Inacio Lula da Silva – Strategic Culture Foundation https://strategic-culture.su Strategic Culture Foundation provides a platform for exclusive analysis, research and policy comment on Eurasian and global affairs. We are covering political, economic, social and security issues worldwide. Wed, 04 Mar 2026 15:29:10 +0000 en-US hourly 1 https://strategic-culture.su/wp-content/uploads/2023/12/cropped-favicon4-32x32.png Inacio Lula da Silva – Strategic Culture Foundation https://strategic-culture.su 32 32 Falando grosso com o Irã e fino com os EUA https://strategic-culture.su/news/2026/03/04/falando-grosso-com-o-ira-e-fino-com-os-eua/ Wed, 04 Mar 2026 15:29:10 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=890943 Toda essa entrega política vai ser suficiente para que o imperialismo e os seus lacaios no Brasil aceitem mais quatro anos de Lula e do PT no governo.

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Em 2007, após Evo Morales nacionalizar o gás e o petróleo bolivianos, incluindo propriedades da Petrobras, Lula respondeu às pressões da direita brasileira, anticomunista e vassala do imperialismo, inimiga da integração latino-americana: “o Brasil não fala grosso com a Bolívia e fino com os Estados Unidos.”

Aquela frase resumia as pretensões nacionalistas de um segundo governo do PT, que naquele momento, já tendo passado por experiências de administração do Estado burguês, sentia-se relativamente livre das amarras dos partidos pró-imperialistas, uma vez que a chegada de Lula ao governo levou a um crescimento gigantesco do partido dentro das máquinas públicas regionais e a uma força que jamais havia alcançado no Congresso Nacional.

O PT iniciava o seu melhor momento institucional. Nas eleições gerais de 2006, por pouco Lula não vencera no primeiro turno e derrotou Alckmin com 60% dos votos no segundo turno. O PT tinha a segunda maior bancada do Congresso Nacional e a presidência da Câmara. Era o terceiro partido com o maior número de governadores (com dois a menos que o PMDB e um a menos que o PSDB). Em 2008, seria o terceiro partido com o maior número de prefeituras municipais.

Além disso, na política externa Lula era amigo de Bush e estava rodeado por governos de esquerda, inclusive alguns apoiados por intensas mobilizações populares, como o do próprio Morales, ou os de Chávez e Correa. O ciclo das commodities impulsionava a economia brasileira, que viria a crise de 2008 como uma mera “marolinha”, nas palavras de Lula.

Contudo, após a marolinha, veio a tempestade. A crise demorou mais para chegar ao Brasil graças ao bom momento no mercado internacional de matérias-primas, mas finalmente ela chegou. O imperialismo abandonou a política da boa vizinhança e passou a derrubar os governos nacionalistas da América Latina. O PT não foi exceção e, para isso, a direita golpista foi acionada, gestando a extrema-direita bolsonarista.

A crise da Covid-19, o desastre do governo Bolsonaro para a própria burguesia e a mobilização dos trabalhadores trouxeram Lula e o PT de volta ao governo em 2022. Mas o estrago já estava feito e não foi consertado: após o golpe de 2016, a natureza mesma do PT, um partido reformista e institucional, o fez se integrar totalmente ao regime político e com isso sofrer com a crise desse regime. A política do PT, de alianças e resgate dos políticos falidos, impossibilitou que ele colhesse devidamente os frutos da vitória eleitoral.

Lula voltou com as mãos mais atadas e mais apertadas do que nunca. Voltou como um refém do regime e de suas instituições apodrecidas. Nem sequer arrisca uma maior independência, como havia feito vinte anos atrás. Nem mesmo quando teve a oportunidade, diante da queda do Partido Democrata e da vitória de Trump. Pelo contrário: a sedução democrata deu lugar ao porrete trumpista e, com medo das tarifas, por um lado, e da chantagem do STF, vítima de sanções, por outro, cedeu vergonhosamente às exigências do imperialismo americano.

Lula não passou do chororô diante do genocídio praticado por Israel contra os palestinos. Rompeu com o governo sandinista da Nicarágua, seu aliado histórico. Barrou a entrada da Venezuela no BRICS, não reconheceu a vitória eleitoral de Maduro e se calou perante os bombardeios e o sequestro do líder venezuelano, e nada faz para ajudar a Cuba ainda mais asfixiada por Trump – antes tachado de fascista, extremista, misógino, homofóbico, xenófobo, mentiroso, lunático e por aí vai. Como num conto de fadas, Lula se encantou com o monstro: “foi amor à primeira vista.”

A nota oficial do governo brasileiro quando da agressão imperialista ao país vizinho nem sequer mencionou os Estados Unidos e Trump como responsáveis pela ação e chamou o sequestro de Maduro de “captura” – como se ele fosse um criminoso.

A mesma covardia da diplomacia brasileira se repete com a guerra desencadeada pelo imperialismo e o sionismo contra o Irã. Em nota inicial, o Itamaraty afirmou: “o governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/02) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã.” Porém, em nota seguinte, condenou a retaliação iraniana aos alvos legítimos dos Estados Unidos dentro dos países artificiais governados por monarquias satélites chamados de “Estados do Golfo”. A nota ainda afirmou que o governo brasileiro “se solidariza” com os países “objetos de ataques retaliatórios do Irã” – uma nota muito mais crítica ao Irã do que a anterior foi a Estados Unidos e Israel, não mencionando esses dois países, que iniciaram a guerra, e se solidarizando com os atingidos pelo Irã, enquanto na primeira nota não expressa nenhuma palavra de solidariedade a Teerã.

É a inversão da política “ativa e altiva” pregada tradicionalmente por Lula e o PT. Com medo de perder seus assentos governamentais, ministeriais e parlamentares, o PT está falando grosso com os países pobres, indefesos e agredidos e fino com os que os oprimem.

Para piorar, Lula tem um encontro marcado com Trump para o meio do mês, na Casa Branca. Pode ser que a guerra contra o Irã escale ainda mais e o governo dos Estados Unidos suspenda o encontro. Mas já se diz que, se isso não ocorrer, Lula irá a Washington se reunir com Trump para cultivar as relações com a nação imperialista.

Resta saber se toda essa entrega política vai ser suficiente para que o imperialismo e os seus lacaios no Brasil aceitem mais quatro anos de Lula e do PT no governo – o centro dos esforços da direção petista, em seu vício eleitoreiro e carguista, em sua paixão pelos privilégios garantidos a quem integra a máquina pública, máquina de enganar e explorar o público.

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Una reelección difícil: vulnerabilidades del oficialismo brasileño https://strategic-culture.su/news/2026/02/26/una-reeleccion-dificil-vulnerabilidades-del-oficialismo-brasileno/ Thu, 26 Feb 2026 19:45:37 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=890812 Tanto en público como en privado, petistas y sectores oficialistas se muestran optimistas respecto a la reelección de Lula.

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A finales de este año, Brasil celebrará elecciones generales. En público, el optimismo sobre la reelección del presidente Lula es prácticamente unánime entre los miembros del PT y los sectores más leales al gobierno. En privado, ese optimismo sigue predominando, pero ya no es absoluto. Existen preocupaciones sobre la manera en que el gobierno y el PT están gestionando las controversias que involucran al presidente.

Lo que inquieta a algunos sectores del PT son los escándalos políticos a nivel nacional, ampliamente difundidos por los medios de comunicación y explotados por los adversarios para intentar vincular directamente el nombre del presidente. Ya son tres escándalos consecutivos que han encendido la señal de alerta.

El primero fue el caso de corrupción en el INSS y la posibilidad de que Lulinha, hijo de Lula, fuera convocado a declarar ante la Comisión Parlamentaria Mixta de Investigación (CPMI) en diciembre de 2025. Eso finalmente no ocurrió, lo que representó una victoria para el gobierno. Sin embargo, fue una victoria parcial: el simple hecho de que el nombre de su hijo apareciera en el caso ya perjudica a Lula, reforzando su asociación con la corrupción y consolidando prejuicios en el electorado de derecha y centroderecha.

Pero no solo su hijo podría estar implicado. Su hermano, Frei Chico, fue uno de los primeros nombres mencionados cuando se destapó el escándalo en el INSS. Incluso el propio Lula podría llegar a ser mencionado en alguna investigación, dado que parte de la corrupción habría ocurrido durante su tercer mandato. Ese temor existe dentro del PT, y por eso ningún parlamentario del partido firmó la solicitud para crear la CPMI.

Aunque Lula no tenga ninguna implicación real en el escándalo, dentro del partido se sabe que investigaciones, declaraciones, pruebas y noticias pueden ser distorsionadas o manipuladas por actores interesados en comprometerlo, ya sea desde dentro de los esquemas investigados o desde las propias instituciones. Miembros de la Policía Federal, del Congreso o de la prensa podrían desempeñar ese papel. Esto ya ha ocurrido en otras ocasiones, como en el Mensalão y en la Operación Lava Jato.

Además, aliados importantes de Lula también podrían verse involucrados. Este es otro motivo por el cual el PT no apoya una CPMI sobre el INSS: la presión de aliados dentro del Congreso Nacional. Si el partido respaldara la investigación, pondría en riesgo sus frágiles alianzas con el centrão. Lo mismo ocurre con la posibilidad de una CPMI sobre el Banco Master.

Solo un senador del PT firmó la solicitud para crear la CPMI del Master. La preocupación es que, dada la amplia repercusión pública —tanto nacional como internacional—, cualquier vínculo que se establezca entre Lula y el banquero Daniel Vorcaro podría desencadenar una nueva campaña sobre la corrupción del PT. Incluso si Lula no estuviera directamente involucrado, el gobierno es vulnerable debido a las alianzas establecidas con diversos partidos del centrão, considerados ampliamente como los más corruptos. Al asociarse con estos sectores y aceptar la lógica de hacer concesiones a cambio de apoyo —lo que, en última instancia, implica transferencia de recursos—, Lula y el PT entran en un juego peligroso que puede volverse en su contra en cualquier momento. El escándalo del Master podría ser ese momento.

El nombre de Lula y el de personas de su confianza —al menos públicamente—, como Gabriel Galípolo, Guido Mantega, Jaques Wagner y Rui Costa, ya han sido mencionados en relación con Vorcaro, incluyendo reuniones fuera de agenda y alianzas institucionales con empresas del banquero. Esto está siendo explotado por la oposición y por periodistas, no solo por los bolsonaristas. El caso del Banco Master, que también involucra al ministro del STF Dias Toffoli, revela hasta qué punto altos funcionarios del Estado mantienen vínculos estrechos con el sector privado. Si incluso los ministros del STF, hoy entre los hombres más poderosos del país, enfrentan intensa presión de la prensa, del Congreso, del bolsonarismo y de empresarios, no sería difícil que el escándalo se canalizara hacia el gobierno federal a pocos meses de las elecciones.

