenge. After the war and after reunification, no one could have imagined how quickly Germany would rise to the challenges it faced. That’s a compliment. This country is different, it has enormous potential. But of course the Germans know who defeated the Wehrmacht. The aggressive rhetoric of the Russians gives the impression that they have been deprived of their victory. The refusal to acknowledge the Russian victory is tantamount to denying the German defeat.

Weltwoche: After reunification, the fall of the Soviet Union was also presented as a victory for the West, and the Russians were denied recognition for freeing themselves from communism, something the Germans had failed to do with Hitler.

Todd: The defeat of 1945 is considered a thing of the past, as if it never existed, just like National Socialism.

Weltwoche: At the same time, the Nazi past is omnipresent as a German obsession, and the AfD is fought as if it were a matter of resisting the Nazis. At home against Hitler, in Europe against Putin.

Todd: Are Germans really that obsessed with Hitler? If so, there is something in their subconscious that I have missed. And that would mean that the risks are even greater than I ever imagined. We are truly in a science fiction novel. The elites no longer have explanations or plans. They rely on the EU, which makes any decision impossible and has a distorted perception of reality. Germany dominates Europe, but this must not be said. We have a completely distorted view of the past, which guides our present, and we cannot imagine the future. And when you don’t know where you’re going, you can at least cling to Russophobia.

Weltwoche: Russophobia stemming from anti-fascism, with Putin in the role of Hitler. There are attempts to ban the AfD.

Todd: I don’t know Germany well enough to comment on that. Sometimes I tell a joke, but it’s not funny. I don’t know, I’m not sure… Yes, maybe that’s it: Germany is giving free rein to its authoritarian temperament. The AfD is compared to the Rassemblement National, Marine Le Pen to Meloni and Putin, and Meloni to Trump. These comparisons are pointless. What all countries have in common is a return to the nation. Even the Germans want to go back to being German. This dynamic has infected all parties, SPD, CDU, AfD. The differences between post-national ideologies are blurring. In the United States, we are seeing a rapprochement between the neoconservatives, who supported war as a means of imposing democracy, and the Maga movement, which wanted to end it. In Germany, a merger between the CDU and the AfD is conceivable. And it is conceivable that the return to the authoritarian nation will this time present itself as a struggle for freedom and democracy.

Weltwoche: How do you assess developments in France, where politics has long been characterised by the fight against populists and neo-fascists and where the radicalisation of the left is raising fears of a civil war between ‘anti-fascists’ and ‘fascists’? Jean-Luc Mélenchon, of the La France insoumise party, has called next year’s election to choose Macron’s successor “the final battle”.

Todd: This opposition is paralysing France. No party wants to abolish the euro or leave the EU. Only a radical uprising can end the political impotence. We need a movement that recognises our collective interests and leaves post-national ideologies behind. There is no sign of this on the horizon.

Weltwoche: Who will be the next president?

Todd: I don’t know, I’m not a prophet. Even though I have that reputation.

Weltwoche: It was Osama bin Laden, the mastermind behind the attacks on the Twin Towers, who spread it around the world. While fleeing from the Americans at the beginning of the millennium, he cited you as a prophet: after the end of the Soviet Union, it would be the turn of the American empire to fall. Who will you vote for?

Todd: I have no idea.

Weltwoche: Dominique de Villepin, che, in qualità di ministro degli Affari esteri di Jacques Chirac, ha condotto la campagna contro l’attacco americano in Iraq?

Todd: È l’unico politico che può contare sulla mia simpatia, almeno.

Weltwoche: Voleva raccontare una barzelletta.

Todd: È la storia di un campo di concentramento per ebrei, che vengono imprigionati e sterminati perché antisemiti.

Weltwoche: Questa idea non mi sembra affatto irrealistica, vista la confusione mentale e la retorica dominante che lei descrive. Ma restiamo nel campo della fantascienza: non sarà la Russia ad essere attaccata dall’«esercito più potente d’Europa», ma la Francia?

Todd: No, non credo, almeno nel medio termine. La Germania non ne è capace, noi abbiamo la bomba atomica. I giornalisti e i politici hanno dimenticato che De Gaulle l’ha costruita per proteggerci dai tedeschi. Se continuano ad accanirsi contro la Russia, potrebbero costringere Putin a usare armi nucleari tattiche. Posso solo sperare che i missili russi non mirino alla Dassault, ma alle fabbriche della Rheinmetall.

Original article: lafionda.org

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L’Occidente in guerra e le ragioni della sua inevitabile sconfitta: un’intervista a Emmanuel Todd https://strategic-culture.su/news/2026/03/04/loccidente-in-guerra-le-ragioni-della-sua-inevitabile-sconfitta-unintervista-emmanuel-todd/ Wed, 04 Mar 2026 12:24:17 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=890930 Segue nostro Telegram.

“Qualunque cosa accada in Iran, la sconfitta dell’Occidente e della sua civiltà è inevitabile. Trump non può fermare la sua implosione, la sta accelerando”. L’impero americano sta crollando come l’Unione Sovietica, afferma Emmanuel Todd. Nel 1976, il demografo aveva previsto la caduta della superpotenza comunista basandosi sui dati relativi alla mortalità infantile. Oggi, vede nelle statistiche demografiche il segno del declino degli Stati Uniti. E mette in guardia contro una Germania riarmata.

