Croatia – Strategic Culture Foundation https://strategic-culture.su Strategic Culture Foundation provides a platform for exclusive analysis, research and policy comment on Eurasian and global affairs. We are covering political, economic, social and security issues worldwide. Mon, 23 Feb 2026 19:59:15 +0000 en-US hourly 1 https://strategic-culture.su/wp-content/uploads/2023/12/cropped-favicon4-32x32.png Croatia – Strategic Culture Foundation https://strategic-culture.su 32 32 Eurasia’s great divide: Mapping support for Russia and Ukraine https://strategic-culture.su/news/2026/02/23/eurasias-great-divide-mapping-support-for-russia-and-ukraine/ Mon, 23 Feb 2026 19:58:33 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=890760 Nearly four years into the conflict in Ukraine, public opinion across Eurasia reveals a continent sharply divided along historical and geopolitical fault lines. This infographic, based on Gallup data, maps which countries lean toward Moscow and which toward Kiev.

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Projected population in 2100: Southern Europe https://strategic-culture.su/news/2026/01/06/projected-population-in-2100-southern-europe/ Tue, 06 Jan 2026 15:30:23 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=889881

From the Mediterranean coast to the Balkans, Southern Europe faces a uniform demographic retreat. This infographic illustrates how even countries with historically higher birth rates, including Muslim-majority nations like Turkey and Albania, are projected to see their populations peak and then fall significantly by 2100. The region’s combination of economic stagnation, youth emigration, and rapidly falling fertility rates points toward a future of profound societal aging and diminished influence, transcending cultural and religious lines.

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Como a BBC manipulou a história das guerras na Iugoslávia https://strategic-culture.su/news/2025/12/17/como-a-bbc-manipulou-a-historia-das-guerras-na-iugoslavia/ Wed, 17 Dec 2025 14:05:49 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=889480 Em razão dos 30 anos da assinatura do Acordo de Dayton. A história se repete?

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O documentário A morte da Iugoslávia é uma demonstração paradigmática do profissionalismo da maior rede de TV do mundo para praticar aquilo para o qual foi criada: manipular os conflitos internacionais. Dividida em seis episódios, a série foi produzida imediatamente após a assinatura do Acordo de Dayton, em novembro de 1995. O vasto arquivo de imagens de vídeo, fotos e gravações de áudio, algumas delas inéditas; entrevistas exclusivas, filmagens de câmeras de segurança, das forças armadas, de cinegrafistas amadores e até produções por computação gráfica, como mapas geográficos, indicam que só uma verdadeira indústria da propaganda imperialista pode realizar algo desse tamanho.

O documentário apresenta as características tradicionais de um produto jornalístico, com entrevistas com os principais agentes da guerra na antiga Iugoslávia, difundindo diversos pontos de vista, partes investigativas, objetividade e imparcialidade (a priori), atualidade (uma vez que foi veiculado ainda no fervor das tensões imediatamente após a guerra). Entretanto, apesar de A morte da Iugoslávia aparentar ser um documentário imparcial, neutro, que não favorece nenhum lado do conflito, uma análise mais detalhada revela a manipulação. Algumas vezes tácita e outras vezes enfática, a tomada de posicionamento é feita tanto por meio da voice over como também pela seleção das falas dos entrevistados, da montagem, das imagens e da angulação, do direcionamento tomado em algumas partes do documentário.

O discurso do filme apresenta frequentemente os dirigentes sérvios, especialmente Slobodan Milosevic, como culpados pelas guerras. A responsabilidade pelo surgimento das tensões étnicas é colocada quase que exclusivamente sobre o líder sérvio. “O presidente sérvio, Slobodan Milosevic, foi o primeiro a inflamar o seu povo”, afirma a voice over no início do segundo episódio. Uma ilustração disso é a cena inicial do documentário. Ela mostra imagens aéreas de Belgrado, transmitidas pela TV iugoslava, onde uma multidão de sérvios se reúne para um comício de Milosevic, em 1988. Teclas de piano dão o tom de suspense e temor do ato.

A câmera posicionada de baixo para cima (contra-plongée) e seu discurso do alto do palanque apresentam Milosevic como o grande líder dos sérvios, inflamando seu nacionalismo para a batalha que virá, enquanto a massa de pessoas grita “Slobo, Slobo, Slobo”. Ao mesmo tempo, a voice over afirma que ele é acusado como responsável por todas as guerras na Iugoslávia, pelos quais foi absolvido mais tarde. Esses minutos iniciais servem como discurso persuasivo para apresentar Milosevic como culpado de antemão pelas atrocidades que serão relatadas ao longo do documentário. A partir daí, a tendência do público é ver Milosevic de forma preconceituosa e seus depoimentos não servirão para mais nada senão confirmar esses estereótipos.

Ao longo do documentário, as autoridades do governo central da Iugoslávia são vistas como as agressoras das outras repúblicas e dos outros grupos étnicos, mesmo que seja sutil essa representação. São os repressores, belicistas, manipuladores, instigadores, conspiradores, opressores.

Durante toda a série coloca-se os sérvios na posição de “vilões”, algumas vezes de forma branda, outras de forma mais enfática. Seus discursos nacionalistas inflamados são mostrados algumas vezes, mas isso não é feito em nenhum momento com os nacionalistas croatas ou bósnios, que também cometeram crimes. Os separatistas sérvios são extremistas, mas os croatas e bósnios não, apesar de suas autoridades envolvidas nas guerras serem ultranacionalistas e mesmo fascistas, como o presidente croata Franjo Tudjman. O documentário não questiona os interesses por trás da divisão da Iugoslávia.

O discurso do documentário também procura sempre ligar Milosevic aos grupos extremistas. Por exemplo, quando a voice over afirma que os servo-croatas queriam expulsar os croatas dos territórios em que eram maioria, para se unirem à Iugoslávia. “Para isso, aliados extremistas do presidente Milosevic se preparam para provocar um conflito entre sérvios e croatas.” Também fala em forças militares de Milosevic e autoridades extremistas próximas a Tudjman, presidente da Croácia.

Milosevic ainda é descrito como o comandante dos crimes cometidos pelas milícias servo-bósnias lideradas por Radovan Karadzic. O quarto episódio da série começa com palavras de defesa de Milosevic, falando que não apoia hostilidades. A forma como a declaração aparece, de repente, no início do episódio, passa a impressão de que ele está se defendendo de um crime que realmente cometeu. Aparecem imagens de destruição na Bósnia e a voice over afirma que o político sempre disse que não se envolveu nas atrocidades na Bósnia mas que as testemunhas contra ele dizem o contrário. Em outro momento, no quinto episódio, o documentário ressalta que Milosevic era “o homem por trás dos servo bósnios”. Mas a data descrita é abril de 1993, quando o líder iugoslavo já havia rompido com os extremistas de Karadzic, como foi constatado pelo Tribunal de Haia. Mesmo dois anos após esse rompimento, Milosevic ainda é tachado como “financiador” de Karadzic, no sexto episódio.

O que se entende é que Milosevic e Karadzic mantêm estreitas relações, o que leva a crer que o presidente iugoslavo esteve envolvido nos crimes do líder extremista. Além disso, muitas vezes os servo-bósnios são chamados apenas de sérvios, o que confunde a audiência e o público acaba imaginando que a Sérvia é a grande vilã, responsável pelos crimes dos servo-bósnios que, como observado, àquela altura atuavam independentes de Belgrado.

A Eslovênia, primeira república a se separar da Iugoslávia, é vista como uma região moderna, democrática, ocidentalizada, civilizada, onde há mais liberdade do que nas outras regiões da federação. O nacionalismo esloveno não aparece em ocasião alguma, seus dirigentes políticos são pacíficos opositores do autoritarismo de Belgrado e somente querem a independência de seu povo.