Incluso si ninguno de estos dos escándalos logra afectar directamente a Lula, es posible que, al menos en el caso del Master, el PT sufra un impacto significativo debido a las relaciones que se mencionan con el PT de Bahía. El gobierno de Bahía es un activo estratégico del partido a nivel nacional para movilizar recursos y alianzas en la campaña presidencial. Si allí el partido resulta afectado por el caso Master, podría perder aliados, apoyo político y recursos financieros importantes para Lula. Además, el daño se extendería al conjunto del partido y al propio gobierno, dado que Rui Costa es ministro de la Casa Civil y Jaques Wagner —principales figuras del PT bahiano— es líder del gobierno en el Senado.

Por último, en relación con el caso Master, es evidente que dentro de determinadas instituciones —la Receita Federal, la Policía Federal e incluso el Poder Judicial— existen divisiones y tensiones con ministros del STF. Esto no significa necesariamente que se estén fabricando mentiras contra ellos, sino que posibles irregularidades pueden filtrarse con facilidad por acción de adversarios internos, funcionarios de menor rango con intereses personales o empleados vinculados a rivales políticos dentro de la propia institución. Si esto ocurre en el STF, que en los últimos años ha operado de manera relativamente homogénea y sin grandes crisis, cabe imaginar lo que podría suceder dentro del gobierno federal, que es una coalición heterogénea con intereses diversos y contradictorios, en un año electoral.

En cualquier caso, aun si el nombre del presidente o el de sus aliados no aparece vinculado directamente al escándalo, el impacto propagandístico será considerable. Los adversarios de Lula utilizarán la relación de cercanía y alianza entre el gobierno federal y el STF desde el 8 de enero para reforzar la narrativa de que Lula está rodeado de “delincuentes”, que forma parte del “sistema” y que se sostiene sobre instituciones que no merecen confianza.

El tercer foco de preocupación es el homenaje a Lula realizado en el Carnaval por la escuela de samba Acadêmicos de Niterói. Una notificación nacional del PT hizo público el nivel de inquietud del partido ante este episodio. Después de pedir a sus miembros que evitaran incluso hacer publicaciones en redes sociales durante el desfile, el PT advirtió: “destacamos que cualquier acción que incumpla estas recomendaciones puede perjudicar significativamente al Partido de los Trabajadores y al Presidente Lula”.

Además de posibles problemas con la justicia electoral, el contenido del desfile generó preocupación porque está siendo utilizado por el bolsonarismo para intensificar la campaña contra Lula entre el electorado evangélico. Lula y el PT han intentado acercarse a este sector, con resultados todavía frágiles. Sus adversarios explotarán con fuerza la cuestión moral durante la campaña, aprovechando críticas y burlas derivadas del desfile “lulista” dirigidas contra los evangélicos. Lula también podría perder apoyo más amplio, no solo entre evangélicos, debido al descenso de la escuela de samba a la segunda división, lo que será presentado por la propaganda bolsonarista como prueba de que todo lo relacionado con Lula fracasa y de que el gobierno es un fracaso.

En general, tanto en público como en privado, petistas y sectores oficialistas se muestran optimistas respecto a la reelección de Lula. Sin embargo, especialmente el episodio del homenaje en el Carnaval ha generado la percepción de que podrían surgir obstáculos más graves para la victoria electoral. “La reelección de Lula será muy difícil. La derecha está muy cohesionada y organizada. La disputa será muy dura, pero creo que Lula va a ganar”, resume una asesora, reflejando el sentimiento predominante entre los sectores gubernamentales.

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O PT, a esquerda e o armamento da população https://strategic-culture.su/news/2026/02/22/o-pt-a-esquerda-e-o-armamento-da-populacao/ Sun, 22 Feb 2026 15:02:44 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=890736 A volta do PT ao governo, após o golpe de 2016, tem aprofundado essa adaptação ao regime – adaptação a um regime cada vez mais antidemocrático.

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A classe média liberal foi a principal base de apoio da burguesia desde o primeiro dia em que o PT esteve no governo. Todos se lembram da Carta aos Brasileiros, que sacramentou a eleição de Lula em 2002. Mas poucos se recordam de um dos mais importantes desdobramentos daquele pacto, o conluio com a Rede Globo e as ONGs imperialistas para passar por cima da vontade popular expressa em plebiscito e desarmar totalmente o povo. Já se revelava a necessidade do imperialismo de fortalecer o Estado subordinado a ele e enfraquecer a organização independente das massas oprimidas em pleno governo progressista.

Apesar de toda a opressão exercida durante séculos contra o povo brasileiro, foi a passagem do domínio para o capital imperialista, parte diretamente e parte através da burguesia nacional subordinada a ele, e institucionalizada quase à perfeição pela constituição de 1988 e o neoliberalismo, que garantiu de maneira mais estável uma política contrarrevolucionária e de esmagamento do povo. O papel progressista dos bandeirantes, das ferrovias e da Revolução de 1930 de unificar o território nacional e organizar a economia teve a sua contrapartida reacionária na imposição das instituições estatais que organizam o país para a dominação imperialista sobre o povo – e cujo desenvolvimento e fortalecimento se aceleraram sobretudo a partir do final do século passado. Tal constatação é admitida pelos próprios intelectuais da burguesia: em declarações a uma reportagem da imprensa do Senado, o historiador Adilson José de Almeida, autor de trabalhos sobre a relação do Estado com a sociedade na história do Brasil, reconheceu que foi apenas na chamada “Nova República” que o Estado conseguiu implementar uma política sistemática de desarmamento do povo. Eis a confissão do historiador:

“O Estado não tinha recursos financeiros nem humanos para montar forças que dessem conta da segurança externa e interna do Brasil. Por isso, contava com a população civil, que estava obrigada a pegar em armas quando era convocada. (…) Os brasileiros aprendiam a atirar desde pequenos. Embora tentasse, o Estado nem sempre tinha controle sobre essa sociedade armada. Como estavam sempre à mão, as armas que deveriam servir ao Estado eram também usadas para resolver brigas particulares e disputas políticas locais. Por vezes, acabavam se voltando contra o próprio Estado.”

Daí que, ao mesmo tempo em que hoje se estabelece um domínio total do Estado sobre a sociedade, distorce-se e ataca-se a história nacional, precisamente para que a burguesia apresente o período de reação pós-1988 como a maior (ou mesmo a única) conquista que o povo brasileiro já conheceu. Antes, embora fosse fraco, o Estado podia tolerar o povo armado, pois esse povo estava desorganizado e isolado em poucas localidades espalhadas pelo país. A partir do momento em que o território nacional foi unificado, o povo começou a se conhecer e a classe operária ganhou personalidade própria, tornou-se intolerável para a burguesia a convivência com as massas armadas. Como ela mesma reconhece, passou a ser inevitável que o povo se voltasse contra o Estado. Esse temor é compartilhado integralmente pelos pretensos marxistas e socialistas, embebidos da fé supersticiosa no Estado.

Veja-se bem. Não é que o PT deixou de realizar uma medida democrática básica, deixou de armar o povo, que deixou de aplicar o bê-a-bá de uma democracia. Nesse ponto, ele fez mais pela classe dominante do que os próprios representantes tradicionais da classe dominante: ele desarmou completamente o povo. Até hoje ouvimos desses mesmos setores afogados por inteiro nos preconceitos pequeno-burgueses que os trabalhadores e o povo em geral não têm recursos para comprar armas, não saberão manuseá-las, voltar-se-ão contra os seus irmãos, só os ricos conseguirão comprar armas e uma série de tolices do gênero.

Em um artigo sobre o programa militar da revolução proletária, escrito para os social-democratas europeus em 1916 (portanto antes do estabelecimento do Estado operário na Rússia e antes de existir uma situação revolucionária), Lênin identificava a origem desse posicionamento covarde: “o desarmamento como ideia social, isto é, como ideia gerada por determinado ambiente social e que pode atuar sobre determinado ambiente social e não permanece como simples capricho pessoal, foi gerado, evidentemente, pelas condições de vida especiais, excepcionalmente ‘tranquilas’, de alguns pequenos Estados, que durante um período de tempo bastante longo se mantiveram à margem do sangrento caminho mundial das guerras e têm esperanças de continuar à margem.”

No caso do Brasil, o ambiente social é a era neoliberal, de desorganização do proletariado, plena integração da burocracia sindical ao regime burguês e preenchimento do vácuo criado por essa orfandade dos trabalhadores pelo aparecimento de intelectuais e acadêmicos da pequena burguesia como “teóricos” do movimento operário, orientando os trabalhadores a se enquadrar no pensamento oriundo do conforto da vida do pequeno-burguês. O trabalhador que mora na favela e apanha da polícia está longe dessa realidade artificial. “Uma classe oprimida que não aspire a aprender a manejar as armas, a possuir armas”, opinou Lênin, no mesmo texto, “tal classe oprimida mereceria apenas ser tratada como são tratados os escravos”. A burguesia já está armada até os dentes. E se arma cada dia mais, com um destacamento de homens cada vez mais profissional, a polícia, treinados para arrebentar os miolos do povo trabalhador. Não se armar para se defender disso, não se armar para a revolução, que só pode ser armada, é trair os trabalhadores e jogá-los aos leões.

As palavras do historiador burguês citadas anteriormente mostram que, não importa o momento, a classe dominante teme um povo que esteja armado, porque o poder se resume, em última instância, à força – isto é, à força das armas – e não é possível manter uma casta separada e acima do povo, que oprime esse povo, sem o monopólio das armas. Por isso Lênin já dizia, recordando os revolucionários franceses, que um fuzil ao ombro de cada operário é a única garantia de democracia.

Não se trata de uma medida socialista ou mesmo radical por si só. Quando os dirigentes do Partido Operário Social-Democrata Alemão elaboravam o Programa de Gotha e exigiam, entre outras coisas, a formação de uma milícia popular, Marx debochava: “suas reivindicações políticas não vão além da velha e surrada ladainha democrática (…) São um simples eco do Partido Popular burguês”. Ele criticava asperamente aquele programa rebaixado, que se limitava a exigir o que já era realidade em países como Estados Unidos e Suíça, a “exigir coisas que só têm sentido numa República democrática”. Em plena ditadura militar, é claro que seria ridículo exigir o armamento do povo por meios legais; mas se a República democrática foi conquistada no Brasil, qual a razão de não se exigir esse direito fundamental a não ser o abandono dos princípios democráticos? O Programa de Gotha e a crítica de Marx datam de 1875, em um período de refluxo do movimento operário após a derrota da Comuna e de relativa calmaria dos conflitos sociais sob o bonapartismo bismarckiano – disso se esquecem os que advogam que os trabalhadores só devem ser armados em uma situação revolucionária, mas que fogem e fugirão diante dessa situação revolucionária.

Os governos do PT, desde o primeiro momento, nunca foram governos verdadeiramente democráticos, mas sim governos que só pretendem aplicar reformas democráticas secundárias e extremamente limitadas. Não poderia ser diferente, pois o PT é um partido cujo aparelho é dominado pela pequena burguesia e totalmente integrado ao regime burguês, que chegou ao governo e governa em um período de refluxo do movimento operário, cuja mobilização revolucionária seria a única capaz de abalar e demolir os pilares do regime. A apatia no seio do proletariado em consequência da reação neoliberal permite o controle dos sindicatos por uma burocracia de estilo de vida e pensamentos pequeno-burgueses, proveniente do correspondente brasileiro à aristocracia operária europeia.