Intervista a EMMANUEL TODDDie Weltwoche, 27 febbraio 2026

La guerra in Ucraina riguarda la Germania, aveva dichiarato il demografo, storico e autore di successo francese alla rivista Weltwoche nella primavera del 2023. Poco dopo, Emmanuel Todd ha dedicato un libro a questo Paese, in cui il nichilismo della civiltà occidentale occupa un posto importante: «La sconfitta dell’Occidente», pubblicato nel 2024. Nella primavera del 2025, è stata pubblicata un’altra intervista sulla rivista Weltwoche. Todd ha allora dichiarato: «La Russia ha vinto la guerra». Un’opinione che ora è condivisa da esperti di fama mondiale come il colonnello americano Douglas Macgregor.

Da giovane ricercatore, Todd si era fatto conoscere nel 1976 prevedendo il crollo dell’Unione Sovietica. Giustificava questa previsione con l’alto tasso di mortalità infantile nell’impero comunista. In seguito, quando criticò l’introduzione dell’euro, richiesta dalla Francia in cambio della riunificazione tedesca, fu molto richiesto per interviste in Germania. Todd attribuiva all’élite del proprio Paese una «nevrosi tedesca». Prevedeva che la moneta unica avrebbe aiutato la Germania ad affermare la propria supremazia politica in Europa.

Il suo libro “Après l’Empire”, pubblicato nel 2002, è diventato un best-seller internazionale. Ci ha concesso una terza intervista dall’inizio della guerra in Ucraina, in cui traccia un parallelo tra il declino dell’America e il crollo dell’Unione Sovietica. E pone la seguente domanda: cosa farà la Germania quando la guerra sarà finita?

Weltwoche: Signor Todd, la guerra in Ucraina sta entrando nel suo quinto anno. Col senno di poi, ci sono aspetti che ha valutato male?

Emmanuel Todd: Ho sempre scrupoli e dubbi. La previsione era corretta: l’Occidente ha perso questa guerra da tempo. Se gli americani l’avessero vinta, Joe Biden sarebbe stato rieletto. Donald Trump è il presidente della sconfitta. Oggi bisogna aggiungere che la conseguenza della sconfitta è il declino dell’Occidente. Questo crollo di una civiltà – la civiltà occidentale – può essere paragonato alla fine del comunismo e dell’Unione Sovietica. È ancora difficile farsi un’idea precisa della sua evoluzione. Il suo sintomo più spettacolare è la perdita di realtà.

Weltwoche: Quando ha preso coscienza della portata della guerra in Ucraina?

Todd: Quando sono riuscito a determinare il numero di ingegneri negli Stati Uniti e in Russia. La popolazione americana è due volte e mezzo più numerosa di quella russa, ma gli Stati Uniti formano meno ingegneri. John Mearsheimer, che ammiro, ritiene che l’Ucraina rivesta un’importanza esistenziale per la Russia. Questo è senza dubbio vero. Ma a differenza di Mearsheimer, sono convinto che l’Ucraina sia ancora più importante per gli Stati Uniti: la sconfitta degli Stati Uniti rivela la debolezza del loro sistema. Ha un significato completamente diverso dalle sconfitte in Vietnam, Iraq e Afghanistan. Gli Stati Uniti perdono, lasciano il caos dietro di sé e si ritirano. In Ucraina, stanno combattendo una guerra contro il loro nemico storico dal 1945. Perderla è inimmaginabile.

Weltwoche: Donald Trump voleva porvi fine in 24 ore.

Todd: Era la sua sincera intenzione. La volgarità e l’amoralità di Trump sono insopportabili per un borghese europeo come me. Ma difende anche cause del tutto ragionevoli. Il progetto MAGA, «Make America Great Again», consiste nel rappresentare gli interessi della nazione. Dopo un anno, Trump ha dovuto ammettere che, nonostante il protezionismo e gli alti dazi doganali, la reindustrializzazione non funzionava. Mancano ingegneri, tecnici, operai qualificati. La percentuale di analfabeti tra i giovani di età compresa tra i 16 e i 24 anni è passata dal 17 al 25% negli ultimi dieci anni. L’America dipende dalle importazioni, non può farne a meno. In quanto prima potenza mondiale, delocalizzare l’industria in Cina è stata una pura follia. Anche nel settore agricolo, la bilancia commerciale è in deficit. I dazi doganali sono diventati una minaccia per il dollaro. È l’arma dell’impero che vive a credito del lavoro di altri paesi. Lo stato disastroso della società americana rende impossibile l’attuazione del MAGA. Manca il dinamismo economico e intellettuale necessario.

Weltwoche: Ed è per questo che Trump deve condurre guerre controvoglia?

Todd: Questo è il suo dilemma. È stato risucchiato nel vortice della politica estera americana degli ultimi decenni. Gli Stati Uniti cercavano di espandere e rafforzare il loro impero. Trump non ha frenato questa evoluzione, l’ha accelerata. Joe Biden ha compensato il declino dell’impero con la guerra in Ucraina. Trump sta moltiplicando i teatri operativi. Ha cercato di misurare la sua forza con quella della Cina, che lo ha messo in ginocchio con il suo embargo sulle terre rare. Minaccia il Canada e Cuba. Vuole la Groenlandia e umilia gli europei. In Venezuela, l’imperialismo di un impero in fase terminale si è manifestato sotto forma di rapimento e saccheggio. La sua politica doganale è una forma di ricatto. In quasi tutti i settori, ha ottenuto l’effetto opposto a quello desiderato.