A Croácia, segunda república a declarar independência da Iugoslávia, também é apresentada como uma região próspera, democrática e liberal. O problema é que, segundo o documentário dá a entender, os croatas de origem sérvia queriam permanecer na Iugoslávia e então eles causaram as tensões.

De acordo com as palavras da narração, “as ameaças sérvias provocaram respostas do povo da Croácia”. Pelo que se entende, a minoria sérvia apoiada pelo governo iugoslavo de Milosevic foi a responsável pelo início dessa guerra, porque “Milosevic queria incendiar o resto da Croácia”, conforme narra a voice over. Em outra ocasião, o documentário afirma que as autoridades croatas “temiam que a Sérvia, maior república da Iugoslávia, os esmagasse”.

Em certos momentos, a voice over afirma que as ações do governo e do exército iugoslavos contaram com apoio da imprensa sérvia. No entanto, não fala que o noticiário imperialista do qual faz parte a BBC preparou a futura intervenção nos Bálcãs. E mais: o próprio discurso do documentário indica uma ineficiência da ONU no combate aos sérvios e servo-bósnios e sugere uma intervenção armada do Ocidente na região. Quando a intervenção da OTAN ocorre, o documentário não adota uma postura minimamente questionadora das possíveis consequências que essa ação teria para a população civil iugoslava.

A comunidade internacional, principalmente os EUA, é apresentada como mediadora diplomática. Em nenhum momento os interesses geopolíticos e econômicos nem as operações secretas por trás das negociações são questionados. A propina oferecida pelo primeiro-ministro da Itália ao presidente de Montenegro para que votasse pelo desmembramento da Iugoslávia não é tratada com a mínima preocupação.

Ao longo de toda a série, o Ocidente é retratado como civilizado e sua intervenção nos Bálcãs é para “botar ordem na casa”, porque os incivilizados iugoslavos não conseguem se entender. Os EUA são apresentados sempre como diplomáticos, democráticos, humanistas, conciliadores, agindo de boa-fé e tentam ensinar os bons modos aos bárbaros eslavos, principalmente aos sérvios.

Trinta anos depois, esse mesmo discurso da BBC se repete. A “ameaça russa”, essa barbárie eslava, contamina seus aliados da Europa Oriental. Dentre eles, o presidente sérvio Aleksandar Vucic, apresentado como um autocrata pró-russo, uma espécie de herdeiro de Milosevic. E os servo-bósnios seriam os responsáveis pelas tensões que ameaçam a volta da guerra na Bósnia, com Milorad Dodik sendo visto como sucessor de Karadzic pelos mais histéricos propagandistas do imperialismo. Como antes, são estes últimos que, no final das contas, estão pavimentando o caminho para a guerra.

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Acordo de Dayton: manobra imperialista para preparar a destruição final da Iugoslávia https://strategic-culture.su/news/2025/11/24/acordo-dayton-manobra-imperialista-para-preparar-destruicao-final-iugoslavia/ Mon, 24 Nov 2025 15:54:57 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=889035 A Bósnia e Herzegovina tornou-se um Estado independente mas foi dividida em duas Entidades autônomas.

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Segundo os dados do Centro de Documentação e Pesquisa, sediado em Sarajevo, na Guerra da Bósnia morreram cerca de 100 mil pessoas (66% bósnios étnicos, 25% de origem sérvia e 7,8% de origem croata) e houve o deslocamento de 2,2 milhões, sendo mais de 1 milhão de refugiados no exterior.

A Bósnia e Herzegovina tornou-se um Estado independente mas foi dividida em duas Entidades autônomas: além da Federação da Bósnia e Herzegovina, que reúne bósnios e croatas, com 51% do território nacional, foi reconhecida como Entidade a República Srpska que os servo-bósnios haviam declarado independente do Estado bósnio e que ficou com 49% do território do país.

No entanto, o Acordo de Dayton, assinado em 21 de novembro de 1995 e ratificado em 14 de dezembro do mesmo ano em Paris, não terminou com os conflitos bélicos nos Bálcãs. A Sérvia precisava ser destroçada ainda mais.

O Kosovo, província autônoma até meados da década de 1980, quando ainda pertencia à Iugoslávia Socialista, foi o palco dos confrontos no final dos anos 1990.

A população kosovar, composta 90% por albaneses étnicos, já havia experimentado tempos de agitação no início e no final da década de 1980. Em 1989, em meio a uma tensão e fortes distúrbios entre albaneses e sérvios, Milosevic, já o principal político da Iugoslávia, arrancou a autonomia outorgada ao Kosovo pela Constituição de 1974, e passou o controle do Kosovo e da Vojvodina para a Sérvia.

Com o clima de dissolução da República Socialista Federativa da Iugoslávia, o Kosovo proclamou-se independente em 1991, sendo, no entanto, reprimido pelas forças de Belgrado. Em 1996, começaram a ser fortemente organizados grupos separatistas armados e ataques terroristas contra o Estado iugoslavo, que agora era composto apenas pela Sérvia e Montenegro e que teve, em 1997, Milosevic eleito como presidente do país.

Segundo Noam Chomsky, o Exército de Libertação do Kosovo (ELK, principal força militar separatista kosovar) recebeu apoio financeiro e militar dos Estados Unidos. “Eles estavam sendo apoiados pela CIA naqueles meses”.

Com os confrontos ocorrendo entre as forças do Estado iugoslavo e as milícias kosovares, a OTAN, após algumas ameaças, iniciou os ataques para desmobilizar o exército sérvio, em 24 de março de 1999. Os bombardeios continuaram até o dia 10 de junho, quando Belgrado recuou dos ataques às forças kosovares. A OTAN não precisou de permissão nenhuma da ONU, evidenciando já àquela altura como as Nações Unidas não passam de uma ferramenta de dominação do imperialismo sobre o mundo, que agem ou não apenas conforme a conveniência das principais potências.

Os ataques da OTAN foram considerados pelo Ocidente como “ilegais mas legítimos”. Para Chomsky, “ilegal faz com que seja um crime de guerra. Mas eles disseram que isso foi legítimo porque era necessário parar o genocídio. E então veio a inversão usual da história”. Ele ainda critica o que foi chamado de genocídio feito pelos sérvios contra os albaneses do Kosovo: “Se aquilo é genocídio então o mundo inteiro está coberto de genocídios.”

Essa mesma “comunidade internacional” não reconhece a destruição de Gaza por Israel e o extermínio deliberado de ao menos 80 mil palestinos como genocídio. Pelo contrário, ela financia, arma e faz propaganda pelo genocídio de palestinos.

Após o final da guerra, o Kosovo foi administrado por quase oito anos como protetorado internacional e, em 2008, os países imperialistas o arrancaram da Sérvia. Contudo, a maioria das nações oprimidas do mundo, incluindo as da importância do BRICS, não reconhecem até hoje esse roubo de território: aquele território ainda é legitimamente sérvio. Apesar disso, parte das instituições internacionais segue os ditames imperialistas e permite que a Sérvia participe de forma desmembrada, como nos Jogos Olímpicos. Em 2006, o imperialismo também conseguiu separar Montenegro – um território sem nenhuma diferença nem verdadeira reivindicação nacional em relação à Sérvia.

A intervenção da OTAN na Iugoslávia teve como pretexto a “violação dos direitos humanos” e os “crimes contra a humanidade” cometidos pelas forças sérvias no Kosovo. Mas aquilo era uma farsa – vindo de quem patrocina verdadeiros crimes em Gaza. Como sempre, nada foi publicado na imprensa sobre os armamentos que utilizam urânio empobrecido, empregados pela Otan nos bombardeios à Iugoslávia.