Ao invés de minar, ainda que timidamente, o controle da burocracia estatal sobre o povo, de realizar as aspirações da sua base operária e sem terra, a fragilidade do PT diante da burguesia o fez manter e aprofundar o controle do Estado burguês sobre o povo e, além de desarmar os oprimidos, ignorou a reforma agrária, enfraqueceu os sindicatos, favoreceu a desigualdade social (Lula o reconheceu inúmeras vezes ao declarar que os bancos nunca lucraram tanto como em seus governos), reforçou o judiciário e a polícia e foi à reboque da burguesia contra os representantes eleitos pelo povo (como no caso da Lei da Ficha Limpa).

O PT começou por acoplar a aristocracia operária como um apêndice da burocracia estatal quando a burguesia lhe permitiu, mas as alianças com o centrão para “garantir a governabilidade” cada vez mais ameaçada pelas pressões do imperialismo o levaram a devolver com juros todo o poder à burocracia tradicional do Estado, aos elementos da burguesia. Assim como a social democracia europeia, ajudou a cavar a própria cova. Porque, diante da mudança de cenário com a crise de 2008, quando o imperialismo precisou elevar o nível do saque contra as nações pobres, o PT tornou-se um empecilho às necessidades dos monopólios. Parafraseando Rosa Luxemburgo sobre a social democracia alemã na revolução de 1918, os governos do PT mantiveram o Estado nas mãos dos que ontem apoiavam a ditadura militar e nas mãos dos que amanhã serão instrumentos da contrarrevolução.

A volta do PT ao governo, após o golpe de 2016, tem aprofundado essa adaptação ao regime – adaptação a um regime cada vez mais antidemocrático, e do qual o PT tem se esforçado para ser seu principal representante. Mesmo que tenha algum sucesso (e ele trabalha intensamente para isso), dificilmente o PT obterá 100% da confiança do imperialismo. Na verdade, não passa de um partido descartável. Também será descartável para os trabalhadores.

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A esquerda, o bolsonarismo e a liberdade de expressão https://strategic-culture.su/news/2026/01/21/a-esquerda-o-bolsonarismo-e-a-liberdade-de-expressao/ Wed, 21 Jan 2026 14:00:39 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=890155 Quem realmente é prejudicado com o exercício da liberdade de expressão é a burguesia, que impõe seus pensamentos à sociedade.

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Em um artigo recente, eu afirmei que o 8 de janeiro foi uma farsa montada com perfeição pela burguesia para controlar o governo Lula, eleito pelos operários em um movimento que acendeu o alerta para o imperialismo. “O terceiro governo Lula não poderia sair das rédeas, e Lula e o PT caíram como patinhos na armadilha. A burguesia matou dois coelhos com uma cajadada só: também foi o pretexto ideal para rifar Bolsonaro da jogada, abrindo assim o caminho para um governo próprio, sem Bolsonaro e sem Lula. Acima de tudo, o combate ao golpismo bolsonarista, tal como o combate à corrupção petista, é um meio pelo qual a burguesia imperialista vai fechando o regime político, retirando direitos democráticos em nome da democracia assim como, em 1848, socavava a república em nome da república. Os manifestantes do 8 de janeiro foram o bode expiatório sacrificado no altar da democracia.”

Quando um presidente resolver estabelecer uma ditadura e botar os militares nas ruas, os banqueiros que mandam no STF estarão estourando champanhe. As leis criadas a pretexto do combate ao autoritarismo serão usadas pela ditadura contra seus opositores – e quem irá aplicá-las será esse mesmo judiciário, cuja função é preservar a ordem, não importa se ela é democrática ou autocrática.

Sobretudo a partir do 8 de janeiro, as ilegalidades que foram cometidas e resultaram na eleição de Bolsonaro se estenderam e ampliaram para perseguir o próprio Bolsonaro, sob a orientação do imperialismo americano.

A letra da lei torna-se objeto do arbítrio do juiz, prostituída por ele, substituída por precedentes e por suposições, a ponto de se oficializar um malabarismo exótico ao extremo como juntar acontecimentos ao longo de anos, sem o envolvimento direto em todos eles, e considerar, sem provas concretas e apenas com base em pressupostos, que essas práticas absolutamente normais e legais da vida política fazem parte de uma “trama golpista” para “abolir a democracia”.

“Desacreditar” as urnas eletrônicas, isto é, desconfiar ou mesmo acusar o sistema eleitoral, seria um “atentado contra a democracia”. Encabeçar manifestações de rua e nelas expressar suas opiniões, conversar com partidários, manifestar seu pensamento em redes sociais seria uma conspiração criminosa contra as instituições. A mesma burocracia, o mesmo cartel propagandístico e o mesmo tipo de “provas” viabilizaram o golpe de 2016 (ali sim um golpe, apagado da memória de todos) e a introdução oficial no país de um Estado policial a caminho do fascismo – do qual Bolsonaro e os bolsonaristas mais radicais são apenas marionetes descartáveis.

A esquerda, repetindo como papagaio a propaganda imperialista, diz que a liberdade de expressão não pode ser ilimitada porque prejudica a sociedade. Alguns “marxistas” usam o nome de Marx e de seus discípulos mais notórios para mostrar que o marxismo é contrário à liberdade de expressão ilimitada e que, portanto, é favorável à censura – tudo isso para prestar o apoio desses miseráveis à censura do Estado burguês. Mas, como sempre, Marx sabe pregar uma peça nesses “marxistas”. Ironizando as manobras da reação e de seus cúmplices nas revoluções francesas de 1848 para restringir as liberdades democráticas, disparou, no 18 de Brumário:

“Com efeito, cada uma dessas liberdades é proclamada como direito absoluto do cidadão francês, mas sempre acompanhada da restrição à margem, no sentido de que é ilimitada desde que não esteja limitada pelos “direitos iguais dos outros e pela segurança pública” ou por “leis” destinadas a restabelecer precisamente essa harmonia das liberdades individuais entre si e com a segurança pública. (…) Onde são vedadas inteiramente essas liberdades “aos outros” ou permitido o seu gozo sob condições que não passam de armadilhas policiais, isto é feito sempre, apenas no interesse da “segurança pública”, isto é, da segurança da burguesia, como prescreve a Constituição. Como resultado, ambos os lados invocam devidamente, e com pleno direito, a Constituição: os amigos da ordem, que ab-rogam todas essas liberdades, e os democratas, que as reivindicam. Pois cada parágrafo da Constituição encerra sua própria antítese, sua própria Câmara Alta e Câmara Baixa, isto é, a liberdade na frase geral, a ab-rogação da liberdade na nota à margem. Assim, desde que o nome da liberdade seja respeitado e impedida apenas a sua realização efetiva – de acordo com a lei, naturalmente – a existência constitucional da liberdade permanece intacta, inviolada, por mais mortais que sejam os golpes assestados contra sua existência na vida real.” (Negritos seus)

O movimento socialista nunca reivindicou direitos exclusivos para os oprimidos dentro do regime capitalista. Porque, ao contrário da cabeça confusa dos marxistas de jardim de infância atuais, sabe muito bem distinguir um regime de outro. No regime capitalista, luta-se pela ampliação máxima das liberdades democráticas, o que significa, naturalmente, sendo um regime capitalista, liberdades sob o domínio da burguesia, e não do proletariado. É ridículo exigir da burguesia que ela dê liberdades exclusivas para os trabalhadores (seus inimigos mortais), ou para os pobres em geral, sem dá-las aos outros. É ridículo exigir que ela dê liberdades aos partidos de esquerda, mas cerceie as dos partidos de direita.

Os marxistas não se colocam apenas como vanguarda do proletariado, mas, como tal, buscam guiar e defender da opressão do Estado todos os outros setores da população. Por isso Trótski afirmou que “a classe operária nos países capitalistas, ameaçada pela sua própria escravidão, deve se posicionar em defesa da liberdade para todas as tendências políticas, incluindo seus próprios inimigos irreconciliáveis” (os nazistas). E que “os trabalhadores devem aprender a distinguir seus amigos de seus inimigos de acordo com seu próprio julgamento e não de acordo com as dicas da polícia”. Nem um único marxista, nem mesmo algum reformista, nenhuma espécie de socialista jamais propôs uma lei que estipulasse direitos e liberdades apenas para a esquerda, e não para a direita.

Quem realmente é prejudicado com o exercício da liberdade de expressão é a burguesia, que impõe seus pensamentos à sociedade, pensamentos que não podem ter concorrentes, não podem ser contestados, caso contrário seu domínio estará prejudicado. A burguesia não pode perder o controle da situação, e esse controle é ameaçado em época de crise social e polarização política. Nossos socialistas abandonaram a concepção de luta de classes entre o proletariado e a burguesia. Agora a luta é de toda a humanidade, independentemente de classe social, uma luta entre democracia e autoritarismo. A burguesia estaria do lado da democracia. Ou, o que é ainda mais confuso: a burguesia estaria contra a democracia, mas seu Estado seria o protetor da democracia contra a burguesia.

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Lula tiene el deber moral de exigir incansablemente la libertad de Maduro https://strategic-culture.su/news/2026/01/17/lula-tiene-el-deber-moral-de-exigir-incansablemente-la-libertad-de-maduro/ Sat, 17 Jan 2026 17:53:26 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=890082 ¿Defenderá Lula la soberanía de Venezuela y, por lo tanto, la de Brasil?

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El 31 de agosto de 2016, el Senado Federal confirmaba el impeachment de Dilma Rousseff, destituyendo su mandato y consolidando el golpe de Estado contra el PT. Sin titubear, ese mismo día, el presidente Nicolás Maduro expresó “toda la solidaridad a Dilma y al pueblo de Brasil”, condenó el “golpe oligárquico de la derecha” y señaló: “¡quien lucha vence!”. De inmediato, Venezuela llamó de regreso a su embajador en Brasil y congeló las relaciones con el nuevo régimen golpista, “en resguardo de la legalidad internacional y solidaria con el pueblo de Brasil”.

Comprendiendo y denunciando el carácter imperialista del golpe contra Dilma, el gobierno de Maduro afirmó además que aquello formaba parte de una “arremetida oligárquica e imperial contra los procesos populares, progresistas, nacionalistas y de izquierda, cuyo único fin es restaurar los modelos neoliberales de exclusión social y expropiación de nuestras riquezas naturales que trajeron consigo pobreza y atraso para nuestros pueblos y acabar con los modelos de democracia genuina y de integración de la región alcanzados por los presidentes Hugo Chávez, Néstor Kirchner, Lula, Evo Morales, Tabaré Vázquez y Rafael Correa”.

El chavismo conocía las consecuencias de denunciar y actuar contra aquella acción del imperialismo. El embajador brasileño también fue llamado de regreso por José Serra, designado ministro de Relaciones Exteriores de Temer, y a partir de entonces los gobiernos de Temer y Bolsonaro sirvieron de punta de lanza de Estados Unidos en el intento de derrocar a Maduro, incluso mediante la invasión “humanitaria” de 2019.