Weltwoche: E tutto questo perché gli Stati Uniti non possono più vincere la guerra in Ucraina?

Todd: Si tratta di manovre diversive. Con la conseguenza che i suoi nemici si alleano: Iran, Russia, Cina. Trump non ha ridotto l’impegno militare degli Stati Uniti, ma lo ha moltiplicato in modo spettacolare. Con le loro grida di guerra e la loro ostilità nei confronti della Russia, gli europei sono corresponsabili di questa evoluzione.

Weltwoche: Dopo i negoziati in Alaska, durante i quali i capi di Stato europei sono stati trattati come scolari da Trump, Emmanuel Macron ha definito Putin un «orco» e una «bestia da nutrire» in un’intervista spaventosa.

Todd: Trump ne approfitta. L’America – il governo Biden – è responsabile della guerra in Ucraina, ma Trump è riuscito a profilarsi come un negoziatore moderato e pacifico. Viene presentato dai media come un sovrano onnipotente sul mondo, che riorganizza secondo la sua volontà e le sue fantasie. E questo proprio nel momento in cui l’America subisce il suo primo fallimento strategico di fronte alla Russia. Il Venezuela, Cuba, la Groenlandia – sono solo manovre diversive. Si tratta sempre di distogliere l’attenzione dall’Ucraina verso altri teatri operativi. È anche questa l’intenzione dietro i negoziati. Servono solo a guadagnare tempo per tutte le parti coinvolte. La decisione verrà presa sul campo di battaglia, e Trump ha capito che non può impedire la vittoria di Putin. L’Ucraina è sull’orlo del collasso di tutto il suo sistema, per quanto tragico e triste possa essere per gli ucraini.

Weltwoche: Anche l’Iran è una manovra diversiva?

Todd: Sì. Per me Israele non è un Paese autonomo che spinge gli Stati Uniti a intervenire in Medio Oriente. Israele è un satellite degli Stati Uniti. Proprio come l’Ucraina. Israele fa ciò che Trump gli permette di fare. Quando ha voluto un cessate il fuoco a Gaza, l’ha ottenuto immediatamente. È stato Israele a chiedergli il permesso di porre fine alla guerra dei Dodici Giorni. Netanyahu ha dovuto rendersi conto che l’avversario era in grado di produrre molti più razzi del previsto.

Weltwoche: Lei ha definito la guerra in Ucraina l’inizio di una terza guerra mondiale.

Todd: La guerra in Ucraina è l’inizio di una guerra mondiale. Uno dei motivi della vittoria dei russi è il sostegno che ricevono dalla Cina e dall’India. I paesi del BRICS si schierano con i russi contro l’Occidente.

Weltwoche: E ora assisteremo a una guerra mondiale tra gli americani e la Russia e i suoi alleati, l’Iran, la Cina e l’India?

Todd: La Russia, la Cina e l’Iran stanno assumendo un atteggiamento difensivo. Per ora si tratta di un attacco americano contro Teheran. Nessuno sa cosa scatenerà. Come reagiranno il regime, la Cina e la Russia?

Weltwoche: Ma nella terza guerra mondiale saranno alleati contro gli Stati Uniti?

Todd: Durante la seconda guerra mondiale, avevamo il Terzo Reich che attaccava tutti. Oggi gli attacchi provengono dagli Stati Uniti. Tutti gli alleati sono regimi autoritari minacciati dall’impero americano in declino.

Weltwoche: Qual è il ruolo degli europei? In una delle nostre precedenti conversazioni, lei ha affermato che gli americani stanno in realtà conducendo una guerra contro la Germania.

Todd: Quello che stiamo vivendo attualmente accade normalmente solo nei romanzi di fantascienza. Il sistema mediatico occidentale è diventato un impero della menzogna, incapace di descrivere la realtà. Il suo assioma è il seguente: la Russia minaccia l’Europa. Lo trovo assurdo. Penso che Putin annetterà una parte dell’Ucraina alla Russia. Poi i russi porranno fine alla guerra. La conquista dell’Europa è semplicemente impossibile, e Putin non è interessato a farlo. Nel mio libro tratto in dettaglio il nichilismo americano, il declino delle chiese e dei valori morali. Oggi mi rendo conto di aver sottovalutato il nichilismo europeo. L’Europa non è più un’unione di Stati uguali. È dominata dalla Germania. Trovavo ragionevole la politica prudente di Olaf Schulz. L’elezione di Friedrich Merz alla carica di cancelliere ha cambiato tutto. Ha spinto gli Stati Uniti a rilanciare la guerra contro la Russia. La CDU è il partito degli americani, Merz ha alimentato la russofobia dei tedeschi. Il cancelliere crea una sintesi perversa tra la russofobia e la crisi economica causata dalla guerra. Vuole superare la crisi militarizzando l’industria. Questa è la nuova dottrina tedesca per l’Europa. E i servizi segreti pubblicano avvertimenti su un attacco di Putin contro la Germania.

Weltwoche: Merz vuole l’esercito più potente d’Europa. Questo risveglia brutti ricordi, e non solo in Francia.