Chomsky aponta como o verdadeiro motivo da intervenção da aliança ocidental na Iugoslávia as pretensões econômicas, em uma Europa Oriental que acabara de se inserir no sistema capitalista. A OTAN interveio porque a nação balcânica “não estava executando as reformas econômicas e sociais exigidas, isso significa que ela era o último lugar na Europa que não tinha se subordinado à série de programas neoliberais dos EUA, portanto ela teve de ser eliminada”.

Além da ONU (que só observou) e a da OTAN (que agiu na matança de sérvios), outro mecanismo imperialista foi utilizado para destruir a Iugoslávia. O Tribunal Penal Internacional não buscou a incriminação dos violadores ocidentais do direito internacional, mas de Milosevic, bode expiatório de todas as guerras balcânicas dos anos 90.

O ex-presidente sérvio foi levado ao Tribunal, em Haia, onde acabou falecendo durante o processo de seu julgamento, em 2006, sob condições suspeitas. Ele não chegou a ser objeto de veredicto. Em março de 2016, o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia considerou que não encontrou provas suficientes para condená-lo pela limpeza étnica na Bósnia, crime do qual foi acusado. Segundo o órgão (p. 1303):

No que diz respeito à evidência apresentada neste caso em relação a Slobodan Milosevic e sua filiação ao JCE [Joint Criminal Enterprise (associação criminosa)], a Câmara recorda que ele compartilhou e endossou o objetivo político do Acusado [Radovan Karadzic, líder radical dos servo-bósnios] e a liderança serva-bósnia para preservar a Iugoslávia e prevenir a separação ou independência da BiH [Bósnia e Herzegovina] e cooperou estreitamente com o Acusado durante esse período [1990-início de 1992]. A Câmara também recorda que Milosevic providenciou assistência na forma de pessoal, provisões e armamentos para os servo-bósnios durante o conflito. Contudo, baseado na evidência anterior, a Câmara, no que diz respeito aos interesses divergentes que emergiram entre os servo bósnios e as lideranças sérvias durante o conflito e em particular, as repetidas críticas de Milosevic e sua desaprovação das políticas e decisões tomadas pelo Acusado e a liderança serva-bósnia, a Câmara não está satisfeita de que houve suficiente evidência apresentada neste caso para constatar que Slobodan Milosevic concordou com o plano comum.

 Importantes observações feitas sobre Milosevic também se encontram nas páginas 1035, 1241-1245,  1599-1599, 1896, 1903 e nota de rodapé 16612 (p. 2022) do mesmo documento.

Por outro lado, o ex-presidente croata Franjo Tudjman recebeu veredicto post mortem (ele faleceu em 1999) por ser corresponsável por crimes praticados na guerra. Quando da retomada da Krajina, em 1995, além da limpeza étnica de 150 mil servo-croatas, as tropas croatas atearam fogo nas aldeias sérvias e assassinaram centenas de idosos que permaneceram na cidade de Knin. Após esses acontecimentos, Tudjman afirmou à BBC: “Eu pensei que 70% dos sérvios permaneceriam. Eles veriam que a democracia croata protege os direitos civis. Os sérvios são os únicos culpados.”

Durante esse período de guerra, até 1999, a intolerância étnica foi o pretexto para a extrema violência que tomou conta da região. Foram contabilizadas, segundo as estimativas do Centro Internacional para a Justiça Transicional, mais de 140 mil mortes e 4 milhões de desalojados.

As guerras na antiga Iugoslávia estão muito longe de serem exclusivas da “barbárie de povos primitivos e não civilizados”, como prega a propaganda imperialista. Na verdade, esse argumento nunca passou de desculpa para manipular os conflitos étnicos na região a fim de dividi-la para conquistá-la e sugar seus recursos.

Para Jean-Arnault Dérens, essa foi a justificativa para dizer que os povos dos Bálcãs são os culpados pelo desencadeamento da 1ª Guerra Mundial: A Segunda Guerra Mundial, por sua vez, teria sido apenas uma consequência da primeira, e aí residiria a causa de todos os problemas da Europa no século XX. […] Retiram-se da leitura histórica, assim, ‘detalhes’ pouco importantes, como os choques imperialistas, o colonialismo, o fascismo, o nazismo. A fonte primeira de todos os males do século XX foi finalmente encontrada: é essa terra “ensopada de sangue” que constitui os Bálcãs.”

O autor também lembra que as alianças entre as potências na 1ª Guerra forçaram os povos dos Bálcãs a lutarem entre si: “Contudo, foi nas trincheiras da guerra de 1914 que, pela primeira vez na história, os jovens croatas e os jovens sérvios receberam ordens de matarem-se entre si: os primeiros vestiam o uniforme austro-húngaro, enquanto o governo dos segundos era aliado da França e da Grã-Bretanha.”

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A carnificina nos Bálcãs foi apoiada pela humanitária «comunidade internacional» https://strategic-culture.su/news/2025/11/18/a-carnificina-nos-balcas-foi-apoiada-pela-humanitaria-comunidade-internacional/ Tue, 18 Nov 2025 16:00:42 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=888942 Os anos 90 foram o auge da globalização e da propaganda hipócrita do imperialismo em torno da “comunidade internacional”, uma espécie de entidade sobrenatural homogênea que atua para o bem das pessoas do mundo todo.

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Os anos 90 foram o auge da globalização e da propaganda hipócrita do imperialismo em torno da “comunidade internacional”, uma espécie de entidade sobrenatural homogênea que atua para o bem das pessoas do mundo todo. Até hoje os jornais noticiam os feitos dessa “comunidade internacional”. Artigos do tipo “Comunidade internacional condena ataques terroristas do Hamas” ou “Comunidade internacional não reconhece eleições na Venezuela” são comuns. Essa “comunidade internacional” não é nada mais nada menos que os vampiros que sugam o sangue da raça humana – e seus vassalos, para aparentar uma grande quantidade de nações.

Enquanto toda a carnificina ocorria nos Bálcãs, a “comunidade internacional”, garantidora da paz e dos direitos humanos no mundo, não fez nada para evitar os conflitos. Só depois de mortes incontáveis de civis sérvios, croatas e eslovenos é que a “comunidade internacional” mediou o encerramento das primeiras guerras. A Força de Proteção das Nações Unidas (UNPROFOR), criada em 1992 pelo Conselho de Segurança, resolveu enviar 14 mil homens para Sarajevo, antes da guerra que teve nessa cidade os seus piores momentos.

Seguindo o exemplo da Eslovênia e da Croácia, a Bósnia (que tinha 4,3 milhões de habitantes, dos quais 44% eram muçulmanos, 31% sérvios e 17% croatas) foi a próxima a se separar da Iugoslávia pela luta armada. Sua independência foi aprovada em plebiscito por croatas e muçulmanos em 29 de fevereiro e 1º de março de 1992, mas os sérvios da Bósnia boicotaram as duas votações e criaram sua própria república, na região leste de Sarajevo.

Eles foram apoiados pelas forças militares iugoslavas, e começaram a atacar a partir das montanhas, no mesmo dia em que a Comunidade Europeia reconheceu a Bósnia como país independente. Nos dias anteriores, já haviam ocorrido confrontos violentos entre bósnios e servo-bósnios. Inclusive a população civil bósnia havia ido às ruas se manifestar pela queda do governo e a união da Iugoslávia novamente socialista.

Começava assim o cerco de Sarajevo, que durou quase quatro anos: de 5 de abril de 1992 a 29 de fevereiro de 1996. Estima-se que o número de vítimas fatais do cerco tenha chegado a mais de 14 mil, metade, pelo menos, civis, das quais 1.500 crianças.