Pero el gobierno venezolano, liderado por Maduro, no retrocedió y fue uno de los más activos defensores de Dilma y del PT. Ya en aquel posicionamiento inicial el día del impeachment, Caracas prometió que iniciaría “un conjunto de consultas para apoyar al pueblo de esta nación hermana”. De hecho, en los años siguientes el pueblo venezolano se movilizó, con todo el respaldo del PSUV y del gobierno de Maduro, en apoyo al PT, no solo contra el golpe, sino también contra el encarcelamiento de Lula.

Incluso antes de que Lula se entregara a la Policía Federal, mientras trabajadores y militantes intentaban impedirlo, en el Sindicato de los Metalúrgicos del ABC, que la Policía Filial de la CIA secuestrara a Lula (lo que ocurrió al día siguiente), Maduro se dirigió al pueblo venezolano en un acto público: “¡Lula libre! ¡Paren la persecución contra Lula da Silva!”. Al igual que en el golpe contra Dilma, culpó a las “élites oligárquicas de Brasil”, las calificó de “neofascistas”, dijo que “desataron una persecución criminal” contra Lula y tildó la sentencia de prisión de “canallada vergonzosa”.

Pocos meses después, Maduro tomó la palabra durante el 24.º Foro de São Paulo para denunciar nuevamente la prisión de Lula: “Vemos con dolor, pero no con renuncia, el martirio de Lula, la persecución a Lula, que está siendo escondido en una mazmorra para impedir su acción política, porque saben que Lula libre ganará una elección presidencial en Brasil. ¡Basta!”. La Agencia PT caracterizó aquel discurso de Maduro como “contundente”, además de informar que el líder venezolano dedicó elogios especiales a Lula.

En otro gran evento internacional, Maduro posó con una pancarta denunciando que Lula era un preso político y haciendo la famosa L de “Lula libre”. Fue durante la Asamblea Internacional de los Pueblos, en Caracas, junto a João Pedro Stédile (foto). Todas las actividades organizadas en Venezuela, con movimientos y partidos internacionales, dieron un espacio especial a la campaña por la libertad del líder petista.

Cuando se cumplió un año de la prisión ilegal de Lula, Maduro se pronunció en las redes sociales con una foto del presidente brasileño en brazos del pueblo, en el ABC, utilizando el hashtag #LulaLibre. También declaró: “Un año después de la prisión injusta de nuestro hermano Lula, me uno a las voces libres del mundo que claman por justicia y por el fin de la persecución. ¡Vamos, pueblo brasileño! Fuerza y coraje para continuar en la lucha por la dignidad de la Patria Grande”.

Maduro no se limitó a notas de repudio ni a denuncias inútiles en la ONU (aunque utilizó todos los espacios para hablar de la prisión de Lula). Finalmente, al conquistarse la tan luchada libertad de Lula, Maduro celebró con sonrisas, aplausos y varios gritos de “¡Viva Lula!”, mientras asistía a su liberación directamente desde el Palacio de Miraflores. “El pueblo venezolano está feliz y saluda la libertad de Lula”, declaró Maduro en la ocasión.

Ahora es el turno de Lula de retribuir toda la solidaridad militante, todos los esfuerzos realizados personalmente por Maduro, por el gobierno, por el PSUV y por el pueblo venezolano. Ya basta de toda la sabotaje llevada a cabo por los agentes imperialistas y por las sucursales del aparato propagandístico de Estados Unidos dentro de Brasil, que llevaron a Lula a capitulaciones vergonzosas como el no reconocimiento de la victoria incontestable en las elecciones de 2024 y el veto al ingreso de Venezuela en los BRICS. Ya basta de “neutralidad” entre la mayor potencia imperialista del mundo y un país vecino e indefenso, entre un agresor criminal y un pueblo agredido.

Lula tiene la obligación política y moral de exigir claramente la libertad inmediata de Maduro, de la misma forma contundente en que Maduro exigió la suya. Basta de cobardía hasta el punto de ni siquiera mencionar a Estados Unidos y a Trump como responsables del secuestro (que Lula llamó “captura”, como si Maduro fuera un bandido). Es inadmisible que el gobierno de Lula quede en manos de Estados Unidos y no vaya hasta las últimas consecuencias para liberar a Maduro. A eso se le llama traición política: a Maduro, a los venezolanos y a la militancia brasileña.

Maduro tuvo el coraje de desafiar al imperialismo al luchar por la libertad de Lula, aun cuando su país es incomparablemente más frágil que Brasil. Maduro incluso rompió con el régimen golpista y servil a Estados Unidos para defender a Dilma, a Lula y al PT. Maduro defendió la soberanía de Brasil, arriesgando la soberanía de su propio país, incesantemente agredido por el imperialismo. Porque Maduro siempre supo que defender la soberanía de Brasil es lo mismo que defender la soberanía de Venezuela.

¿Defenderá Lula la soberanía de Venezuela y, por lo tanto, la de Brasil?

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Lula piega i dazi di Trump, l’Europa resta a guardare https://strategic-culture.su/news/2025/12/17/lula-piega-i-dazi-di-trump-leuropa-resta-a-guardare/ Tue, 16 Dec 2025 21:05:33 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=889482 La retromarcia di Washington sui dazi alimentari premia la fermezza del Brasile e svela il boomerang delle tariffe di Trump, che alimentano l’inflazione e lo logorano nei sondaggi. Lula (foto) esulta, mentre l’Unione europea ha firmato un accordo al ribasso e Ursula von der Leyen si eclissa, lasciando dietro di sé un’ombra sulla credibilità della sua presidenza.

Bruno Coletta

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Nel Salone dell’Auto di San Paolo, con i riflettori puntati sull’industria che traina da anni l’economia brasiliana, Luiz Inácio Lula da Silva ha potuto concedersi un sorriso largo: gli Stati Uniti hanno annunciato il taglio dei dazi, fino al 40%, su una serie di prodotti chiave dell’export verde-oro – carne bovina, caffè, frutta, legname. È la conferma che la linea della fermezza sta pagando: nessuna resa di principio, nessuna rincorsa al compromesso al ribasso, ma una negoziazione lunga, spesso aspra, in cui Brasilia ha tenuto la guardia alta mentre a Washington i conti della guerra dei dazi cominciano a non tornare più.

Trump aveva promesso agli americani che i dazi sarebbero stati la bacchetta magica: meno importazioni, più posti di lavoro, deficit commerciale in calo e inflazione sotto controllo. Invece sta succedendo il contrario. L’ondata di tariffe introdotte nel 2025 – un dazio di base del 10% su quasi tutte le importazioni, più sovrattasse mirate su centinaia di prodotti – ha spinto verso l’alto il costo di una parte crescente del carrello della spesa. Il risultato è un paradosso politico perfetto: il presidente che era tornato alla Casa Bianca promettendo di “punire chi fa il furbo con l’America” si ritrova oggi accusato proprio di aver presentato il conto ai consumatori statunitensi.

La guerra dei dazi che alimenta l’inflazione

Il meccanismo è semplice, e spietato. Quando la Casa Bianca alza i dazi, le imprese importatrici pagano di più per far arrivare negli Stati Uniti beni e materie prime. Una parte di quel costo può essere assorbita dai margini, ma prima o poi finisce sullo scontrino. Studi recenti mostrano che l’escalation tariffaria del 2025 ha innalzato il livello generale dei prezzi negli Usa di oltre due punti percentuali in poco tempo, con un impatto particolarmente pesante su beni di consumo e su alimenti come carne, caffè, frutta e derivati.

Per mesi l’amministrazione ha ripetuto che avrebbero pagato “gli altri”, i produttori stranieri. Ma la realtà economica è ostinata. I salari stagnano, la spesa al supermercato lievita, le famiglie più fragili sono costrette a tagliare sul cibo e sulle bollette. Alla fine, persino la Casa Bianca è stata costretta a riconoscere che il fronte alimentare era diventato politicamente tossico. Da qui la decisione di abbassare i dazi su un paniere di prodotti agroalimentari che gli Stati Uniti non riescono a produrre in quantità sufficiente, o che i consumatori pretendono a prezzi accessibili.

La mossa è stata presentata come un gesto “tecnico”, legato alla domanda interna e alla capacità produttiva americana. Ma nessuno, né nei mercati né nelle cancellerie, ha avuto dubbi sulla vera motivazione: contenere l’inflazione alimentare prima che travolga definitivamente la popolarità del presidente. E qui entra in scena Lula.

Perché Lula ha tenuto il punto

Il leader brasiliano non si è limitato a commentare con soddisfazione la retromarcia di Washington. Dal palco di San Paolo ha ricordato, con tono più ironico che diplomatico, i mesi in cui il Brasile veniva trattato alla stregua di un bersaglio qualsiasi della crociata di Trump contro le importazioni. Oggi, il cambio di passo è evidente: Brasilia non si presenta come cliente supplice, ma come potenza agroalimentare indispensabile per tenere bassi i prezzi sul mercato mondiale.

Lula ha rivendicato il lavoro svolto sul piano internazionale: missioni all’estero, dialogo con i grandi investitori, difesa delle filiere agricole brasiliane e approvazione di una riforma tributaria che dal 2027 dovrebbe semplificare il sistema fiscale e rendere più trasparenti gli incentivi. In questo contesto, ha potuto pronunciare una frase che, al netto della retorica, fotografa bene il nuovo equilibrio: “Quando il Brasile è trattato con rispetto, cambiano anche le regole del gioco”, ha sottolineato, trasformando la vittoria sui dazi in un manifesto politico.

Dietro quella frase c’è un messaggio rivolto sia agli Stati Uniti sia ai partner del Sud globale: il Brasile non accetta più di essere una pedina sacrificabile nella guerra commerciale di altri. Se la Casa Bianca vuole il suo aiuto per raffreddare i prezzi dei beni alimentari, deve riconoscerne il ruolo strategico e sedersi al tavolo come con un interlocutore pari, non con un Paese da disciplinare.

L’Europa che si è arresa prima di combattere

Il contrasto con l’Unione europea è impietoso. Mentre Lula stringe i pugni e ottiene risultati, Bruxelles ha scelto la strada del compromesso preventivo. Nel pieno della tensione sulle tariffe, l’Europa ha accettato un accordo che congela in modo strutturale dazi fino al 15% su una parte sensibile dell’export europeo verso gli Stati Uniti, in cambio di un alleggerimento sulle auto e di qualche concessione su altre voci commerciali.

Nella pratica, Washington mantiene buona parte della pressione sull’industria europea, mentre l’UE si impegna a ridurre o azzerare i propri dazi su molte importazioni statunitensi e ad aprire ulteriormente i propri mercati. Il tutto senza ottenere garanzie solide sulla stabilità futura delle misure Usa, che restano legate agli umori di una Casa Bianca dichiaratamente imprevedibile. È difficile non leggere in questa scelta un atto di debolezza.

Non a caso, all’interno dell’Unione la reazione è stata feroce: governi preoccupati, associazioni di categoria sul piede di guerra, eurodeputati che parlano apertamente di “resa anticipata”. L’idea che l’Europa abbia barattato la propria autonomia strategica con un armistizio fragile con Trump ha preso piede in fretta. E in questo clima, la figura di Ursula von der Leyen è apparsa sempre più appannata.