Todd: Credere che questo riarmo miri esclusivamente alla Russia è in realtà un errore ingenuo. Per la Russia rappresenta una seria minaccia, per gli americani è una benedizione. Posso spiegare questa follia solo con la crisi che sta attraversando l’UE. Si trova in un vicolo cieco e ha sostituito i suoi ideali originari con l’immagine ostile di Putin. L’Occidente non è affatto sulla strada per ritrovare la sua unità perduta. Il ritorno alla nazione predomina negli Stati Uniti e in Europa. In Germania, la rinascita della coscienza nazionale è meno pronunciata che negli altri Stati membri dell’UE: ha preso il controllo dell’Europa. Devo ricorrere ancora una volta alla fantascienza: la guerra in Ucraina è finita, la Russia ha raggiunto il suo obiettivo. In questo mondo senza minacce russe, le nazioni stanno tornando e la Germania sta diventando nuovamente una potenza dominante e sicura di sé, con l’esercito più forte di tutto il continente. Chi sarà allora minacciato?

Weltwoche: Come durante la seconda guerra mondiale: tutta l’Europa, compresa la Russia, e in particolare la Francia, il nemico ereditario?

Todd: Per il Canada, non sono i russi a rappresentare una minaccia, ma gli Stati Uniti. Sì, e per la Francia è la Germania. I politici francesi mancano di coscienza storica. Le relazioni tra Francia e Germania si sono distese perché noi francesi non avevamo più nulla da temere dalla Germania.

Weltwoche: In occasione della riunificazione, che la Francia voleva impedire, era di nuovo percepibile.

Todd: C’è motivo di preoccuparsi. Il crollo dell’Occidente è accompagnato da un ritorno alla brutalità e alla gerarchizzazione: ci si sottomette al più forte e si attacca il più debole. È quello che fanno gli americani con gli europei, e i tedeschi lo hanno accettato eleggendo Friedrich Merz. Hanno bisogno di un capro espiatorio. Per ora è ancora Putin. Ma le relazioni franco-tedesche si stanno deteriorando.

Weltwoche: La volontà di Macron di condividere la forza di fuoco nucleare con la Germania testimonia una volontà di sottomissione?

Todd: Merz fa dichiarazioni molto spiacevoli nei confronti della Francia. La guerra in Ucraina sta sfociando in un conflitto mondiale tra le ex colonie e l’Occidente che le ha sfruttate. E all’interno di un Occidente in decomposizione, i conflitti del passato riemergono. Qualunque cosa accada in Iran, la sconfitta dell’Occidente e della sua civiltà è inevitabile. Trump non può fermare la sua implosione, la sta accelerando. I cinesi e i russi armano i mullah, gli americani hanno dovuto riconoscere che una portaerei non era sufficiente. E nemmeno due. Il regime di Teheran non può cedere e Trump non può rinunciare a un attacco, perché perderebbe davvero la faccia, dopo aver promesso il suo aiuto agli insorti.

Weltwoche: Ha fatto marcia indietro in Groenlandia.

Todd: Era solo teatro, non scatenerà una guerra contro la Danimarca. Dalla Danimarca, la NSA sorveglia tutta l’Europa. La Groenlandia è un teatro secondario della fine del mondo.

Weltwoche: Lei l’ha paragonata al crollo dell’Unione Sovietica.

Todd: All’epoca non fu sparato un colpo, i russi accettarono la fine del loro impero con grande dignità.

Weltwoche: L’Ucraina ha ottenuto l’indipendenza.

Todd: I russi hanno voltato le spalle al comunismo con grande eleganza. Il loro impero non si basava sullo sfruttamento dei loro satelliti, si erano torturati da soli con lo stalinismo. Il periodo successivo al crollo è stato estremamente difficile, tanto più che i russi avevano alle spalle secoli di regime totalitario. Rispetto alla Russia, gli Stati Uniti e l’Europa sono dei cattivi perdenti. In particolare gli americani, la cui storia fino ad allora era stata coronata dal successo.

Weltwoche: Nella terza guerra mondiale, vede gli americani nel ruolo del Terzo Reich?

Todd: Diffido dei paragoni con gli anni ‘30. La situazione è diversa. Ma naturalmente ci sono delle somiglianze. Per Trump, la diplomazia consiste nel diffondere menzogne. Quando parla di negoziati, si può essere certi che ci sarà la guerra. Era così anche per Hitler.

Weltwoche: Trump non ha ancora scatenato una guerra.

Todd: Non ha inviato truppe di terra perché non ne ha il potere: la società non accetta le morti, e questo è generalmente il caso in Occidente. A nessuno piace fare la guerra, nemmeno alla Russia. Anche Putin gestisce le sue risorse umane con cautela, non ha trascinato la sua popolazione in una guerra totale. Trump non invierà truppe di terra nemmeno in Iran. Siamo ancora nella fase della retorica e degli attacchi aerei. Il regime dei mullah è stato indebolito dalla rivolta. Bombardamenti intensivi potrebbero scatenare una guerra civile. Provocare il caos, scatenare lotte interne. La guerra in Ucraina mi sembra ormai una guerra civile scatenata dagli americani. Un cambio di regime in Iran non è affatto nel loro interesse. I mullah sono un regime terribile, ma le moschee sono vuote. Un governo nazionalista sostenuto dalla popolazione non sarebbe molto meno ostile agli Stati Uniti. Come negli anni ‘30, oggi ci manca l’immaginazione. La Shoah è stata possibile perché nessuno poteva immaginare Auschwitz. La realtà supera la nostra immaginazione.