Após pouco tempo de união entre croatas-bósnios e muçulmanos, eles passaram a ser inimigos (com o apoio militar de Zagreb para os croatas-bósnios), assim como milícias muçulmanas passaram a atuar contra o próprio governo bósnio, muçulmano. Os servo-bósnios, por meio das milícias ultranacionalistas, também começaram a enviar os muçulmanos para campos de prisioneiros e centros de estupros coletivos. A imprensa divulgava fotografias comparando os prisioneiros com os judeus nos campos de concentração nazistas. No entanto, os servo-bósnios não foram os únicos a cometer tais barbaridades: os croatas-bósnios também mantinham muçulmanos em campos de concentração.

Um dos campos de extermínio mantidos pelos servo-bósnios foi o de Omarska, no município de Prijedor, cujo destino da maioria dos 5.400 croatas bósnios e muçulmanos mortos ou desaparecidos nessa cidade foi decidido ali. Em Srebrenica, um enclave muçulmano localizado dentro da República Srpska (região de maioria sérvia que decretou independência da Bósnia), 8 mil bósnios muçulmanos do sexo masculino foram assassinados.

Mas os muçulmanos também praticaram massacres e limpezas étnicas, em Vitez e na Herzegovina, além de destruição de propriedades e igrejas de sérvios e croatas.

Os croatas, por outro lado, mesmo depois de terminada oficialmente a guerra dentro da Croácia, continuaram combatendo os sérvios que resistiam na Krajina. O exército croata contou com a ajuda do governo dos Estados Unidos para reconquistar a região em maio de 1995 e realizar a maior limpeza étnica da guerra: 150 mil sérvios étnicos foram obrigados a se deslocar para a Sérvia. Essa operação fez parte dos esforços dos EUA para reconciliar croatas e bósnios, que contou também com o cessar-fogo bilateral e a formação, em março de 1994, da Federação da Bósnia e Herzegovina, entidade que reúne bósnios e croatas dentro do Estado bósnio até os dias atuais.

A intervenção dos EUA e da “comunidade internacional” já vinha sendo realizada aos poucos durante a Guerra da Bósnia, sobretudo na organização de planos para uma nova divisão territorial sob o controle do imperialismo.

Em agosto de 1995, a OTAN interveio diretamente no conflito, bombardeando as forças servo-bósnias que cercavam Sarajevo. Então os milicianos começaram a retirada, também por pressão das Nações Unidas. Finalmente, os Acordos de Dayton, que começaram nos EUA com todas as partes envolvidas, foram assinados em dezembro de 1995 em Paris, iniciando a retirada militar sérvia da Bósnia.

Entretanto, houve também “apoio encoberto pelo aparelho militar e de inteligência dos EUA” a organizações terroristas islâmicas na Bósnia, de acordo com Michel Chossudovsky. Um relatório de 1997 do Comitê do Partido Republicano do Congresso dos EUA revelou a colaboração entre militares estadunidenses e terroristas na ocasião.

Já em março de 1991, durante a separação da Croácia, o ministro da Defesa da Iugoslávia, general Veljko Kadijevic, havia denunciado que potências estrangeiras estavam por trás da desintegração do país: “Um insidioso plano tem sido elaborado para destruir a Iugoslávia. A primeira etapa é a guerra civil. A segunda é a intervenção estrangeira. Então regimes fantoches serão instalados por toda a Iugoslávia.” Uma premonição que se concretizou. Não era muito difícil de prever tal desfecho…

“De fato, durante a guerra na Bósnia inspectores de armamento americanos estavam trabalhando com operativos da Al Qaeda, trazendo grandes quantidades de armas para o Exército Muçulmano Bósnio”, lembra Chossudovsky, acrescentando que também houve ligações entre unidades militares de inteligência dos EUA e a Al Qaeda no Kosovo (1998-99) e na Macedônia (2001).

Mike Springmann, um dos ex-chefes da CIA, revelou no início de 2016 à Sputnik que combatentes treinados pelos EUA atuaram na Iugoslávia. Robert Baer, ex-agente da CIA que trabalhou na Iugoslávia entre 1991 e 1994, também fez fortes revelações à mídia bósnia. Segundo declarou ao site Web Tribune, em janeiro de 1991 ele desembarcou na Bósnia junto com outros três agentes: “Nossa tarefa era dirigir a atenção e espalhar o pânico entre os políticos na Bósnia, nós enchemos suas mentes com os ataques sérvios [de um suposto grupo radical, que na verdade nunca existiu]”. Logo depois, Baer foi para a Eslovênia, após este país ter declarado independência da Iugoslávia.

“Nós demos dinheiro, alguns milhões de dólares, para financiar várias ONGs, partidos de oposição e vários políticos que inflamaram o ódio”, declarou. Ele denunciou que conselheiros e membros do governo da Iugoslávia, além de generais sérvios, jornalistas e formações militares foram pagos pela CIA em esquemas de propaganda para destruir a Iugoslávia. O ex-agente citou os então presidentes Franjo Tudjman, da Croácia e Alija Izetbegovic, da Bósnia, e Stipe Mesic, dirigente croata que mais tarde assumiu a presidência de seu país.

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A secessão da Croácia e da Eslovênia: prelúdio para a Guerra da Bósnia https://strategic-culture.su/news/2025/11/15/a-secessao-da-croacia-e-da-eslovenia-preludio-para-a-guerra-da-bosnia/ Sat, 15 Nov 2025 15:27:58 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=888887 Este artigo recorda o processo de separação da Croácia e da Eslovênia da Federação Iugoslava como preparação para a independência da Bósnia, um golpe duríssimo contra a união dos eslavos do sul.

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Exatos 30 anos depois do Acordo de Dayton que encerrou a Guerra da Bósnia, este artigo recorda o processo de separação da Croácia e da Eslovênia da Federação Iugoslava como preparação para a independência da Bósnia, um golpe duríssimo contra a união dos eslavos do sul.

No final dos anos 80, diante do apodrecimento dos regimes burocráticos do leste europeu, elementos capitalistas e fascistas souberam se aproveitar da situação para, em conluio com o imperialismo, transformar os Estados Operários implodidos em nações capitalistas sob o total controle dos monopólios.

Na Iugoslávia, esses elementos, sobretudo das de regiões não sérvias (mais distantes do aparelho do Estado), atuavam clandestinamente para usar a crise econômica como justificativa para implementar reformas que iriam no sentido de acabar com o controle do Estado pela burocracia originada da classe operária e entregá-lo à burguesia. Contaram com a aliança – mais ainda, com a liderança –, para esse empreendimento, dos próprios burocratas do Estado iugoslavo, a começar pelos croatas e eslovenos. Eles encabeçaram as reformas que iniciaram o processo de separação do resto do país. Finalmente, em 25 de junho de 1991, seis meses depois de um referendo, a Eslovênia declarou sua independência. No mesmo dia, a Croácia fez o mesmo.

O governo central da Iugoslávia não reconheceu as separações. Slobodan Milosevic, ex-presidente da Liga dos Comunistas da Sérvia e eleito presidente da república da Sérvia em 1989, representava um setor da burocracia que pretendia manter o controle do Estado centralizado na Sérvia. Como essa estratégia ia ao encontro dos interesses das massas, que viam o resultado das privatizações em outros países da Europa Oriental e não queriam o desmantelamento das conquistas da revolução da década de 1940, Milosevic obteve grande popularidade dentro da Sérvia e sobretudo entre os sérvios das outras repúblicas autônomas.

A guerra na Eslovênia começou quando o Exército Popular Iugoslavo moveu seus homens para recuperar suas posições retiradas pelos eslovenos nas fronteiras com a Itália e a Áustria. No entanto, dez dias depois, um cessar-fogo acordado junto à Comunidade Europeia pôs fim às hostilidades. Nos dez dias de guerra, 45 eslovenos morreram, com número maior de vítimas do lado do exército iugoslavo.