Il silenzio di Ursula e la frattura con i cittadini europei

Dopo aver rivendicato per mesi la necessità di “evitare una guerra commerciale totale” con gli Stati Uniti, la presidente della Commissione europea è scivolata in un silenzio che pesa come un giudizio politico. Mentre l’impatto dei dazi americani continua a farsi sentire su diversi settori strategici, e mentre i produttori europei vedono crescere i costi e l’incertezza, von der Leyen non è più la voce in prima linea nel difendere la scelta compiuta a Bruxelles.

Il problema non è solo di comunicazione. Molti cittadini europei percepiscono l’accordo come uno scambio impari: l’Europa ha concesso molto in termini di apertura dei propri mercati, senza ottenere la stessa fermezza che Lula ha mostrato nel difendere l’interesse nazionale brasiliano. Nel confronto fra la foto del presidente brasiliano che celebra la caduta dei dazi e l’immagine di una Commissione europea costretta a giustificarsi, l’Unione esce con le ossa rotte.

Così, la presidenza von der Leyen rischia di essere ricordata non per l’ambizione della transizione verde o per la gestione di dossier complessi, ma per un compromesso al ribasso con l’America di Trump. Una scelta che ha rafforzato l’idea, già diffusa, di un’Europa incapace di parlare il linguaggio del potere quando il tavolo è quello del commercio globale.

Nessuna cura per il deficit commerciale, solo un conto più salato

Mentre Lula può esibire un successo concreto, Trump non può dire lo stesso. Il deficit commerciale americano resta strutturalmente elevato. Gli studi macroeconomici più recenti lo ripetono con chiarezza: non sono i dazi a determinare la bilancia commerciale di un Paese, ma il rapporto fra risparmio e investimenti interni, la politica fiscale, il ciclo del credito. Le tariffe possono spostare una parte dei flussi, non cambiare la matematica dell’economia.

Nel caso americano, la combinazione di forte disavanzo di bilancio, dollaro ancora dominante e domanda interna robusta rende quasi impossibile azzerare il deficit con qualche punto di dazi in più. Quello che i dazi hanno prodotto davvero è un aumento del livello dei prezzi, una riduzione dell’efficienza produttiva e un clima di incertezza che scoraggia investimenti di lungo periodo. Il contrario di ciò che servirebbe per “far tornare grande l’America”.

Non solo: i benefici fiscali dei dazi, pur consistenti in termini di entrate per il Tesoro, si scontrano con i costi sopportati da famiglie e imprese. Ogni dollaro incassato sotto forma di tariffa è un dollaro tolto a consumatori e aziende, spesso in modo regressivo, perché colpisce in misura maggiore le fasce di reddito più basse, che destinano una quota più ampia del budget ai beni soggetti ai dazi.

La caduta nei sondaggi e il nervosismo alla Casa Bianca

Non sorprende, quindi, che i sondaggi inizino a raccontare un’altra storia rispetto alla narrativa trionfalistica della Casa Bianca. Le rilevazioni nazionali delle ultime settimane mostrano una disapprovazione crescente nei confronti del presidente, con il giudizio più severo proprio sulla gestione del costo della vita. La maggioranza degli intervistati dice di spendere di più per spesa e bollette rispetto a un anno fa, e una quota significativa attribuisce il peggioramento almeno in parte alle politiche commerciali di Trump.

In alcuni segmenti chiave dell’elettorato – a partire dalle minoranze urbane e da una parte dei ceti medi – si registra una vera e propria rottura di fiducia. Molti elettori che nel 2024 avevano scelto Trump per la promessa di domare l’inflazione oggi si dichiarano delusi o pentiti. In diversi collegi in bilico, sondaggi interni mostrano un vantaggio crescente delle opposizioni proprio nelle aree dove i rincari hanno colpito più duramente il carrello della spesa.

La Casa Bianca reagisce con una frenesia comunicativa sempre più evidente: conferenze stampa, comizi, dichiarazioni in cui il presidente cerca di attribuire la responsabilità dei prezzi alle scelte del passato o ai partner stranieri. Ma ogni volta che viene annunciato un nuovo ritocco ai dazi in senso restrittivo, i mercati e gli analisti mettono in fila gli stessi tre effetti: prezzi più alti, crescita più debole, incertezza maggiore.

L’America dei dazi e dei bracci della morte

Sul fondo, c’è un’altra immagine che pesa sulla reputazione globale degli Stati Uniti: quella di un Paese che, mentre brandisce la leva dei dazi, accelera anche sul terreno della pena di morte. Nel solo 2025 sono state eseguite decine di condanne capitali, con alcuni Stati – fra cui la Florida – che hanno raggiunto livelli record di esecuzioni rispetto all’ultimo decennio.

Non si tratta solo del numero complessivo, già di per sé impressionante. A preoccupare organizzazioni per i diritti umani e relatori delle Nazioni Unite è soprattutto l’uso sempre più frequente di metodi come l’ipossia da azoto, un sistema di esecuzione definito da esperti indipendenti dell’ONU potenzialmente “crudele” e “inumano”. Mentre il dibattito internazionale si sposta verso la limitazione o l’abolizione della pena capitale, una parte dell’America di Trump va nella direzione opposta, rivendicando la durezza come segno di forza.

Il messaggio che arriva all’estero è quello di un Paese che si presenta come fortezza assediata: dazi alle frontiere, barriere al commercio, bracci della morte pieni. Una narrativa che può funzionare con una parte della base interna, ma che erode il capitale di soft power degli Stati Uniti e ne indebolisce la capacità di dettare le regole del gioco globale.

Lula, Trump e la lezione per l’Europa

In questo quadro, la scena di Lula che celebra la caduta dei dazi su carne, caffè e frutta ha un valore che va oltre la contingenza: racconta la storia di un Paese che ha scelto di resistere alla pressione, rifiutando soluzioni facili ma pericolose nel lungo periodo. Il Brasile non ha ceduto al ricatto delle tariffe punitive, ha continuato a negoziare, ha consolidato la propria credibilità internazionale e ora può presentare agli elettori un risultato tangibile.

Trump, al contrario, è costretto a fare dietrofront proprio sul terreno su cui aveva costruito il suo mito di uomo forte: i dazi. La decisione di alleggerire il peso sulle importazioni alimentari è, politicamente, un’ammissione implicita di fallimento. La guerra commerciale non ha ridotto il deficit, ha alimentato l’inflazione, ha irrigidito i rapporti con alleati e partner strategici e ora sta presentando il conto anche nei sondaggi.

E l’Europa? L’Europa è rimasta a metà del guado. Ha firmato un accordo che appare più vicino a una capitolazione che a un compromesso equilibrato, ha accettato di giocare sul terreno di Trump senza costruire una vera strategia autonoma di difesa dei propri interessi e oggi paga il prezzo di una leadership percepita come esitante. Il silenzio di Ursula von der Leyen non è solo una scelta tattica: è il simbolo di una stagione politica che rischia di essere ricordata più per ciò che non ha saputo evitare che per ciò che ha costruito.

La lezione che arriva da questa vicenda è brutale ma chiara: chi tiene il punto con coerenza e visione può costringere anche la superpotenza a cambiare rotta. Chi si affida solo alla paura della guerra commerciale e accetta di firmare al buio, invece, scopre troppo tardi che la vera perdita non è solo economica, ma di credibilità. Lula questo lo ha capito. Trump comincia a intuirlo. L’Europa, per ora, resta a guardare.

Articolo originale italia-informa.com

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A Venezuela chama https://strategic-culture.su/news/2025/12/04/a-venezuela-chama/ Thu, 04 Dec 2025 15:07:45 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=889221 Não apenas a Venezuela, toda a América Latina corre o perigo de ser avassalada nessa onda de golpes de Estado que tentam sair vitoriosos por toda a região.

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As relações do governo brasileiro, encabeçado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o governo venezuelano continuam muito frias. Na avaliação de funcionários ministeriais, o Brasil ainda está muito afastado da Venezuela. Eles não alimentam nenhuma esperança em qualquer ação mais incisiva do governo brasileiro para proteger a Venezuela, caso os Estados Unidos realmente queiram derrubar o presidente Nicolás Maduro.

“Os Estados Unidos estão realmente próximos novamente do Brasil e a relação com eles é mais importante” do que a relação com a Venezuela, diz um assessor. No entanto, o Brasil está muito preocupado com uma possível intervenção dos Estados Unidos.

Mas o Brasil não atuará em defesa da Venezuela. Os Estados Unidos conseguiram neutralizar o Brasil com essa aproximação entre Trump e Lula, analisa o mesmo funcionário. O máximo que o governo brasileiro poderá fazer é trabalhar para atenuar a imigração de venezuelanos para o território brasileiro com foco em questões humanitárias, caso haja uma intervenção dos Estados Unidos.

A posição pública e até mesmo pessoal do presidente Lula não são diferentes dessa perspectiva. No início de seu mandato, Lula chegou a se aproximar da Venezuela, realizando reuniões com Maduro em Brasília e deixando claro, em coletiva de imprensa conjunta, que repudia qualquer intervenção imperialista contra Caracas, inclusive as sanções criminosas contra o povo venezuelano. Havia esperanças de que as relações se estreitassem como nunca, mas as pressões – primeiro de Biden, agora de Trump – dobraram o frágil governo Lula, que ainda tenta se equilibrar em uma corda bamba que o ameaça derrubá-lo até o final de seu mandato.

Se a posição do governo brasileiro – que tenta agradar o imperialismo norte-americano e a burguesia interna – é uma lástima, a movimentação (ou falta dela) dos movimentos de base, populares e sindicais brasileiros é uma vergonha ainda maior. Apenas o MST, articulando brigadas de solidariedade, e o PCO, distribuindo materiais de rua e realizando manifestações concretas, saíram em socorro do povo venezuelano, diante de ameaças cada vez mais sérias de intervenção militar para derrubar o governo chavista.

Representantes de movimentos sociais venezuelanos visitaram o Brasil recentemente e têm buscado alianças com o movimento popular brasileiro para que exerça pressão sobre os diferentes setores políticos, sobretudo o governo, em apoio ao país vizinho.

Houve inclusive uma reunião com membros da direção do PT, o qual os venezuelanos acreditam que pode desempenhar um papel importante na reaproximação de Lula com a Venezuela. O PT tem laços históricos com o PSUV, Lula manteve boas relações com Hugo Chávez, apesar das vacilações já evidentes em seus dois mandatos anteriores. O PT obviamente tem uma posição distinta da posição do governo, devido às pressões de sua base – que se reduzem quando se trata do governo federal, de frente ampla com a burguesia e com setores da direita golpista.

Os militantes e diplomatas venezuelanos nutrem uma expectativa de que o PT possa influenciar um movimento de pressão sobre o governo para que apoie a Venezuela. Mas claramente ainda estão muito decepcionados com a falta de princípios do PT e de Lula, que dizem apoiar o “Sul Global”, a integração latino-americana e apresentam-se como “patriotas” na luta interna contra o bolsonarismo entreguista, mas que, diante das fortes pressões imperialistas, abaixam a cabeça, olham para o próprio umbigo e preferem salvar o próprio pescoço pensando na reeleição – para isso, precisam fazer tudo o que a burguesia e o imperialismo ordenam.