Weltwoche: Probabilmente ha ragione, e dovremmo leggere più romanzi di fantascienza per capire il presente. La politica si accontenta di trarre insegnamenti dal passato.

Todd: Più che al passato, dovremmo infatti interessarci a ciò che potrebbe accadere e che non riusciamo assolutamente a immaginare. La domanda centrale che mi ossessiona è la seguente: cosa sta succedendo ai tedeschi? Gli americani vogliono essere americani e i russi vogliono rimanere russi. L’AfD non è paragonabile al Rassemblement National. È un partito la cui aggressività fa paura. Allo stesso tempo, l’élite tedesca si sta abituando all’idea di una guerra. Cosa succederà se l’AfD e la CDU si alleeranno? Il nazionalismo tedesco incontrerà allora il militarismo tedesco? La Germania sta tornando a essere una società autoritaria perché questo corrisponde al suo temperamento? È una domanda su cui bisogna riflettere oggi.

Weltwoche: C’è una bozza di risposta?

Todd: Tutte le mie previsioni sbagliate riguardavano la Germania: perché pensavo erroneamente che i tedeschi potessero essere come i francesi. Quando Schröder e Chirac hanno protestato con Putin contro la guerra in Iraq, l’ho visto come un avvicinamento incoraggiante e ho pensato che Parigi avrebbe dovuto condividere il suo seggio nel Consiglio di sicurezza delle Nazioni Unite con Berlino. Vedevo la Germania come il leader di un’Europa sovrana. Le mie speranze sono state deluse. La Germania ha immediatamente iniziato a imporre le sue decisioni unilaterali senza consultare i suoi partner: dall’uscita dal nucleare all’accoglienza dei rifugiati. La Germania è corresponsabile del Maidan, ha posto l’Ucraina di fronte a una scelta: la Russia o l’Europa. Anche nel mio libro sull’Ucraina, in cui critico aspramente la Gran Bretagna, risparmio la Germania: perché ero largamente d’accordo con Olaf Scholz.

Weltwoche: Perché i tedeschi non possono diventare francesi?

Todd: Come demografo, mi sono interessato alle strutture familiari della società contadina. Esse continuano a influenzare la cultura politica. Nei paesi in cui i fratelli avevano pari diritti, si è potuto affermare il concetto di uguaglianza tra gli uomini. Esso è stato il presupposto per rivoluzioni universalistiche, come quelle avvenute in Francia e in Russia. La Russia ha instaurato il comunismo, che si applicava a tutti. In Germania la rivoluzione non aveva alcuna possibilità, perché i fratelli non avevano pari diritti. Questo spiega la sua propensione all’autoritarismo. In Germania prevale l’idea della disuguaglianza tra gli uomini e i popoli e, a differenza della Russia e della Cina, non si può immaginare un ordine mondiale multipolare. Ciò solleva immediatamente la questione del perché la Francia, con la sua tradizione di uguaglianza, non si schieri dalla parte dei russi: perché si sottomette all’egemonia tedesca. La volontà di Macron di condividere la bomba atomica indebolisce la sovranità nazionale. Per la Germania sono possibili solo relazioni gerarchiche. I tedeschi vogliono dominare l’Europa, perché questo corrisponde al loro temperamento. Del resto, sono di nuovo la potenza più forte.

Weltwoche: Una volta nazista, sempre nazista? La si accuserà di ostilità sistematica nei confronti della Germania.

Todd: Non è la prima volta. La mia valutazione non è un rimprovero, ma una constatazione. Ammiro e riconosco la superiorità dei tedeschi in molti ambiti culturali.

Weltwoche: Lei argomenta in qualità di antropologo. Nell’inconscio tedesco esiste un desiderio nostalgico di vittoria sulla Russia, di rivincita per la Seconda guerra mondiale?

Todd: Non parlerei di rivincita. Dopo la guerra e dopo la riunificazione, nessuno avrebbe potuto immaginare la rapidità con cui la Germania avrebbe affrontato le sfide che le si presentavano. È un complimento. Questo Paese è diverso, ha un potenziale enorme. Ma naturalmente i tedeschi sanno chi ha sconfitto la Wehrmacht. Il discorso aggressivo dei russi dà l’impressione che siano stati privati della loro vittoria. Il rifiuto di riconoscere la vittoria russa equivale a negare la sconfitta tedesca.

Weltwoche: Dopo la riunificazione, anche la caduta dell’Unione Sovietica è stata presentata come una vittoria dell’Occidente e ai russi è stato negato il riconoscimento di essersi liberati da soli dal comunismo, cosa che i tedeschi non erano riusciti a fare con Hitler.

Todd: La sconfitta del 1945 è considerata un ricordo del passato, come se non fosse mai esistita, proprio come il nazionalsocialismo.

Weltwoche: Allo stesso tempo, il passato nazista è onnipresente come ossessione tedesca, e l’AfD viene combattuta come se si trattasse di resistere ai nazisti. In patria contro Hitler, in Europa contro Putin.

Todd: I tedeschi sono davvero così ossessionati da Hitler? Se è così, c’è qualcosa nel loro subconscio che mi è sfuggito. E questo significherebbe che i rischi sono ancora più grandi di quanto avessi mai immaginato. Siamo davvero in un romanzo di fantascienza. Le élite non hanno più spiegazioni né progetti. Si affidano all’UE, che rende impossibile qualsiasi decisione e ha una percezione distorta della realtà. La Germania domina l’Europa, ma non bisogna dirlo. Abbiamo una visione completamente distorta del passato, che guida il nostro presente, e non riusciamo a immaginare il futuro. E quando non si sa dove si sta andando, si può almeno aggrapparsi alla russofobia.