Para não correr mais riscos de perda do controle político, Milosevic adotou a posição de focar na união dos sérvios de toda a Iugoslávia. Assim, a Sérvia acabou recusando a tentativa da Federação de intervir na Eslovênia para estabelecer a ordem, pois a nova república autoproclamada quase não tinha sérvios vivendo em seu território, apesar de uma manifestação sérvia a favor da união da Iugoslávia ter sido reprimida pela polícia eslovena menos de dois anos antes.

Na Croácia, a situação tornou-se muito mais complicada. Dos 4,7 milhões de habitantes na época, 581 mil (12,2%) eram sérvios. Desde 1990 ocorriam tensões armadas envolvendo a rebelde Croácia e a Iugoslávia. Com o conhecimento público de que a burocracia croata pretendia se separar da federação, não se reconhecendo mais parte da Iugoslávia, os habitantes sérvios da Croácia resolveram não reconhecer o governo croata como seu. Em agosto desse mesmo ano, a Krajina, habitada majoritariamente por sérvios, proclamou-se região autônoma e pretendia se unir aos sérvios das outras regiões da Iugoslávia.

A minoria sérvia da Croácia temia uma imensa repressão pelo novo governo, pois ainda lembrava dos massacres perpetrados pelos ustashe na 2ª Guerra. O temor era justificado ainda mais porque o presidente do país era o notório extremista Franjo Tudjman, quem, em 1989, lançara livro negando o genocídio da milícia fascista contra os sérvios e judeus, e que depois destruiu um monumento às vítimas do fascismo.

O governo croata, para frear o impulso separatista dos sérvios, tentou reprimi-los. No entanto, o exército iugoslavo interveio, pressionado principalmente pela burocracia sérvia de Belgrado. Começava mais uma guerra, que durou seis meses, sendo encerrada por um acordo em janeiro de 1992. Os pontos mais importantes desta guerra foram os cercos de Vukovar e Dubrovnik e a constituição de milícias fascistas, além dos primeiros sinais de uma intervenção mais evidente da chamada “comunidade internacional” pelo desmembramento da Iugoslávia.

Vukovar, com 47% dos habitantes croatas e 32% sérvios, foi alvo de um cerco do exército iugoslavo que durou três meses, com a intenção de proteger os habitantes sérvios. Mas o que se viu, ao término do cerco, em novembro de 1991, foi a “primeira grande ‘limpeza étnica’ realizada pelos sérvios” nas guerras da Iugoslávia: 31 mil croatas deportados, além de centenas de mortos, entre civis e guardas (a Croácia ainda não tinha exército).

Por outro lado, Dubrovnik, que não tinha quase nenhum habitante sérvio, ficou sitiada durante oito meses pelas tropas iugoslavas, até maio de 1992. O saldo final de 88 civis, 94 combatentes croatas e 165 soldados iugoslavos mortos não foi dos mais negativos, mas 15 mil pessoas foram obrigadas a se deslocar para a cidade a partir das regiões próximas, que também foram atacadas, e depois para locais mais distantes e seguros.

As guerras dos anos 1990 nas ex-repúblicas iugoslavas viram também o surgimento de diversas milícias criminosas e fascistas. Como citado acima, a Croácia, assim como as demais repúblicas que se separaram, de início não tinham exército próprio. As forças oficiais que existiam eram as polícias que, com a guerra, tornaram-se guardas nacionais. Os partidos políticos, como a União Democrática Croata (HDZ) de Franjo Tudjman, também tinham as suas milícias. Facções criminosas também formavam sua milícia para cometer atos de banditismo, roubo e contrabando, aproveitando-se do clima de caos generalizado.

No próximo artigo, veremos como o aparato estatal em formação ou em reformulação nas repúblicas iugoslavas atuou em conjunto com milícias fascistas e criminosas nos crimes que depois foram atribuídos pelo imperialismo apenas aos sérvios – e para os quais o financiamento, armamento, treinamento e encobrimento diplomático do próprio imperialismo foi um fator determinante.

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This is where the tallest and shortest people live https://strategic-culture.su/news/2025/07/31/this-where-tallest-and-shortest-people-live/ Thu, 31 Jul 2025 20:03:43 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=886810 This infographic compares the average heights of men and women across the globe, ranking the top 10 tallest and bottom 10 shortest countries. Explore how genetics, nutrition, and socioeconomic factors shape these differences—and which nations have seen the most dramatic changes over time. From towering averages in Northern Europe to shorter statures in parts of Asia and Africa, discover the trends defining human height worldwide.

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La violazione sistematica del principio della “sicurezza collettiva” rischia di riaccendere il focolaio balcanico https://strategic-culture.su/news/2025/04/22/la-violazione-sistematica-del-principio-della-sicurezza-collettiva-rischia-di-riaccendere-il-focolaio-balcanico/ Tue, 22 Apr 2025 10:00:15 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=884815 Il principio di autodeterminazione dei popoli, invocato in passato per estendere le frontiere della Nato e attualmente per istituire una coalizione “difensiva” albanese-croato-kosovara, ha ancora una volta prevalso su quello della “indivisibilità della sicurezza”.

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Nell’agosto del 1975, in piena Guerra Fredda, gli sforzi congiunti volti alla definizione di un’architettura di sicurezza europea culminarono con l’Atto Finale di Helsinki. Si tratta di un documento sottoscritto dai 35 Paesi – tra cui i membri della Nato e del Patto di Varsavia – che avevano partecipato alla Conferenza sulla Sicurezza e la Cooperazione, il cui punto nodale è indubbiamente rappresentato dal principio della “indivisibilità della sicurezza”. Locuzione difficilmente decifrabile di primo acchito, ma intesa sostanzialmente a qualificare la sicurezza come diritto inalienabile di ciascun Paese firmatario, a prescindere dal tipo di alleanza militare in cui fosse inquadrato. Il concetto, rapidamente assurto a principio cardine della dottrina strategica su cui si è fondata la stabilità europea per almeno un quindicennio, è stato sussunto nel documento scaturito da vertice dell’Organizzazione per la Sicurezza e la Cooperazione in Europa (Osce) tenutosi nel 1999 a Istanbul, e sviscerato nei seguenti termini: «ogni Stato partecipante ha un uguale diritto alla sicurezza. Riaffermiamo il diritto intrinseco di ogni Stato partecipante di essere libero di scegliere o cambiare i propri accordi di sicurezza, compresi i trattati di alleanza, man mano che si evolvono. Ogni Stato ha anche il diritto alla neutralità. Ogni Stato partecipante rispetterà i diritti di tutti gli altri a questo riguardo. Non rafforzeranno la loro sicurezza a spese della sicurezza di altri Stati. All’interno dell’Osce nessuno Stato, gruppo di Stati o organizzazione può avere una responsabilità preminente per il mantenimento della pace e della stabilità nell’area dell’Osce o può considerare qualsiasi parte dell’area dell’Osce come propria sfera di influenza».