Os trabalhadores e classes populares venezuelanos, apesar da decepção com seus aliados brasileiros, não se agarram em ninguém para a defesa do processo bolivariano – nem mesmo em Rússia e China, que também foram neutralizados por Washington no caso venezuelano.

A Venezuela mostra como se responde às ameaças do imperialismo. As milícias populares voltam a armar o povo, treinam os jovens, mulheres e idosos no manejo das armas – enquanto a esquerda brasileira prega a seus adeptos que mais valem livros do que armas –, protestos multitudinários ocorrem quase diariamente por todo o país, a classe operária organiza assembleias e congressos para renovar suas direções, estudam-se os escritos militares de Trótski e Vo Nguyen Giap e envia-se a mensagem a Donald Trump: tentem, a Venezuela será seu Vietnã sul-americano!

Nota-se claramente uma divisão na burguesia norte-americana. Parte dela nunca engoliu a vitória de Trump e continua sabotando sua administração. Outra ainda está jogando todas as cartas da política internacional na derrota da Rússia na Ucrânia. A coesão interna se desgasta a cada dia com a polarização política crescente e os temores de uma guerra civil. Os principais formuladores e senhores da política externa não se sentem à vontade para uma nova aventura na América do Sul. Porém, todos concordam que é necessário frear e derrotar a influência chinesa no continente e, dada a velocidade em que se desenvolvem os preparativos para uma guerra mundial, a América precisa ser totalmente retomada para usá-la como ponto de apoio, fonte de matérias-primas e base militar para o exército norte-americano.

Não apenas a Venezuela, toda a América Latina corre o perigo de ser avassalada nessa onda de golpes de Estado que tentam sair vitoriosos por toda a região.

A Venezuela tem sido uma espécie de bastião da resistência contra o imperialismo nos últimos vinte anos. Não será derrotada, porque o povo venezuelano saberá transformar uma intervenção militar em um Vietnã ou mesmo uma Gaza para os invasores. O dever de todos os que se pretendem anti-imperialistas é estender esse Vietnã, como disse Che Guevara, para os outros países. Aproveitar a crise para desestabilizar o domínio imperialista em cada uma das nossas nações, buscando atuar de forma integrada, seguindo o exemplo venezuelano, fazendo a guerra nacional de emancipação contra o imperialismo se transformar em guerra civil contra a sua própria burguesia entreguista e lacaia do imperialismo.

É preciso manter a máxima atenção e preparar o contra-ataque internacionalista em defesa da Venezuela e a própria luta interna contra os que nos esmagam a mando da potência mais assassina do planeta.

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Por que o Brasil tem uma lei antiterrorismo estapafúrdia? https://strategic-culture.su/news/2025/11/26/por-que-o-brasil-tem-uma-lei-antiterrorismo-estapafurdia/ Wed, 26 Nov 2025 15:00:55 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=889078 Graças à sua romantização alucinada e imoral da “luta contra a ditadura”, a esquerda brasileira é extremamente irracional em assuntos da maior importância.

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A lei brasileira antiterrorismo é uma piada. No artigo segundo, informa: “O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública.” (Ênfase nossa.) Daí se segue que, se um grupo “ameaçar usar […] explosivos […]”, “apoderar-se, com violência, […] de […] escolas, estádios esportivos, instalações públicas ou locais onde funcionem serviços públicos essenciais” e “atentar contra a vida”, mas fizer isso em nome do amor e da paz mundial, então não é terrorismo. Terrorismo, só se o grupo fizer isso tudo em nome da xenofobia etc. (Esse “etc.” deve incluir até transfobia, já que o STF decidiu que transfobia é racismo.) Logo, pouca gente discordará de que se trata de uma lei imbecil.

Como o Brasil foi passar uma lei dessa? O nome da presidente, no final da lei assinada em 2016, já ajuda a responder: Dilma Rousseff, uma ex-guerrilheira ou, no correto jargão dos militares, uma ex-terrorista.

Durante a Guerra Fria, a América do Sul viu a CIA apoiar golpes militares para, décadas depois, Jimmy Carter apresentar os EUA como campeões dos Direitos Humanos (hoje chamados pelos brasileiros de Direitos dos Manos), instando assim campanhas por abertura política e fim de ditadoras. O Brasil foi um desses países, e aqui podemos observar que os mesmos setores da mídia que incitaram o golpe de 1964 para “salvar a democracia” fizeram campanha, também, pelo “fim da ditadura” e pela “abertura democrática”. A mídia promoveu então uma “gente bonita”, uma classe artística jovem e cheia de “consciência social” que derrubaria a ditadura e mudaria o país. Era a tal da esquerda festiva.

No entanto, além dessa esquerda, marcou presença nas Américas a dita esquerda armada. Havia à sua disposição um variado cardápio ideológico que convergia no uso de terrorismo como meio para derrubar os regimes não-comunistas. No caso do Brasil, o primeiro atentado terrorista foi perpetrado por um grupo católico: em 1968, a Ação Popular (AP) pôs uma bomba num aeroporto com a intenção de matar o futuro presidente Costa e Silva. O Atentado do Aeroporto de Guararapes fracassou no seu intento, mas causou vítimas letais. Quanto ao quadro geral, vale destacar que a vertente principal provavelmente era o foquismo, inspirado em Che Guevara e posto no papel pelo francês Régis Debray em Revolução na Revolução (1967); que o maoísmo inspirou, na década de 1960, uma guerrilha na selva amazônica (Guerrilha do Araguaia); e que no mesmo período Carlos Marighella escrevera em 1969 um Minimanual do guerrilheiro urbano, traduzido para vários idiomas. Nesta, Marighella faz uma literal apologia do terrorismo: “Hoje, ser ‘violento’ ou um ‘terrorista’ é uma qualidade que enobrece qualquer pessoa honrada, porque é um ato digno de um revolucionário engajado na luta armada contra a vergonhosa ditadura militar e suas atrocidades”, diz ele na Introdução.

Até hoje, a esquerda brasileira quer pintar a “luta contra a ditadura” como algo equiparável às lutas anticoloniais. O problema é que o regime militar, desenvolvimentista e sem alinhamento automático com os EUA, gozava de grande popularidade, sobretudo na década de 1970. A economia decolava e não havia sérios problemas de segurança pública (o precedente mais parecido com o das atuais facções e milícias é o do Cangaço, que vigorou na República Velha e encontrou o seu fim no Estado Novo, quando o governo mata os cangaceiros do Bando de Lampião e expõe suas cabeças no Instituto de Medicina Legal). A insurgência armada contra o regime militar foi, na maioria das vezes, um movimento de jovens universitários de classe média que estavam dispostos a explodir gente do povo para acabar com um regime do qual o povo gostava – ao tempo que se colocava como seus reais representantes.

Dilma Rousseff foi uma jovem com esse perfil e integrou as organizações COLINA e VAR-Palmares. Esse tipo de grupo assaltava bancos, “expropriava” o comércio, plantava bombas e organizavam sequestros de autoridades. Não era de admirar, portanto, que o regime militar buscasse desbaratá-los e, com a ajuda da CIA, usasse métodos de tortura com esse fito. Nesse período, também ocorreu algo muito importante: guerrilheiros foram postos no mesmo presídio que quadrilheiros. Da combinação de comunistas de classe média com vendedores de drogas favelados surgiu em 1979 a Falange Vermelha, ou Comando Vermelho, principal facção do Rio de Janeiro.

Enquanto derrubava regimes e torturava, os EUA de Jimmy Carter (1977 – 1981) faziam propaganda dos Direitos Humanos. No Brasil, o binômio de denúncia da tortura e defesa da democracia se converteu numa mania da “gente bonita” e da esquerda festiva. Não importa que o regime militar (diferentemente do Estado Novo) não fosse uma ditadura, mas antes uma democracia formal hiper-regulada, com separação entre os poderes, troca de presidentes e eleições diretas para vários cargos – e que esse caráter democrático formal tenha importado justamente para dar o golpe que salvaria a democracia do “comunista” eleito pelo povo. O que importava era estabelecer no léxico brasileiro a dicotomia maniqueísta entre ditadura e democracia. Se um regime é bom, é democrático; se um regime é mau, é ditatorial. Tertium non datur.

Nesse esquema liberal, é evidente que todos os guerrilheiros marxistas que pretendiam criar a ditadura do proletariado deveriam ser considerados maus, mas não foi o que aconteceu. A mídia e a academia promoveram um verdadeiro processo de canonização de todos aqueles que “lutaram contra a ditadura”, e isso incluía os comunistas. Além disso, alguns guerrilheiros importantes, como Fernando Gabeira, se converteram à esquerda festiva. O comunismo soviético estava em seus estertores, era hora de os comunistas brasileiros se transformarem em liberals novaiorquinos preocupados com ecologia, drogas e… Direitos dos manos. Quanto aos poucos comunistas raiz que permaneceram, bastou adotar o artifício retórico pró-soviético de dizer que a democracia liberal não é a verdadeira democracia. Deixa-se de lado o nome “ditadura do proletariado” para falar-se em “democracia popular”, como no nome oficial da Coreia do Norte.

Assim, a Nova República começa formalmente em 1985 com a posse do primeiro presidente civil eleito. Na prática, porém, começa em 1988, ano da promulgação da nova Constituição, que foi redigida nesse clima, e por uma horda de bacharéis em direito que ansiavam por promover os direitos humanos. Um dos resultados já discutidos é a virtual onipotência do Ministério Público e da Suprema Corte. E a sua antessala, que possibilitou a criação da Nova República, foi a Lei da Anistia de 1979, que criada já sob pressão dos Direitos Humanos, e que livrava tanto terroristas de esquerda quanto torturadores de direita.

Se a Lei Antiterrorismo tivesse sido feita num governo de oposição ao PT, poderia ser melhor. Se fosse feito num governo Lula, talvez fosse feita sob medida para proteger o MST e o MTST. Um governo de Dilma era o pior cenário possível, pois a presidente resolveu politizar ao máximo o regime militar, e nesse período houve muita pressão em prol de uma revisão da Lei da Anistia para punir os torturadores de direita.

Será o caso de pensarmos então que houve uma conspiração para criar-se a lei no governo Dilma? Antes fosse. A pressão para criar uma lei antiterrorista surgiu porque o Brasil sediou em 2014 a Copa do Mundo de Futebol e em 2016 as Olimpíadas. Sediando eventos desse porte, fazia falta uma lei antiterrorismo. Nos preparativos para a Copa do Mundo, houve grupos de esquerda anunciavam que não haveria Copa, e alguns – os black blocs – chegaram a explodir coisas na rua e matar um jornalista. Dilma Rousseff seria a maior interessada em ter uma lei antiterrorista, mas fez uma que protegia esses marginais. Para ela, pessoalmente, o terrorismo político é legítimo, e a lei reflete isso ao punir somente causas não-nobres.