Weltwoche: La russofobia derivante dall’antifascismo, con Putin nel ruolo di Hitler. Ci sono tentativi di vietare l’AfD.

Todd: Non conosco abbastanza bene la Germania per esprimermi su questa questione. A volte racconto una barzelletta, ma non fa ridere. Non lo so, non ne sono sicuro… Sì, forse è proprio così: la Germania sta dando libero sfogo al suo temperamento autoritario. Si paragona l’AfD al Rassemblement National, Marine Le Pen a Meloni e Putin, e Meloni a Trump. Questi paragoni girano a vuoto. Ciò che tutti i paesi hanno in comune è il ritorno alla nazione. Anche i tedeschi vogliono tornare ad essere tedeschi. Questa dinamica ha contagiato tutti i partiti, SPD, CDU, AfD. Le differenze tra le ideologie postnazionali si stanno attenuando. Negli Stati Uniti si osserva un avvicinamento tra i neoconservatori, che sostenevano la guerra come mezzo per imporre la democrazia, e il movimento Maga, che voleva porvi fine. In Germania è ipotizzabile una fusione tra CDU e AfD. Ed è concepibile che il ritorno alla nazione autoritaria si presenti questa volta come una lotta per la libertà e la democrazia.

Weltwoche: Come valuta l’evoluzione in Francia, dove la politica è da tempo caratterizzata dalla lotta contro i populisti e i neofascisti e dove la radicalizzazione della sinistra fa temere una guerra civile tra “antifascisti” e “fascisti”? Jean-Luc Mélenchon, del partito «La France insoumise», ha definito le elezioni che designeranno il successore di Macron il prossimo anno come «l’ultima battaglia».

Todd: Questa opposizione paralizza la Francia. Nessun partito vuole abolire l’euro o uscire dall’UE. Solo una rivolta radicale può porre fine all’impotenza politica. Abbiamo bisogno di un movimento che riconosca i nostri interessi collettivi e che lasci alle spalle le ideologie postnazionali. Non se ne vede all’orizzonte.

Weltwoche: Chi sarà il prossimo presidente?

Todd: Non lo so, non sono un profeta. Anche se ho questa reputazione.

Weltwoche: È stato Osama bin Laden, il mandante degli attentati alle Torri Gemelle, a diffonderla in tutto il mondo. Mentre fuggiva dagli americani, all’inizio del millennio l’ha citata come profeta: dopo la fine dell’Unione Sovietica, sarebbe stata la volta della caduta dell’impero americano. Per chi voterà?

Todd: Non ne ho idea.

Weltwoche: Dominique de Villepin, che, in qualità di ministro degli Affari esteri di Jacques Chirac, ha condotto la campagna contro l’attacco americano in Iraq?

Todd: È l’unico politico che può contare sulla mia simpatia, almeno.

Weltwoche: Voleva raccontare una barzelletta.

Todd: È la storia di un campo di concentramento per ebrei, che vengono imprigionati e sterminati perché antisemiti.

Weltwoche: Questa idea non mi sembra affatto irrealistica, vista la confusione mentale e la retorica dominante che lei descrive. Ma restiamo nel campo della fantascienza: non sarà la Russia ad essere attaccata dall’«esercito più potente d’Europa», ma la Francia?

Todd: No, non credo, almeno nel medio termine. La Germania non ne è capace, noi abbiamo la bomba atomica. I giornalisti e i politici hanno dimenticato che De Gaulle l’ha costruita per proteggerci dai tedeschi. Se continuano ad accanirsi contro la Russia, potrebbero costringere Putin a usare armi nucleari tattiche. Posso solo sperare che i missili russi non mirino alla Dassault, ma alle fabbriche della Rheinmetall.

Articolo originale lafionda.org

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La fine della diplomazia ingannevole di Trump https://strategic-culture.su/news/2026/03/04/la-fine-della-diplomazia-ingannevole-di-trump/ Tue, 03 Mar 2026 21:05:12 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=890919 Con la fine della diplomazia, il conflitto è passato dal regno del calcolo strategico e del realismo a quello del condizionamento psicologico.

Segue nostro Telegram.

I negoziati diplomatici di giovedì (26 febbraio) – nonostante il tono ottimistico dei mediatori e dei negoziatori – hanno confermato l’impasse sostanziale. Le richieste degli Stati Uniti all’Iran erano:

  • Lo smantellamento completo degli impianti nucleari di Fordow, Natanz e Isfahan.
  • Il trasferimento di tutto l’uranio arricchito negli Stati Uniti.
  • La fine di tutte le clausole di caducità e delle restrizioni permanenti.
  • L’accettazione dell’arricchimento zero, con la sola eccezione del reattore di ricerca di Teheran.
  • Un minimo alleggerimento delle sanzioni in anticipo; un ulteriore alleggerimento solo dopo la piena conformità.