Significativamente, proprio nello stesso anno in cui sottoscrivevano la dichiarazione di Istanbul, i membri dell’Osce integrati nella Nato formalizzarono l’entrata nell’Alleanza Atlantica di Polonia, Ungheria e Repubblica Ceca. Quello che veniva a configurarsi come il primo allargamento della Nato del periodo post-bipolare risultava coerente con il contenuto di un documento redatto nel 1994 dal consigliere per la Sicurezza Nazionale Anthony Lake per conto del presidente Bill Clinton, in cui si caldeggiava l’integrazione nell’Alleanza Atlantica di gran parte dello spazio ex-sovietico, Paesi baltici e Ucraina compresi. Allo stesso tempo, però, l’accoglimento di nuovi membri europei nell’Alleanza Atlantica, istituita nel 1949 con l’obiettivo di «keep the Russians out, the Americans in, and the Germans down» (definizione coniata dal primo segretario generale dell’organizzazione, il britannico Lord Ismay), risultava del tutto inconciliabile con il principio della “indivisibilità della sicurezza”. Avvicinava infatti ai confini della Russia l’infrastruttura militare di un’organizzazione creata e sviluppatasi in opposizione all’Unione Sovietica, di cui la Russia aveva ereditato debito e apparato nucleare ma non l’approccio ideologicamente e geopoliticamente ostile all’Occidente. Le autorità di Mosca, a cui erano state fornite garanzie di senso contrario, avrebbero interpretato l’allargamento della Nato ad est come un atto ostile nei loro confronti, a cui opporre adeguate contromisure destinate inesorabilmente a intaccare la sicurezza collettiva nel quadrante europeo e condizionare la postura geostrategica del Paese. I primi a comprenderlo furono il segretario alla Difesa William Perry, il quale temeva che l’espansione ad est dell’Alleanza Atlantica avrebbe indotto Mosca a ripudiare il memorandum di Budapest del 1994, e, soprattutto, lo stratega ed ex diplomatico George F. Kennan. Già nel febbraio del 1997, il massimo architetto della dottrina del containment sottolineò chiaramente che la “spinta verso est” della Nato avrebbe «infiammato le tendenze nazionalistiche, anti-occidentali e militariste in seno all’opinione pubblica russa […]; rigettato le relazioni tra est e ovest nel clima della Guerra Fredda e orientato la politica estera di Mosca verso direzioni a noi sfavorevoli». Il successivo 31 luglio, di fronte alla formalizzazione dell’incorporazione di Polonia, Ungheria e Repubblica Ceca nella Nato, lo stesso Kennan annotava nel suo diario: «mi si spezza il cuore per quello che sta accadendo. Non riesco a intravedervi altro che una nuova Guerra Fredda, probabilmente destinata a trasformarsi in calda […]. Vedo anche una totale, tragica e assolutamente non necessaria fine di una accettabile relazione tra la Russia e il resto dell’Europa».

Conformemente alle previsioni di Kennan, la violazione del principio della “indivisibilità della sicurezza” consumata attraverso l’allargamento della Nato verso est ha alimentato un clima di tensione sospetto reciproco in cui sono maturate iniziative catastrofiche sotto il profilo strategico, quali il secondo intervento dell’Alleanza Atlantica in Jugoslavia; la destabilizzazione dello spazio ex-sovietico promossa da Washington attraverso le “rivoluzioni colorate”; il ritiro unilaterale degli Stati Uniti da ben tre trattati internazionali chiave (Abm, Inf e Open Skies). Le relazioni tra Russia e “Occidente collettivo” ne hanno inesorabilmente risentito, creando le condizioni per lo scoppio del conflitto in Ucraina – in cui il coinvolgimento della Nato è risultato schiacciante.

Nonostante questo colossale precedente, la spiccata propensione a costruire la propria sicurezza a spese dei propri vicini continua a riscontrarsi nel continente europeo. Lo dimostra il recente accordo per il rafforzamento della cooperazione in materia di difesa siglato lo scorso 18 marzo a Tirana tra i rappresentanti di Albania, Croazia e Kosovo. L’intesa, aperta anche alla Bulgaria, impegna i sottoscrittori a sviluppare capacità di difesa congiunte, sia sul piano industriale che in materia di aumento dell’interoperabilità. L’obiettivo ufficiale consiste nell’elaborare adeguate modalità di reazione alle “minacce ibride”, attraverso il rafforzamento della resilienza strategica e la moltiplicazione degli sforzi a sostegno dell’integrazione della difesa regionale ed euro-atlantica.

L’accordo matura sullo sfondo delle montanti tensioni in Bosnia Erzegovina, minacciata dalle spinte secessioniste che si irradiano dalla Repubblica Srpska. Il cui presidente Milorad Dodik è stato colpito, assieme al primo ministro Radovan Višković e al presidente dell’Assemblea Nazionale Nenad Stevandić da un mandato di arresto spiccato per “condotta anticostituzionale” dovuta alle tendenze separatiste dalla procura statale di Sarajevo. Per tutta risposta, Dodik ha rifiutato di riconoscere la legittimità del tribunale e invocato il sostegno di Mosca per uscire dall’impasse. Sebbene la situazione politicamente critica non sia degenerata – per il momento – in scontri militari e rappresenti una questione interna alla Bosnia Erzegovina, il ministro della Difesa albanese Pirro Vengu ha dichiarato che i tre Paesi firmatari «considerano le minacce al fragile contesto di sicurezza come una realtà condivisa. In questo contesto, il nostro impegno nello sviluppo delle nostre capacità di difesa è più forte che mai». Ciononostante, «questa cooperazione non minaccia nessuno». Difficile sostenerlo, specialmente alla luce delle affermazioni pronunciate sul punto dal ministro della Difesa kosovaro Ejup Maqedonci, il quale ha ventilato una presunta longa manus serba dietro l’attivismo di Dodik, e qualificato l’accordo di cooperazione militare appena raggiunto come «un messaggio rivolto a coloro che intendono minacciare la regione. Manifestiamo coesione e fermezza di fronte e a qualsiasi tentativo di destabilizzazione».

A dispetto alle assicurazioni verbali fornite dai firmatari, l’accordo di cooperazione assume una valenza smaccatamente ostile alla Serbia, già sottoposta a forti pressioni dall’Unione Europea affinché imponga sanzioni alla Russia e “assediata” dalla Nato, a cui va costantemente avvicinandosi il Kosovo grazie al sostegno di Albania e Croazia, membri attivi dell’organizzazione fin dal 2009. Per ottemperare agli standard Nato, le autorità kosovare stanno da tempo trasformando la forza di sicurezza nazionale in un vero e proprio esercito equipaggiato di tutto punto: «missili anticarro americani Tow e Javelin, Nlaw britannici, mortai da 81mm di produzione austriaca, veicoli blindati Otokar Cobra, Kirbi e Vuran e droni armati turchi Bayraktar Tb-2, veicoli corazzati ruotati M-1117  e 4×4 Humvee statunitensi». Senonché, il riarmo portato avanti da Pristina costituisce una palese violazione della risoluzione 1244 approvata nel 1999 Consiglio di Sicurezza delle Nazioni Unite, che proibisce la permanenza sul suolo kosovaro di qualsiasi forza armata diversa da Kfor (l’apposito contingente Nato). Allo stesso tempo, il Kosovo è legato alla Serbia da relazioni fortemente conflittuali: l’indipendenza dichiarata unilateralmente da Pristina nel 2008 non è mai stata riconosciuta da Belgrado, che considera la regione kosovara parte integrante del territorio nazionale governata da autorità illegittime responsabili di trattamenti smaccatamente discriminatori nei confronti della minoranza serba – finiti al centro di ricorrenti crisi regionali.