Graças à sua romantização alucinada e imoral da “luta contra a ditadura”, a esquerda brasileira é extremamente irracional em assuntos da maior importância.

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Brasile tra multipolarismo, ecologia e urgenza di rimediare alle disuguaglianze interne https://strategic-culture.su/news/2025/11/18/brasile-tra-multipolarismo-ecologia-e-urgenza-di-rimediare-alle-disuguaglianze-interne/ Tue, 18 Nov 2025 05:31:31 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=888927  Contraddizioni sociali che a quasi un quarto di secolo dalla prima elezione di Lula presidente si presentano come plateali contraddizioni di un agire politico che, nonostante le dichiarate preoccupazioni per tale realtà e la più volte manifestata intenzione di cercare di risolvere i tanti problemi, pur in un generale quadro di miglioramento contenuto ma sostanziale delle condizioni di vita delle classi più disagiate, non pare riuscire a rispondere con la celerità necessaria e con l’incisività attesa alle risposte impellenti e tambureggianti dei cittadini, massimamente quelli meno abbienti.

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A dimostrazione della fragilità della democrazia latino – americana in questo primo quarto di nuovo secolo vi è certamente l’oramai consolidata abitudine dei presidenti in carica, poco importa di quale orientamento politico, di mettere sotto processo i loro predecessori, spedendoli in molti casi in carcere. Tale pratica, che oltrepassa di molto il punire gli errori politici e le malversazioni altrui, ha un inizio abbastanza tragico nella pratica promossa dalla segretaria di stato statunitense Hillary Clinton, la quale ha spalleggiato con festosa perfidia il presidente Obama, contribuendo ad inventare accuse assurde e infondate contro il vescovo cattolico e presidente paraguayano Fernando Armindo Lugo Méndez, prontamente utilizzate dai magistrati locali per destituire il capo di stato nel giugno 2012. Un esempio che ha fatto tristemente scuola, ovvero inventare accuse prive di qualsiasi fondamento, corroborarle con una massiccia campagna mediatica statunitense, rilanciata poi in tutto il continente, con l’obiettivo di mettere fuori gioco presidenti non disponibili a mettersi in ginocchio davanti a Washington e ai suoi interessi. Nell’abbondante decennio che è seguito, i casi di tentati o riusciti colpi di stato mascherati da autonoma espressione delle magistrature dei singoli stati sono stati molti, valga per tutti l’incredibile serie di fandonie e falsità costruite in Brasile contro Dilma Rousseff, prima presidentessa di quell’immenso spazio politico, economico e geografico rappresentato da una nazione che copre otto milioni e mezzo dei venti milioni di chilometri quadrati dell’intero Sudamerica, con duecentodieci milioni di abitanti, ovvero la metà di tutte e tutti i sudamericani.

Tutta l’operazione contro Dilma Rousseff, costruita sulla risibile accusa di falsificazione del bilancio statale, poi risultata del tutto infondata, ha in ogni caso portato all’abbandono della politica da parte della presidentessa carioca, la quale oggi preside a Shanghai da tre anni la Nuova Banca di Sviluppo, ovvero la banca che Cina e Russia, più di tutte le altre nazioni dei BRICS, hanno voluto per permettere al Sud Globale di accedere a crediti cospicui e generosi, senza il vincolo ricattatorio delle istituzioni controllate dalla Casa Bianca, come il Fondo Monetario Internazionale e la Banca Mondiale.

Tra l’aprile del 2018 e il novembre 2019 lo stesso attuale presidente brasiliano Luiz Inacio Lula da Silva, già capo di stato dal 2003 al 2011, è stato in prigione per le solite accuse più strampalate che puntuali e poi evaporate di fronte alla piazze lui inneggianti, già operaio e sindacalista nei duri anni della dittatura brasiliana.

Lula è oggi tra i più strenui sostenitori della creazione di una moneta alternativa al dollaro e di una economia che abbracci il Sud Globale con nuove regole, quelle dettate da un ordine multipolare rispettoso delle tradizioni, delle culture e della dignità dei popoli e delle lavoratrici e dei lavoratori in ogni continente, tuttavia deve fare i conti con il mondo produttivo brasiliano che esporta certamente con un considerevole e crescente 30% verso la Cina, ma ha nell’Occidente Collettivo, capitanato dagli Stati Uniti che assorbono il 10% della produzione carioca, una quota rilevante del suo mercato, anche perché il 15% delle importazioni viene da Washington.

La cautela di Lula si è manifestata anche in occasione della Conferenza Mondiale delle Nazioni Unite dedicata ai cambiamenti climatici, meglio nota come COP30, riunita a Belem, sul limitare atlantico dell’Amazzonia, dal 10 al 21 novembre 2025, manifestando la preoccupazione per i cambiamenti climatici, ma anche, da vecchio ed esperto sindacalista, la fondamentale importanza di tutelare il lavoro e l’occupazione.

La transizione ecologica, quando non è ragionatamente organizzata dallo stato a vantaggio dei cittadini, come in Cina, diventa, come in Europa, un volano per pochi interessati profittatori privati contro le sempre più ristrette tasche dei lavoratori. Per altro il dogmatismo colpevolizzante l’uomo e incapace di analizzare le più complesse dinamiche dei mutamenti climatici – si pensi che tra l’anno mille e i tre secoli successivi la temperatura terrestre è stata più alta di oggi, pur in assenza allora di fabbriche e altre attività industriali umane – porta sempre meno consenso a questi incontri annuali che rischiano di finire vittime della loro stessa ritualità inoperosa e irragionevole.

Il Summit della Terra, tenutosi in Brasile a Rio de Janeiro nel giugno 1992, più su pressione dei movimenti sociali che dell’allora primo presidente della transizione dalla dittatura alla democrazia, il conservatore Fernando Collor de Mello, è stato un incontro che ha visto il giovane Lula intervenire in difesa dell’Amazzonia, in ricordo del collega sindacalista Chico Mendes brutalmente ucciso dai proprietari terrieri nel dicembre 1988 e contro il buco dell’ozono. Il ricordo di quei giorni appare però oramai lontano e sbiadito.

Quell’assise, conosciuta come Conferenza delle Nazioni Unite su Ambiente e Sviluppo, nel suo vibrante impegno per riannodare i fili di una giusta critica a mezzo secolo di industrializzazione priva di qualsiasi riflessione ecologica e di ogni minima attenzione ambientale, ha elaborato la Dichiarazione di Rio sull’ambiente e sullo sviluppo, l’Agenda 21 per gli indirizzi ecologi da praticare nel XXI secolo, la Convenzione sulla diversità biologica, la Dichiarazione dei principi per la gestione sostenibile delle foreste, tutta concentrata con molte ragioni sull’Amazzonia ritenuto il “polmone del mondo”, dimenticandosi tuttavia della foresta equatoriale congolese, ugualmente pluviale e soprattutto della taiga siberiana, la più grande area boschiva del pianeta, estesa per milioni di chilometri quadrati, caratterizzata da una biodiversità senza paragoni con qualsiasi altra area verde sotto ogni latitudine della terra.

L’ultimo documento approvato in quel 1992 è stato la Convenzione sul cambiamento climatico, che darà appunto vita nei decenni successivi alle conferenze COP delle Nazioni Unite.

Il segretario generale delle Nazioni Unite Antonio Guterres è intervenuto in questi giorni a Belen segnalando un po’ sconsolato che alluvioni, tifoni, innalzamento delle acque marine e siccità, nei soli ultimi dieci anni, hanno obbligato un quarto di miliardo di esseri umani a lasciare le loro case, rendendo sempre più difficile per l’esile rete umanitaria dell’ONU attivarsi con gli aiuti richiesti e necessari.

Lula ha certo sottolineato che il riscaldamento climatico sia una tragedia del tempo presente, ma al contempo si è mostrato consapevole di come nessun accordo sul clima di vasta portata possa essere siglato a Belem, privilegiando i presenti il dibattito specifico su singoli temi come foreste, metano e biocarburanti, anzi per certi aspetti il presidente brasiliano ha battuto cassa, chiedendo aiuto, invitando a investire nel Fondo per il finanziamento delle foreste tropicali, ma più in specifico per l’Amazzonia, contrastando la deforestazione con progetti economici che garantiscano un reddito alle popolazioni, senza la necessità di disboscare per creare nuove zone coltivabili. I brasiliani hanno dato il buon esempio, versando un miliardo di dollari, seguiti dall’Indonesia del presidente multipolare Subianto, anch’essa decisa a versare un miliardo di dollari, ma con la giusta raccomandazione di non dimenticare le foreste tropicali e pluviali indonesiane del Borneo, di Sumatra, di Giava e di Sulawesi, i norvegesi ne hanno versati tre di miliardi e pure mezzo è arrivato dalla Francia, d’altronde il presidente Macron deve fingere di essere almeno un po’ ecologista, visti oramai i consensi suoi personali ridotti a pochissimi punti percentuali.

Abbastanza opaco il dibattito sui gas serra e la CO2, infiacchito da una ideologizzazione che non raccoglie fortunatamente più consensi, anche sui biocarburanti e sui carburanti sostenibili l’entusiasmo di qualche decennio fa s’è smorzato, anche perché quelli vegetali hanno un impatto sull’occupazione di suolo non indifferente, dando ragione a Fidel Castro che riteneva già alla fine del Novecento più utile mangiare una pannocchia, piuttosto che infilarla nel motore di un trattore.

La Conferenza di Belen, anche per l’assenza cinese e statunitense, si è presentata dunque come un momento più formale che sostanziale, in cui i destini del mondo, non solo climatico, restano molto lontani tanto dai dibattiti svolti in Brasile, quanto dalle necessità del globo, stretto tra crisi economiche e rischi di guerra.

Dopo il sostanziale successo del G20 di Rio de Janeiro del novembre 2024, Lula ha dovuto constatare il tono minore del 17° vertice dei BRICS del luglio 2025. In quell’occasione il presidente cinese Xi Jinping non si è presentato, anche perché fortemente contrariato dall’attacco del tutto fuori luogo portato dalla coniuge del presidente brasiliano durante la visita di stato svoltasi a Pechino nel maggio 2025 in cui la consorte Rosangela Janja da Silva ha attaccato del tutto gratuitamente il governo cinese per un presunto e poco plausibile trattamento di favore di TikTok verso la destra politica brasiliana.