Queste richieste erano chiaramente formulate per ostacolare, piuttosto che facilitare, qualsiasi soluzione diplomatica. Esse riflettono una strategia radicata nella convinzione viscerale della debolezza iraniana che, di fronte alla dimostrazione di forza militare degli Stati Uniti, si prevedeva con sicurezza avrebbe sicuramente portato alla capitolazione dell’Iran. Tale ipotesi è sempre stata presuntuosa. Si è rivelata manifestamente falsa, poiché, come prevedibile, Teheran ha respinto le richieste degli Stati Uniti:

  • [L’Iran] ha insistito sul riconoscimento del suo diritto (ai sensi del TNP) di arricchire l’uranio per scopi civili.
  • Ha respinto l’“arricchimento zero”.
  • Ha rifiutato di trasferire l’uranio arricchito iraniano dal suo territorio.
  • Ha insistito sul fatto che qualsiasi accordo deve includere sia il riconoscimento del suo diritto all’arricchimento, sia una significativa revoca delle sanzioni. L’Iran respinge l’idea di restrizioni indefinite a suo carico.

Il tono alla fine dei colloqui era decisamente ottimista. Il capo negoziatore iraniano, il ministro degli Esteri Araghchi, ha dichiarato: “Il round di oggi è stato il migliore tra quelli svolti finora. Abbiamo presentato chiaramente le nostre richieste”. La parte iraniana voleva chiarire sia al pubblico interno che a quello estero che aveva (almeno) negoziato in modo serio.

Tuttavia, secondo alcune fonti statunitensi, la decisione di attaccare sarebbe già stata presa durante il vertice di Mar-a-Lago del 29 dicembre 2025 tra Netanyahu e Trump.

La leadership iraniana ha compreso bene che qualsiasi concessione che l’Iran avrebbe potuto ragionevolmente offrire nei colloqui non avrebbe dato a Trump la rapida “vittoria” politica che desiderava. Tanto più che l’Iran ha insistito sul fatto che la difesa missilistica non era negoziabile.

Pur ponendo il programma nucleare iraniano al centro dei colloqui, il Segretario di Stato americano Rubio – prima di questo (ultimo) round di negoziati – ha comunque sottolineato che, dal punto di vista di Washington, la minaccia dei missili balistici iraniani è “una componente fondamentale che non può essere ignorata”.

L’improbabile affermazione di Rubio è tuttavia in linea con quanto riportato dalla stampa ebraica israeliana, secondo cui dopo l’incontro di Netanyahu con Trump nel dicembre 2025, è stato Netanyahu a chiedere che gli Stati Uniti colpissero le capacità missilistiche balistiche dell’Iran e che l’attacco al suo arsenale missilistico avesse la priorità rispetto agli attacchi alle strutture nucleari iraniane.

Lo stesso articolo (israeliano) affermava che Trump aveva accettato la richiesta perentoria di Netanyahu.

Nel complesso, Trump è rimasto irremovibile sul fatto che, qualunque fosse stato l’esito dello stallo iraniano – ottenuto attraverso la capitolazione dell’Iran o con la forza militare – avrebbe dovuto uscire personalmente dal confronto apparendo “forte” e con un “risultato” storico al suo attivo.

Una guerra alla ricerca di una giustificazione

Così, con la fine della diplomazia, il conflitto si è spostato dal regno del calcolo strategico e del realismo a quello del condizionamento psicologico. Cioè, come caratterizzare una guerra senza alcuna giustificazione chiara a un pubblico americano sempre più scettico. E come scatenare la guerra nel modo migliore per fornire il giusto vantaggio psicologico a Trump in vista delle elezioni di medio termine.

Da qui derivano le affermazioni assurde di Trump secondo cui l’Iran sta lavorando alla produzione di missili balistici intercontinentali con cui attaccare il territorio degli Stati Uniti. In questa narrativa psicologica, Trump non sta solo salvando Israele, sta salvando l’America!

Queste considerazioni di condizionamento psicologico stanno costringendo un team di Trump diviso ad allontanarsi sempre più dalla realtà, cercando affannosamente di trovare un casus belli plausibile per giustificare un attacco militare contro l’Iran. L’Iran, nonostante le affermazioni di Rubio, non minaccia gli Stati Uniti con missili balistici intercontinentali. L’Iran non rappresenta affatto una minaccia per gli Stati Uniti, né possiede armi nucleari.

Non commettiamo errori, osserva Will Schryver,

“Questa è una guerra scelta dagli Stati Uniti. Questa guerra – e tutte le sue conseguenze – sono responsabilità degli Stati Uniti. Questa è la guerra di Trump. Questa guerra è iniziata il 3 gennaio 2020, per ordine diretto di Donald Trump”.

Tuttavia, per il Team Trump affermare apertamente che un attacco all’Iran ha lo scopo di consolidare l’egemonia di Israele in Medio Oriente è considerato dal Team un’argomentazione poco appetibile per promuovere “un’altra grande guerra in Medio Oriente” a un elettorato statunitense contrario alle vittime e sempre più scettico nei confronti della priorità data da Trump agli interessi israeliani.

Il dilemma della mancanza di una giustificazione per la guerra è diventato evidentemente così acuto che i funzionari statunitensi hanno convenuto che Israele dovrebbe colpire per primo, al fine di rendere una guerra contro l’Iran il più “politicamente accettabile” possibile per l’opinione pubblica interna.