Miloš Vučević, primo ministro serbo ormai dimissionario, ha domandato sarcasticamente in cosa consista «l’interesse di due membri della Nato a intraprendere una cooperazione militare con “istituzioni non riconosciute” formate illegalmente su una parte del territorio serbo». Dichiarazioni dello stesso tenore sono state formulate dal presidente serbo Aleksandar Vučić, il quale ha identificato l’accordo di cooperazione siglato tra Tirana, Zagabria e Pristina come una «flagrante violazione dell’accordo subregionale sul controllo degli armamenti del 1996», destinata a produrre effetti altamente destabilizzanti a livello regionale. Vučić ha quindi aggiunto che «per noi, si tratta di una situazione difficile, ma abbiamo compreso il messaggio, e difenderemo il nostro Paese da ogni potenziale aggressore». In primo luogo, affinando il programma strategico di potenziamento e modernizzazione delle forze armate. Secondariamente, consolidando la cooperazione militare con l’Ungheria, nel solco di un processo di avvicinamento in corso ormai da anni e formalizzato con un partenariato strategico esteso al settore della difesa. Più specificamente, ha precisato il Ministro della Difesa ungherese Kristóf Szalay-Bobrovniczky, «Ungheria e Serbia hanno i più forti legami bilaterali in materia di difesa e militare tra gli Stati non membri dell’Unione Europea o della Nato, e l’Ungheria sta contribuendo a potenziare le forze armate serbe […]. In base al nuovo accordo, i due Paesi organizzeranno 79 programmi congiunti nel 2025 […]. L’Ungheria si impegna a mantenere la stabilità e la pace nei Balcani occidentali, e la Serbia è fondamentale».

Il principio di autodeterminazione dei popoli, invocato in passato per estendere le frontiere della Nato e attualmente per istituire una coalizione “difensiva” albanese-croato-kosovara, ha ancora una volta prevalso su quello della “indivisibilità della sicurezza”. Ieri come oggi, l’iniziativa multilaterale mossa in funzione di un nemico più o meno dichiarato spinge quest’ultimo a tutelarsi, attraverso misure di bilanciamento che accrescono inesorabilmente le tensioni in essere deteriorando l’equilibrio strategico areale. Con tutte le implicazioni di sorta.

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La situazione nei Balcani continua a surriscaldarsi pericolosamente https://strategic-culture.su/news/2025/03/27/la-situazione-nei-balcani-continua-surriscaldarsi-pericolosamente/ Thu, 27 Mar 2025 13:30:48 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=884304 Gli eventi in Bosnia ed Erzegovina continuano ad aggravarsi, ma non solo lì, ma in tutti i Balcani, si stanno verificando importanti movimenti

Segue nostro Telegram.

Dopo l’aumento delle tensioni in Bosnia-Erzegovina, dove la procura federale di Sarajevo ha chiesto l’arresto di Milorad Dodik, leader dell’entità serba del Paese, lo scorso 13 marzo è intervenuto Stéphane Dujarric, portavoce del Segretario generale delle Nazioni Unite, ribadendo il suo appello alla moderazione: “Invitiamo tutti i leader politici a sostenere pienamente e facilitare il lavoro delle istituzioni statali per consolidare la pace e garantire la stabilità”.

Tuttavia, la situazione sta continuando pericolosamente a surriscaldarsi, a causa delle pressioni contrapposte.

Dopo una sessione maratona di due giorni, l’Assemblea nazionale della Republika Srpska (RS) ha adottato una nuova bozza di costituzione e un nuovo progetto di legge sulla protezione dell’ordine costituzionale interno. Entrambi i decreti mirano ad affermare una maggiore autonomia per la Repubblica serba di Bosnia, creando istituzioni separate, tra cui un esercito e una magistratura, e contenendo disposizioni per l’autodeterminazione e il diritto di formare confederazioni con altri Paesi, con evidente riferimento alla futura unione tra Banja Luka e Belgrado.

L’Ufficio dell’Alto Rappresentante, OHR, che supervisiona l’attuazione degli accordi di pace che hanno posto fine alla guerra del 1992-95 in Bosnia, ha criticato il progetto di legge, affermando che “costituisce una grave violazione dell’Accordo di pace di Dayton e del quadro costituzionale della Bosnia ed Erzegovina, aprendo nuovi casi di responsabilità penale per coloro che compiono queste azioni”.

In risposta, l’Assemblea della RS ha approvato leggi che vietano alla procura statale, al tribunale, all’Agenzia statale per le indagini e la protezione (SIPA) e all’Alto consiglio giudiziario e della Procura di Sarajevo di esercitare la giurisdizione nella Repubblica Serba. Tra le altre cose, si stabilisce che l’Assemblea nazionale e il Governo della Srpska possono sospendere l’attuazione di qualsiasi atto, misura o attività delle istituzioni a livello della Federazione Bosniaca che non abbia una base nella Costituzione della Bosnia Erzegovina (BiH). Le leggi che non rientrano nella giurisdizione esclusiva della BiH o che non derivano da accordi tra entità non avranno effetto giuridico in Srpska. È previsto che le leggi approvate dall’Assemblea parlamentare della Bosnia-Erzegovina saranno applicate in Srpska solo dopo essere state confermate dall’Assemblea nazionale della Repubblica serbo-bosniaca.

La bozza della nuova Costituzione sarà sottoposta a 30 giorni di discussione pubblica prima di essere inviata all’Assemblea serbo-bosniaca per la votazione finale. Essa stabilisce inoltre che Banja Luka sarà la capitale della Republika Srpska, mentre Sarajevo Est, con il suo centro amministrativo a Pale, riceverà lo status di sede del governo. Le disposizioni fondamentali definiscono la Republika Srpska come un’entità costituzionale e giuridica sovrana, unificata e indivisibile, confermata dalla volontà del popolo e dall’Accordo quadro generale per la pace in Bosnia Erzegovina, come trattato internazionale, nonché dalla Costituzione della BiH. La Republika Srpska è definita come lo Stato del popolo serbo e di tutti i popoli e cittadini che vivono al suo interno, garantendo quindi le minoranze lì presenti.

Il disegno di legge, adottato con procedura d’urgenza, prevede in particolare l’azione penale per 21 reati, tra cui attacchi all’ordine costituzionale della Republika Srpska, minacce alla sua integrità territoriale, sabotaggio, spionaggio e mancato rispetto delle decisioni emesse dalle autorità della Repubblica. Inoltre, criminalizza “l’ostruzione della lotta contro il nemico”, “il servizio in un esercito nemico” e “l’aiuto al nemico”.

Nel frattempo, le autorità di Banja Luka hanno istituito una propria polizia di frontiera, mettendo fine alla commistione nella gendarmeria confinaria della Bosnia Erzegovina voluta dall’OHR.

Ma il domino balcanico non rischia di spezzarsi solo in Bosnia Erzegovina.

Dopo l’immensa manifestazione a Belgrado contro il Presidente serbo Vucic, Albania, Kosovo e Croazia hanno firmato una dichiarazione congiunta di cooperazione in materia di difesa. Intervenendo alla cerimonia della firma a Tirana, il Ministro della Difesa albanese Pirro Vengu ha sottolineato l’importanza di questa cooperazione di fronte alle attuali sfide regionali: “In un ambiente di sicurezza fragile, condividiamo una valutazione comune delle minacce. Il nostro impegno per rafforzare le capacità di difesa è più forte che mai”, ha affermato. Il Ministro della Difesa croato Ivan Anusic e il suo omologo kosovaro Ejup Maqedonci hanno descritto la dichiarazione come un passo significativo verso il rafforzamento della sicurezza e della stabilità regionale, nonché verso il miglioramento delle capacità di affrontare rischi e sfide comuni. La dichiarazione congiunta sottolinea inoltre l’impegno dell’Albania e della Croazia, entrambi Stati membri della NATO, nel sostenere le aspirazioni del Kosovo alla piena integrazione nelle strutture regionali ed euro-atlantiche. Il Primo Ministro del Kosovo Albin Kurti ha accolto con favore l’accordo, definendolo “un passo estremamente importante per la sicurezza e la pace nella regione”. Questa cooperazione trilaterale, hanno concluso i firmatari dell’intesa, riflette la crescente partnership strategica tra i tre Paesi, sottolineando la collaborazione militare, la stabilità regionale e gli obiettivi di sicurezza condivisi.