L’elegiaco dibattito climatologico in ogni caso non potrà distrarre più di tanto il presidente Lula dalla concreta realtà della sua patria, la mattanza nelle favelas di Rio de Janeiro, innescata da un suo oppositore politico e sostenitore dell’ex presidente Bolsonaro, pone nuovamente al centro del dibattito brasiliano i temi della povertà e della emarginazione sociale, ma anche la capacità, dentro le favelas, di promuovere un’auto-organizzazione sociale e culturale afro-brasiliana in una società sempre più divisa, divisiva e per molti aspetti razzista. I centoventi morti del 28 ottobre 2025 tuttavia si inscrivono nel più tragico bilancio di settecento abitanti delle favelas uccisi nel 2024 e nei cinquecento uccisi dalle forze dell’ordine nei primi otto mesi del 2025. Certamente esistono criminali, spacciatori e riciclatori di denaro che si nascondono e hanno rifugio nelle favelas, tuttavia le operazioni di repressione trascendono di molto il ripristino della legalità e si configurano come operazioni platealmente volte a colpire le favelas stesse nella loro dimensione sociale e comunitaria, capace di alleviare una generalizzata esclusione delle fasce sociali più povere, spesso afro – brasiliane, dall’istruzione, dall’assistenza sanitaria, dalle infrastrutture minime di cittadinanza, dai servizi pubblici, per non dire dell’esclusione da attività lavorative capaci di garantire un reddito decoroso. Contraddizioni sociali che a quasi un quarto di secolo dalla prima elezione di Lula presidente si presentano come plateali contraddizioni di un agire politico che, nonostante le dichiarate preoccupazioni per tale realtà e la più volte manifestata intenzione di cercare di risolvere i tanti problemi, pur in un generale quadro di miglioramento contenuto ma sostanziale delle condizioni di vita delle classi più disagiate, non pare riuscire a rispondere con la celerità necessaria e con l’incisività attesa alle risposte impellenti e tambureggianti dei cittadini, massimamente quelli meno abbienti.

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A operação no Rio revela descolamento da realidade das elites políticas brasileiras, em especial a da esquerda https://strategic-culture.su/news/2025/11/07/a-operacao-no-rio-revela-descolamento-da-realidade-das-elites-politicas-brasileiras-em-especial-a-da-esquerda/ Fri, 07 Nov 2025 15:01:10 +0000 https://strategic-culture.su/?post_type=article&p=888736 As desventuras do Brasil com a questão da segurança pública são inúmeras.

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Na madrugada do dia 28 de outubro de 2025, ocorreu a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro: 121 mortos, entre os quais, quatro policiais. Sem dúvida, um número enorme, estranho para um país que, em tese, não está em guerra. E aí já começa a polêmica: o establishment brasileiro se recusa a admitir que o domínio territorial exercido por facções narcotraficantes representem uma exceção à ordem democrática nas favelas. Na verdade, se há exceção nas favelas, a culpa é toda da polícia, que supostamente é racista e mata supostos negros pobres por pura maldade. (Policiais e bandidos brasileiros têm o mesmo perfil racial, mas se em Nova Iorque dizem que a polícia é racista, então a polícia é racista.) Assim, o Supremo Tribunal Federal, em sua infinita sabedoria, impôs ao Rio de Janeiro um regime de exceção no qual a polícia enfrentava uma série de restrições para ingressar nas favelas dominadas pelo narcotráfico. Para a surpresa de ninguém, o tráfico deitou e rolou.

A operação em questão foi feita para cumprir mandados de prisão contra lideranças do Comando Vermelho, uma facção carioca que se espalhou pelo país. Além do alto número de mortos, a operação resultou em 113 presos. Entre mortos e presos, havia chefes do tráfico da Bahia, do Pará, da Amazônia, Espírito Santo, Goiás… Desses estados, apenas um é vizinho do Rio de Janeiro (veja no mapa aqui). Entre os fuzis apreendidos, símbolos identificavam as origens forasteiras dos seus donos, como uma bandeira da Bahia ou um chapéu típico da região do Semiárido. De fato, a “ADPF das Favelas” (o artifício da Suprema Corte que atou as mãos da polícia) transformou o Rio de Janeiro num santuário do crime organizado. Desde abril, porém, o Supremo desistiu de uma série de restrições.

As desventuras do Brasil com a questão da segurança pública são inúmeras, e o forasteiro poderá assistir ao filme Tropa de Elite (2007) para se inteirar um pouco. Nele, um capitão do BOPE, o batalhão de operações especiais do Rio de Janeiro, forma policiais duros e põe um saco na cabeça dos bandidos para conseguir informação. O filme foi um sucesso espetacular e os brasileiros, para desespero da elite “pensante”, amaram o Capitão Nascimento. Enquanto a maioria do cinema brasileiro fazia filmes de “crítica social”, Tropa de Elite mostrava o lado dos policiais e ridicularizava os estudantes maconheiros que estudavam em faculdade de elite, trabalhavam em ONGs e diziam que traficante tem consciência social.

Há quase vinte anos, já dava para suspeitar que a opinião publicada, tão antenada com as sensibilidades novaiorquinas, não refletia o sentimento popular brasileiro. Ainda assim, pensou-se que o problema era o filme; o ator que fez o Capitão Nascimento até virou woke. O diretor do filme só faltou ajoelhar no milho. A reação da elite brasileira mostrou que não se aprendeu nada nesses quase vinte anos.

Infelizmente é comum, em operações policiais, morrerem inocentes nas favelas. A razão disso é que elas são densamente povoadas, e trocas de tiros nesse espaço têm grandes chances de atingir inocentes. Um exemplo famoso no meu estado, a Bahia, é o caso do menino Joel: em 2010, o pai o colocava para dormir quando uma bala disparada por um policial entrou pela janela e matou-o. Diante de uma operação que matou tanto, o normal é esperar que haja inocentes entre os mortos – e, diante disso, o discurso dos direitos humanos ganha alguma legitimidade perante a população. Mesmo que a maioria jamais venha a aderir ao discurso antipolícia, ao menos pode dar o benefício da dúvida quanto às intenções dos seus adeptos. Mas e se não houver nenhum inocente, como fica a situação da opinião pública?

Pois foi justo isso o que aconteceu desta vez. Num primeiro momento, esperou-se que houvesse inocentes. Mas um dia se passou, e outro e mais outro, e nada. Essa operação foi diferente: os policiais foram de madrugada atrás dos bandidos, os quais foram para uma área de mata. Lá, policiais do famoso BOPE e da CORE os esperavam. Houve intensa troca de tiros e muitos cadáveres ficaram na mata.

No dia seguinte, moradores da favela, talvez relacionados ao Comando Vermelho, recolheram corpos da área da mata, retiraram as roupas de camuflagem que os traficantes usavam e enfileiraram-nos à vista de todos. “Lideranças comunitárias” convidaram jornalistas com pouco desconfiômetro para fotografar a cena (um jornal liberal-conservador chegou a dar voz a um “líder comunitário” do Instituto Papo Reto, que lastimou o fato de as crianças verem tantos cadáveres – sem se importar com o fato de que a exposição pública de cadáveres foi organizada pela mesmas lideranças). O perfil oficial no Instagram de Marcinho VP, líder do Comando Vermelho, exibiu a foto com os dizeres: “Hoje, o Rio virou cenário de luto e indignação. A favela pede paz!” Na legenda, uma crítica social em português precário: “Pork ao invés de matar vocês não dá estudo?” O mesmo perfil ainda compartilhou postagens do ilibado Instituto Papo Reto, que aliás é financiado pela Fundação Ford. Até o Corriere della Sera, na Itália, reproduziu uma foto dos cadáveres enfileirados num artigo contrário à operação.

É fácil ter essa opinião na Itália ou em Bruxelas. A ONU, no dia 31 de outubro, ecoava a ADPF das Favelas e recomendava a volta da suspensão das operações. No entanto, é necessária uma formidável desconexão da realidade, além de uma inversão de valores, para continuar criminalizando a polícia em vez dos bandidos quando se mora no Brasil.

No Rio de Janeiro, há muitos anos é normal traficantes trocarem tiros dos dois lados de estradas movimentadas como a Linha Vermelha e a Linha Amarela – tanto que, no mesmo dia em que a ONU publicava o seu palpite, um desses tiroteios matou uma passageira de Uber. Do Ceará, um dos estados que sofreram muito com a expansão do Comando Vermelho na pandemia, chegaram três notícias em pouco tempo: uma cozinheira foi assassinada na frente dos filhos por não envenenar a comida dos policiais; um vendedor de espetinhos foi assassinado por não pagar a taxa mensal de mil reais; um vilarejo inteiro foi esvaziado por ordem da facção – até posto de saúde, escola, correio, delegacia, foram esvaziados. Diante desse cenário conflagrado, é um tapa na cara da população o Estado só ser criticado por suas ações, não pelas suas omissões.

A academia, a esquerda e o jornalismo brasileiros vivem numa bolha e são dependentes da opinião estrangeira. Assim, não tardaram a condenar a operação e lastimar as mortes dos bandidos – que os brasileiros normais já chamam jocosamente de “vítimas da sociedade”. Uma professora de antropologia de uma universidade federal apareceu na TV como “especialista em segurança pública” e virou meme primeiro por sua aparência (veja aqui); depois, por dizer que fuzis “têm baixo rendimento criminal” e que um criminoso com fuzil “é facilmente rendido por uma pistola, até por uma pedra na cabeça”. Essa professora tem viajado para Brasília a trabalho, a pedido do Ministério da Justiça e da Segurança Pública!

Pelo menos a imprensa ainda tem interesse em ter audiência. Fizeram-se pesquisas de opinião acerca da operação. E os resultados mostraram que a maioria dos brasileiros a aprova, e que a taxa de aprovação é maior no Rio de Janeiro e nas favelas. A mais importante rede de TVs brasileira, a Globo, manteve sua cobertura antipolícia apenas no canal pago, que é acompanhado pelos liberais e esquerdistas das classes média e alta. No canal aberto, deu uma guinada para o senso comum na TV aberta, que é vista pelas classes populares. Se a cobertura usual foca nas mães de bandidos chorando e jurando que seu menino queria ser astronauta, desta vez a opção foi por dar voz às mães e esposas dos policiais mortos. Uma mãe de bandido lastimou que o filho escolhesse essa vida e disse que o fim é morte ou cadeia. A exibição em rede nacional das imagens das câmeras corporais dos policiais (que não existiam na época do Tropa de Elite) não deixou dúvidas de que se tratava de um aguerrido combate na selva, em vez de uma chacina com espaço para tortura.

Se as TVs são espertas, o mesmo não se pode dizer dos políticos esquerdistas no governo federal. Poucos dias antes da operação, Lula havia dito que os traficantes eram vítimas dos usuários (isso não deixa de ecoar o Capitão Nascimento, que enche tapas, pontapés e xingamentos um estudante maconheiro e diz que é ele quem financia o tráfico e é o culpado pelas mortes dos favelados). Depois da operação, Lula passou uns dias quieto… Até finalmente abrir a boca na COP para dizer que o governo federal vai buscar uma investigação independente, e criticar o fato de os policiais terem matado em vez de prendido os bandidos (que, a essa altura, o Brasil inteiro já sabe que abriram fogo contra a polícia). A Ministra de Direitos Humanos (chamado pelos brasileiros de “direitos dos manos”, isto é, dos bandidos) foi mais longe e quer que o governo federal preste auxílio às famílias dos bandidos mortos. Enquanto isso, a aprovação do discreto governador Cláudio Castro, um bolsonarista, chegou a patamares nunca antes vistos, e o nome dele se tornou nacionalmente conhecido.

Ano que vem, o Tribunal Superior Eleitoral precisará censurar muitos vídeos para ajudar na reeleição de Lula.

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