Anna Barsky, scrivendo in ebraico su Ma’ariv la scorsa settimana, ha sostenuto che il suggerimento che Israele “agisca per primo” “… passa dall’ironico al agghiacciante. Perché delinea uno scenario in cui Israele funziona, consapevolmente e intenzionalmente, come il primo colpo di una mossa che mira innanzitutto a produrre un effetto di consapevolezza negli Stati Uniti”.

L’accumulo di forze statunitensi era stato inizialmente immaginato da Trump come sufficientemente intimidatorio dal punto di vista psicologico per l’Iran, tanto da rendere inevitabile la capitolazione. Witkoff lo ha detto chiaramente su Fox News: Trump era confuso e frustrato dal fatto che l’Iran non avesse ancora capitolato di fronte a un tale dispiegamento di forze americane vicino al suo territorio.

Ma oltre a questo, Trump – che vive di dichiarazioni altisonanti e promesse di “incredibile potenza militare americana” – era sconcertato nel vedere trapelare informazioni che rivelavano che, nonostante l’accumulo di forze, gli Stati Uniti non hanno la capacità militare “di sostenere [oltre] quattro o cinque giorni di intensi attacchi aerei contro l’Iran – o una settimana di attacchi di minore intensità”. In seguito ha contraddetto i suoi generali.

I generali di Trump gli avevano fornito un quadro molto più complesso: non erano disposti a garantire un cambio di regime; non ci sarebbe stata alcuna certezza sulla durata della campagna e non sarebbe stato possibile prevedere con precisione la risposta di Teheran o le implicazioni regionali.

Probabilmente, nonostante gli avvertimenti, Trump immaginava (o sperava…) una breve guerra sanguinosa di pochi giorni, al termine della quale avrebbe potuto proclamare la “vittoria” sui detriti sparsi ovunque, per poi sperare di manovrare verso un cessate il fuoco, con i titoli dei media che avrebbero annunciato un’altra “pace di Trump”.

Le guerre, ovviamente, non sono mai determinate da una sola parte. L’Iran ha avvertito che se fosse stato attaccato, avrebbe scatenato una guerra totale, non solo in Iran, ma in tutta la regione. Già dal primo giorno di guerra, questo è ciò che l’Iran ha fatto, con attacchi alle basi statunitensi in tutto il Golfo Persico: le basi militari statunitensi sono in fiamme e fumano sotto gli occhi di tutti.

Le principali compagnie petrolifere hanno appena sospeso le spedizioni attraverso lo Stretto di Hormuz.

Trump, ma più precisamente Netanyahu, ha appena innescato una guerra su più fronti, con attacchi a Israele da molte direzioni (dall’Iran, dallo Yemen, dall’Iraq…). È più probabile una guerra lunga che una guerra rapida.

Trump è bloccato in una situazione di zugzwang. È costretto a muoversi contro l’Iran, ma così facendo aggrava la propria situazione – “zugzwang”. Secondo quanto riferito, “molti all’interno del Pentagono ritengono che gli Stati Uniti andranno incontro a un disastro generazionale se si impegneranno eccessivamente in un conflitto su larga scala con l’Iran [e non agiranno in modo ‘brillante’]”.

Tuttavia, lo slancio ideologico a favore di un attacco proveniente dal campo di Netanyahu e dai suoi vari sostenitori e donatori negli Stati Uniti si è rivelato irresistibile. Questi ultimi vedono un attacco statunitense come un’“opportunità unica in una generazione” per ridisegnare la mappa geostrategica, per trasformare l’Iran in un alleato filo-occidentale di Israele in una nuova coalizione in guerra con il radicalismo islamico.

Tali sentimenti, sebbene fantasiosi, non dovrebbero essere ignorati con leggerezza. Sono profondamente radicati nella cultura e in varie credenze escatologiche.

La logistica di guerra ha una sua dinamica: una volta avviato il dispiegamento militare, occorre un grande sforzo per invertire la rotta. All’inizio della prima guerra mondiale, si rivelò impossibile per i leader europei invertire il meccanismo di dispiegamento, semplicemente a causa dei limiti intrinseci del sistema ferroviario. Occorre un grande sforzo per arrestare una guerra su vasta scala.

Nel dare il via a una prova di forza globale così esistenziale, Trump non sarà in grado, come re Canuto, di “ordinare” alla marea di ritirarsi. Ha dato il via a eventi che determineranno il nostro futuro geopolitico globale. Il futuro di Cina, Russia e Iran sarà in bilico, in un modo o nell’altro.

Anche l’ordine economico è in bilico. La soluzione di Trump alla crisi del debito dipende in gran parte dalla sua guerra commerciale. La fattibilità dei dazi di Trump per mitigare i suoi obblighi di debito dipende dall’egemonia del dollaro. E l’egemonia del dollaro è in gran parte una funzione del mantenimento del mito dell’invulnerabilità militare eccezionale degli Stati Uniti.

Ma con l’Iran che ha effettivamente smascherato il bluff di Trump, egli si trova di fronte a scelte umilianti: o ritirarsi (cioè distorcendo qualche richiesta prematura di cessate il fuoco, come nella guerra dei 12 giorni, per proclamare la “vittoria”), o, se la guerra dovesse protrarsi, accettare che l’esercito statunitense sia percepito come una tigre di carta e vedere le conseguenze ripercuotersi sui mercati del debito.

Trump è un sostenitore davvero convinto di Israele, ma è a un passo dal compromettere la sua presidenza su questo scoglio.

Forse non aveva scelta.

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