Vucic, preoccupato che anche la Bulgaria possa unirsi a questo formato difensivo, ha naturalmente subito domandato contro chi sia rivolta tale alleanza, intuendone la natura preventiva rispetto alle sue intenzioni di giocare la carta del nazionalismo in Republika Srpska e in Kosovo e Metohija per uscire dall’impasse interna.

Belgrado si è opposta alla mossa, sostenendo che Albania e Croazia, insieme al “rappresentante illegittimo delle istituzioni temporanee di autogoverno di Pristina”, hanno adottato misure che compromettono la stabilità regionale: “La Repubblica di Serbia, in quanto garante della pace e della neutralità militare nei Balcani, esige giustamente risposte sulla natura e sugli obiettivi di questa cooperazione in materia di sicurezza”, secondo quanto riportato dal Ministero degli Esteri. La Serbia ha avvertito che la creazione di un’alleanza militare senza consultare Belgrado è preoccupante, soprattutto considerando il coinvolgimento del Kosovo, che la Serbia non riconosce come Stato indipendente.

Evidentemente incoraggiata dalla NATO, alla condanna di Belgrado è seguita quella di Pristina. Il Ministero degli Esteri del Kosovo ha reagito affermando di considerare la dichiarazione del Ministero degli Esteri serbo non solo come “aggressiva e minacciosa”, ma anche come una palese violazione dell’accordo di Bruxelles “che stabilisce chiaramente che la Serbia non ostacolerà le relazioni internazionali del Kosovo e non affermerà di parlare a nome del Kosovo nelle relazioni con altri Stati e organizzazioni”. Secondo le autorità kosovare, “la Serbia resta la più grande minaccia alla sicurezza regionale”.

Dopo aver oscillato per lungo tempo tra opposte pressioni nella speranza che l’arrivo di Trump alla Casa Bianca potesse rafforzarlo, sembra ora che il tempo per Vucic stia per scadere e a breve il Presidente serbo dovrà definitivamente chiarire l’orientamento geopolitico del proprio Paese.

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Who breached promises – NATO or Russia? https://strategic-culture.su/news/2025/03/15/who-breached-promises-nato-or-russia/ Sat, 15 Mar 2025 17:00:11 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=884087

Albania and Croatia became official members in April 2009, followed by Montenegro in June 2017.

By Imtiaz GUL

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With NATO’s expansion and Europe’s push to militarise Ukraine, history’s forgotten promises resurface – was Russia the real violator, or has the West rewritten the rules? And at what cost to Europe’s future?

Speaking to media after the Euro-Summit on Ukraine in London (March 2), British Prime Minister Keir Starmer made a critical, albeit dubious, point about a possible “breach” of a deal by Russia. He said, “We cannot accept a weak deal like Minsk – which Russia can breach with ease.”

By linking the word “breach” to Russia, Starmer implied that the latter has often violated agreements, suggesting that Europe must work to put Ukraine in a strong negotiating position. However, this dubious insinuation belies history. In 2017, the National Security Archive at George Washington University declassified 30 documents related to commitments and assurances made by Western leaders to Russia in 1990, when the fall of the Berlin Wall appeared imminent.

No major Western media outlet ever reported on or referenced these documents, noted authors Svetlana Savranskaya and Tom Blanton in a study published for NATO Watch in January 2018.

Let us examine the historical record to determine who actually breached commitments.

Starmer’s statement reminds us of American international relations experts such as Prof Jeffrey Sachs and Prof John Joseph Mearsheimer. Both call out the West for its unilateral critique of Russia without context. They have long argued that NATO’s relentless eastward expansion – after Moscow dismantled Warsaw Pact – triggered security alarms in Moscow. It was, in fact, a continuous US-led NATO strategy to create a sort of “ring of fire” around Russia and China.

Military bases in the South China Sea region and the eastern Pacific Rim (Japan, Koreas, the Philippines, Australia and others) served as a bulwark against China. Similarly, in Eastern Europe, the continuous accession of multiple Baltic states projected NATO’s power eastward, eventually forcing Russia to respond by taking Crimea in 2014. More importantly, historical evidence suggests that it was NATO that breached its promises to Moscow.

The declassified documents revealed a torrent of assurances about Soviet security given by Western leaders to Mikhail Gorbachev and other Soviet officials throughout the process of German unification in 1990 and into 1991, according to a NATO Watch paper, published on January 2, 2018.

President George HW Bush had assured President Gorbachev during the Malta Summit in December 1989 that the US would not take advantage of the revolutions in Eastern Europe to harm Soviet interests, stating, “I have not jumped up and down on the Berlin Wall.”

The first concrete assurance came on January 31, 1990 when West German Foreign Minister Hans-Dietrich Genscher made a major public speech in Tutzing, Bavaria, on German unification. He said, “The changes in Eastern Europe and the German unification process must not lead to an impairment of Soviet security interests. Therefore, NATO should rule out an expansion of its territory towards the east, i.e., moving it closer to the Soviet borders.”

In February 1991, then-US Secretary of State James Baker assured his Soviet counterpart, Eduard Shevardnadze, that in a post-Cold War Europe, NATO would no longer be belligerent – “less of a military organization, much more of a political one, with no need for independent capability.”

He promised Shevardnadze “iron-clad guarantees that NATO’s jurisdiction or forces would not move eastward.” On the same day in Moscow, Baker famously told Gorbachev that the alliance would not move “one inch to the east.”

In a meeting with Gorbachev the following day (February 10), German Chancellor Helmut Kohl reiterated the same assurance: “We believe that NATO should not expand the sphere of its activity. We have to find a reasonable resolution. I correctly understand the security interests of the Soviet Union.”

According to the NATO Watch paper, “The documents show that multiple national leaders were considering and rejecting Central and Eastern European membership in NATO as of early 1990 and through 1991. Discussions of NATO in the context of German unification negotiations in 1990 were not at all narrowly limited to the status of East German territory. Subsequent Soviet and Russian complaints about being misled over NATO expansion were founded on written contemporaneous memos and telephone conversations at the highest levels.”

The declassified documents list Bush Senior, Genscher, Kohl, CIA Director Robert Gates, French President Mitterrand, British PMs Thatcher and John Major, and NATO secretary-general Manfred Woerner.

Their assurances against NATO expansion evaporated into thin air in 1997 when Poland, the Czech Republic and Hungary were invited into NATO, followed by formal accession of Bulgaria, Estonia, Latvia, Lithuania, Romania, Slovakia and Slovenia on March 29, 2004.

Albania and Croatia became official members in April 2009, followed by Montenegro in June 2017. The Republic of North Macedonia joined in March 2020, Finland in April 2023, and Sweden in March 2024.

The documents released by the GWU archives echoed the criticism by former CIA Director Robert Gates, who warned against “pressing ahead with the expansion of NATO eastward [in the 1990s], when Gorbachev and others were led to believe that wouldn’t happen.”

It is the latter-day Western leaders who have breached their commitment not to pursue NATO’s eastward enlargement. The mainstream Western media also contributed to the falsification of historical facts by consistently demonising Russia – projecting it as an encroaching monster.

The Euro-Summit in London and its four-point declaration on Ukraine represent yet another attempt to enforce the permanent militarisation of the Ukraine-Russia border.

Without the US military’s involvement in this coalition the efficacy of the declaration remains doubtful. Further militarisation of Ukraine could lead to the hemorrhaging of Western European economies and deepen political divisions leading to far-reaching consequences.

As the Euro-Summit’s latest declarations pave the way for further escalation, it is worth asking: How much longer can 32-member NATO dismiss its own role in fueling tensions? And, more importantly, what price will Europe pay for ignoring the lessons of history?

Original article: tribune.com.pk

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